O que fizeram com Arthur Aguiar ao vivo deveria nos fazer pensar
Avisaram o ex-namorado de Lua Blanco da morte dela, no último domingo (18), durante live nas redes sociais
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A atriz Lua Blanco, de Rebelde, morreu no último domingo (18), aos 39 anos, vítima de câncer. E o ex-namorado Arthur Aguiar soube da notícia durante uma live nas redes sociais.
Desde quando a dor alheia virou entretenimento para quem está atrás de uma tela?
Eu fico pensando em que momento a internet virou esse lugar onde vale tudo por uma reação. Onde a vontade de comentar, chocar e aparecer parece falar mais alto do que qualquer resquício de sensibilidade.
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A morte de Lua Blanco pegou muita gente de surpresa. Para quem cresceu assistindo a Rebelde, na RECORD, ela sempre será a Roberta, aquela personagem de personalidade forte que marcou uma geração. Mas, dessa vez, a notícia que ninguém queria receber veio acompanhada de uma cena que me fez pensar em algo ainda mais triste do que a própria repercussão da morte.

Arthur Aguiar, que viveu um romance com Lua na vida real e também formou um casal com ela na novela, soube da morte da atriz durante uma transmissão ao vivo. Foram os comentários de internautas que levaram a notícia até ele. A reação foi de choque.
E eu pergunto: precisava ser assim?
Qual é a necessidade de contar uma coisa dessas daquela maneira? Qual é o prazer de jogar uma notícia devastadora no colo de alguém que está ao vivo, diante de milhares de pessoas, sem a menor preocupação com o impacto que aquilo pode causar?
Arthur e Lua namoraram na vida real. O relacionamento acabou, a vida seguiu, cada um construiu sua história. Mas ninguém apaga o fato de que aquela pessoa fez parte da sua vida.
E descobrir que ela morreu, ainda mais nessas circunstâncias, não é uma informação qualquer que você recebe e segue a programação como se nada tivesse acontecido.
A família de Lua informou que ela enfrentava um câncer e pediu respeito neste momento de luto. A doença não era de conhecimento público. E ela tinha todo o direito de preservar essa parte da vida.
O que me incomoda é justamente isso: parece que uma parte da internet perdeu completamente a noção de limite. As pessoas querem saber tudo, comentar tudo e participar de tudo. E, quando não existe uma informação disponível, parece que vale até provocar uma situação constrangedora para conseguir uma reação.
Será que quem escreveu aqueles comentários parou por um segundo para pensar no que Arthur poderia sentir? Ou o que importava mesmo era assistir à reação dele ao descobrir a notícia?
Não tenho como saber o que passava pela cabeça de cada pessoa que comentou. Mas o episódio escancara uma falta de sensibilidade que merece ser discutida.
Tem gente que está tão preocupada em ser a primeira a dar uma notícia que esquece que, antes de ser notícia, aquilo pode ser a dor de alguém.
E não é de hoje que vemos esse comportamento. A vida dos famosos virou uma espécie de reality show permanente, com plateia, julgamento e gente esperando o próximo momento de constrangimento.
A diferença é que, agora, não precisamos mais esperar uma edição ir ao ar. Tudo acontece em tempo real, e sempre tem alguém pronto para transformar o momento mais delicado de outra pessoa em conteúdo.
Todo mundo reclama da internet tóxica. Todo mundo quer mais regras, mais fiscalização, menos ataques e mais responsabilidade das plataformas. Quando um famoso é humilhado, exposto ou perseguido, aparece uma multidão para condenar o comportamento dos internautas.
Mas será que essa mesma multidão olha para o próprio comportamento quando está do outro lado?
Porque é muito fácil exigir uma internet melhor enquanto se alimenta justamente aquilo que a torna pior. É fácil reclamar da falta de respeito quando o alvo é alguém de quem gostamos. Difícil é entender que o limite também vale quando estamos curiosos, quando queremos uma informação exclusiva ou quando achamos que um comentário vai render muitos likes.
E, sinceramente, desde quando ter acesso a alguém significa ter direito a tudo sobre essa pessoa?
A internet está cheia de gente que confunde liberdade de expressão com liberdade para ser cruel.
É um tipo de sadismo digital que assusta. Não estou chamando todo internauta de sádico, mas é impossível ignorar a crueldade de certos comportamentos quando o sofrimento de alguém vira motivo de curiosidade, disputa por atenção ou diversão.
O mais curioso é que, muitas vezes, quem faz isso provavelmente se considera uma pessoa normal, incapaz de agir assim fora da internet. Como se uma tela desse licença para deixar a empatia do lado de fora.
Pois não dá.
A pergunta que fica é bem simples: você quer mesmo uma internet com mais respeito ou só quer respeito quando a crueldade é dirigida a alguém de quem você gosta?
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