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O que permanece vivo após a sepultura do Sepultura?

Pacaembu (SP) foi a escolha para a despedida. Mas o que permanece vivo depois da sepultura?

Essa eh do Rock|Antonio De PauloOpens in new window

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O Sepultura prepara sua despedida dos palcos após 42 anos de carreira. Entre memórias, rupturas e legado, permanece a marca de uma banda que ajudou a redefinir o metal mundial a partir de BH Divulgação/instagram/@sepultura

Krisiun (RS), Sacred Reich (EUA) e Metal Allegiance (EUA). Essas são as bandas que vão tocar no último show de despedida do Sepultura, anunciado para acontecer no dia 7 de novembro, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo. O anúncio foi feito pela banda na semana passada.

Desde março de 2024, a banda está na estrada com a turnê Celebrating Life Through Death, oficialmente anunciada como sua despedida dos palcos. O primeiro show aconteceu no Arena Hall, em Belo Horizonte, cidade onde o Sepultura foi fundado em 1984.


Ex-integrantes do Sepultura, como o baterista Jean Dolabella e o guitarrista Jairo Guedz, já confirmaram presença como convidados especiais para a apresentação final. Dolabella integrou a banda entre 2006 e 2011. Já Jairo faz parte da formação original e permaneceu no grupo até 1987.

Outros membros da formação clássica são os irmãos Max Cavalera e Iggor Cavalera. Os dois deixaram a banda em momentos distintos — Max em 1996 e Iggor em 2006. As saídas marcaram um rompimento que extrapolou os bastidores e dividiu fãs que acompanharam a ascensão do grupo desde os primórdios da cena extrema mineira.


Em entrevista à revista Metal Hammer, o guitarrista Andreas Kisser afirmou que Max e Iggor foram convidados para participar do show de despedida, mas teriam optado por não integrar a apresentação.

Mais recentemente, o baterista Eloy Casagrande foi outra saída que causou forte repercussão na cena musical. O músico deixou o Sepultura poucas semanas antes do início da turnê de despedida para assumir as baquetas do Slipknot, uma das maiores bandas de metal do mundo.


Em meio à despedida, o Sepultura lançou, em abril de 2026, o EP The Cloud of Unknowing, último trabalho de estúdio da carreira da banda. Com quatro faixas inéditas, o registro funciona como uma despedida final após mais de quatro décadas de trajetória no metal mundial.

A sepultura da banda

“O Sepultura vai parar. Vai morrer. Uma morte consciente e planejada.”


Foi assim que a banda anunciou oficialmente sua despedida.

Antes do sepultamento definitivo, o grupo ainda passa pelo Rock in Rio, no dia 5 de setembro, levando ao Palco Mundo a turnê Celebrating Life Through Death.

Uma turnê de quase três anos, passando por mais de 40 países e com apresentações em alguns dos maiores festivais do planeta, como Wacken Open Air (Alemanha), Hellfest (França), Graspop Metal Meeting (Bélgica), Download Festival (Reino Unido) e Resurrection Fest (Espanha).

Entre os principais álbuns da carreira, destacam-se os lançados durante a chamada fase Cavalera, como Chaos A.D. (1993) e Roots (1996).

Roots ampliou enormemente a visibilidade da banda ao misturar metal com elementos da música brasileira. O disco alcançou posições de destaque em diversos países, levou o Sepultura a festivais de grande porte e ajudou a consolidar sua popularidade internacional.

Além disso, a faixa Roots Bloody Roots tornou-se provavelmente a música mais conhecida da história do grupo.

Mas nada é mais primordial para a história do metal brasileiro do que Bestial Devastation / Século XX (1985), split gravado ao lado do Overdose e lançado pelo lendário selo Cogumelo Records, em Belo Horizonte.

Mas talvez o fim do Sepultura não seja apenas o fim de uma banda. Talvez seja também o encerramento de um capítulo.

Dentro deste caixão

Dentro desta sepultura há histórias mofadas pelo tempo. Como uma velha camisa preta esquecida no fundo do armário que nunca mais verá o sol.

Há memórias que envelhecem tanto que já não se lembram da própria idade. Tantas camadas, tantas cicatrizes, que já não são mais aquilo que um dia foram.

Há brigas antigas cujos motivos ninguém mais recorda. Há histórias contadas tantas vezes que já ninguém sabe onde termina a memória e começa a lenda. Há ruas pavimentadas sobre lembranças.

O primeiro ensaio? Talvez hoje seja apenas mais um lote. Um estacionamento. Uma esquina qualquer de Santa Tereza.

O metal mineiro é sacrílego e espirituoso. Mas é especialmente blasfemo quando se trata de desafiar o esquecimento. Ele nunca foi confortável para o marketing. Nunca foi limpo o suficiente para a indústria. Nunca foi dócil para o poder.

O metal mineiro volta de uma turnê europeia e senta na calçada da Lagoinha para beber cerveja em um copo lagoinha. Depois de fazer um som brutal o suficiente para ecoar pelos quatro cantos do planeta.

Minas Gerais não inventou o metal. Reinventou.

O eco continua vivo em bandas espalhadas pelo mundo. Mas o que existe neste caixão depois da sepultura?

Um coveiro, cansado de trabalhar, uma vez me disse:

Não conto os mortos que enterrei. Eu conto os vivos

(Um coveiro)

No fim, não importa o caixão. Nem o que está dentro dele. Nem o que restou de você depois da erosão do tempo.

Importam as histórias que você deixa para serem contadas.

O resto morre contigo. Ficam as pessoas. As árvores que você plantou. O som que ainda ecoa.

Ficam os caminhos abertos para o groove metal moderno. A influência que atravessou gerações e ajudou a moldar o nu metal.

Ficam discos que ainda habitam as listas dos maiores álbuns da história do metal.

E o metal mineiro? Nunca coube em uma sepultura. Está em sarcófagos.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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