Como a nova regulamentação pode impulsionar os estúdios de games brasileiros no mercado global
Decreto que detalha o Marco Legal dos Games prevê medidas de financiamento, formação profissional e divulgação de jogos nacionais
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Desenvolver um jogo eletrônico exige mais do que criatividade e conhecimento técnico. Para estúdios independentes, o processo envolve financiar meses ou anos de trabalho, formar equipes, conquistar espaço nas plataformas digitais e encontrar um público em um mercado disputado por empresas do mundo inteiro.
É nesse cenário que a regulamentação do Marco Legal dos Games pode abrir novas oportunidades para a indústria brasileira.
Em 14 de outubro, foi assinado o Decreto n.º 13.138/2026, que regulamenta a Lei n.º 14.852/2024 e estabelece diretrizes para estimular o desenvolvimento do setor, ampliar o acesso a mecanismos de fomento e fortalecer a presença dos jogos brasileiros no mercado internacional.
Entre as iniciativas previstas estão mudanças nas linhas de financiamento, ações de formação profissional e a criação de uma plataforma pública para divulgar produções nacionais.
Para Helon Junior, fundador da Hammock Studios, o potencial dessas medidas está na possibilidade de aproximar a capacidade criativa dos desenvolvedores brasileiros das condições necessárias para manter empresas competitivas.
“O país tem profissionais qualificados, capacidade criativa e um mercado consumidor expressivo, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar esse potencial em empresas e produtos competitivos”, avalia.
Financiamento é um dos principais desafios

Entre os obstáculos enfrentados pelos estúdios independentes está o acesso a recursos para financiar as diferentes etapas de produção. Um jogo pode exigir investimentos desde a criação do primeiro protótipo até os testes, o lançamento, o marketing e a distribuição, enquanto o retorno financeiro pode demorar anos para chegar.
Como parte das medidas anunciadas junto à regulamentação, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) deverá propor ao Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) a redução do valor mínimo dos empréstimos de R$ 500 mil para R$ 150 mil.
A proposta também prevê diminuir os juros de Taxa Referencial (TR) mais 2% para TR, mais 0,5% ao ano. As mudanças dependem dos procedimentos de aprovação e implementação do fundo.
Na avaliação de Helon, facilitar o acesso ao crédito pode ajudar empresas menores, mas o resultado dependerá das condições oferecidas. Garantias exigidas, faturamento, prazos de pagamento e estágio de desenvolvimento de cada projeto são fatores que influenciam a capacidade de um estúdio conseguir financiamento.
Uma equipe que está desenvolvendo seu primeiro protótipo, por exemplo, tem necessidades diferentes das de uma empresa que já possui um jogo pronto para chegar ao mercado. Por isso, o empreendedor defende instrumentos capazes de atender a diferentes etapas da produção.
O financiamento público, porém, não resolve sozinho o desafio de construir negócios duradouros. Para o fundador da Hammock Studios, também é necessário ampliar o interesse dos investidores privados pela indústria de games.
Segundo ele, o desenvolvimento de jogos envolve riscos criativos e comerciais, além de ciclos de produção longos. Por isso, investidores precisam compreender que o retorno de um projeto não se limita às vendas iniciais: uma propriedade intelectual pode gerar novas oportunidades por meio de sequências, licenciamento e distribuição em diferentes mercados.
Ter um bom jogo não garante sucesso
A competição internacional é outro desafio para os estúdios brasileiros. As plataformas digitais permitem que empresas de diferentes países lancem seus jogos para públicos globais, mas essa facilidade também aumenta a concorrência pela atenção dos jogadores.
“Desenvolver um bom produto não garante que ele será descoberto pelo público”, afirma Helon.
Para ele, a estratégia comercial precisa fazer parte do planejamento desde o início do desenvolvimento. Conhecer o público, definir formas de monetização, planejar campanhas de marketing e estabelecer relações com distribuidoras e publishers internacionais são etapas importantes para que um jogo alcance jogadores além do mercado brasileiro.
A profissionalização da gestão também pesa nesse processo. Além de programadores, artistas e designers, um estúdio precisa organizar orçamento, cronograma, processos de produção e estratégias para explorar comercialmente suas criações.
Outro ponto é a propriedade intelectual. Criar personagens, universos e histórias próprias pode permitir que os estúdios desenvolvam produtos com potencial de expansão para outros jogos, produtos licenciados e diferentes formatos de entretenimento.
O Brasil conta com referências culturais que podem inspirar produções capazes de dialogar com públicos estrangeiros. Para Helon, o desafio é garantir que empresas brasileiras tenham condições de transformar esse repertório em propriedades intelectuais próprias e participar do valor econômico gerado por elas.
Divulgação e formação de profissionais
A regulamentação também prevê medidas voltadas à visibilidade dos jogos nacionais. Entre elas está o Game Brasil, plataforma pública e gratuita destinada a catalogar e divulgar jogos desenvolvidos no país, com informações sobre os criadores e os locais em que os títulos podem ser encontrados. A iniciativa busca facilitar o contato entre as produções brasileiras e o público.
A formação profissional aparece como outro eixo das medidas, com previsão de uma rede nacional de espaços voltados à formação, experimentação, pesquisa e desenvolvimento de jogos. A proposta é fortalecer a cadeia produtiva, aproximando a preparação de novos profissionais das necessidades do setor.
Na visão do fundador da Hammock Studios, a formação precisa caminhar junto com a criação de oportunidades de trabalho. O Brasil já tem profissionais qualificados que participam de grandes produções internacionais, mas precisa ampliar a capacidade de desenvolver projetos de maior porte dentro do próprio país.
Isso exige empresas capazes de contratar equipes, manter projetos em andamento e oferecer perspectivas de carreira em áreas que vão além da programação, como produção, gestão, marketing e desenvolvimento de negócios.
O impacto das novas medidas dependerá, portanto, de sua implementação e da capacidade de alcançar empresas de diferentes tamanhos.
Crescimento dos estúdios, geração de empregos qualificados, aumento do faturamento e maior presença internacional estão entre os indicadores que podem ajudar a avaliar os resultados ao longo do tempo.
Para a indústria brasileira, o desafio não é apenas criar jogos de qualidade, mas construir condições para que esses projetos encontrem financiamento, conquistem jogadores e se transformem em negócios sustentáveis.
A regulamentação estabelece novas possibilidades para esse caminho, enquanto a execução das medidas e a capacidade de articulação entre desenvolvedores, investidores e distribuidores serão determinantes para ampliar a participação do Brasil no mercado global.
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