Montagem de ‘Hamlet’ transforma espaço no centro de São Paulo em cena viva
Espetáculo no Cine Copan dialoga com o texto de William Shakespeare e amplia a dimensão trágica da obra
R7 Teatro|Bianca Neves
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As “ruínas” do Cine Copan, no centro de São Paulo, evocam a atmosfera do teatro de Dionísio e transportam o público para a experiência de uma tragédia clássica. Aqui, porém, o texto é em inglês: Hamlet, de William Shakespeare, encenado em solo brasileiro.
Em Hamlet, Sonhos Que Virão, o diretor Rafael Gomes propõe uma releitura que equilibra tradição e contemporaneidade. Sem abrir mão da força do texto original, a montagem incorpora recursos tecnológicos e sensoriais, transformando a estrutura do Cine Copan em parte essencial da encenação.
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O espaço passa a espelhar a instabilidade e a intensificar as tensões do texto ao longo de toda a narrativa.
Na trama, Hamlet (Gabriel Leone), príncipe da Dinamarca, busca vingar a morte do pai após a aparição de seu fantasma. O espectro revela ter sido assassinado por seu próprio irmão, Cláudio (Eucir de Souza), que usurpou o trono e se casou com a rainha Gertrudes (Susana Ribeiro).
Também somos apresentados a Ofélia (Samya Pascotto), interesse amoroso de Hamlet e filha de Polônio (Fafá Renó), e a Laertes (Bruno Lourenço), irmão de Ofélia e rival do príncipe.
Para desmascarar Cláudio, Hamlet simula loucura, desencadeando uma sucessão de intrigas, monólogos existenciais e, como manda a tradição trágica, um desfecho fatal para praticamente todos os personagens.
A crise interna do protagonista ganha corpo no próprio espaço cênico. As estruturas expostas de tijolos, vigas e concreto não apenas compõem o ambiente, mas dialogam com o personagem, como se também estivessem à beira de um colapso. Há ali um lugar em suspensão, à espera de reconstrução, que ecoa o dilema do “ser ou não ser”.
Ao mesmo tempo, a montagem parece apontar para o futuro com a utilização de diversos recursos tecnológicos, que ampliam os momentos-chave do texto e tiram o fôlego de quem absorve toda a experiência.
Três cenas se destacam: a aparição do fantasma do rei, construída por um jogo de luz que cria uma aura quase sobrenatural; a morte de Ofélia, que impacta tanto pela ousadia da concepção quanto pela execução; e o duelo final entre Hamlet e Laertes, que conduz ao inevitável desfecho trágico.
Gabriel Leone entrega um Hamlet à altura desse universo: intenso, visceral e profundamente conectado ao espaço. Seus olhares, frequentemente direcionados ao público, transformam os dilemas do personagem em provocações diretas.
Nos momentos em que simula loucura, há um toque de deboche que introduz nuances cômicas, ainda que trágicas, ao personagem. Já o célebre monólogo “ser ou não ser” surge com uma naturalidade que o faz deixar de ser apenas um momento icônico do texto para se transformar em uma reflexão compartilhada por todos que estão ali.
O espetáculo se torna marcante pelo conjunto: atuações, direção, cenário e concepção técnica em diálogo com o espaço. Como ressalva, a sonorização pode causar estranhamento no início: com todos os atores microfonados e a acústica aberta do ambiente, o som por vezes reverbera além do ideal.
Hamlet, Sonhos Que Virão
- Quando: Quartas, às 20h; quintas, às 17h e 20h30; sextas, às 20h; sábados, às 16h e 20h; domingos, às 17, até o dia 3 de maio
- Local: Ed. Copan - Av. Ipiranga, 200, Centro - São Paulo
- Ingressos: entre R$ 75 e R$ 320.
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