Como macacos gamers estão ajudando a compreender o que desperta a nossa curiosidade
Primatas jogaram por quase 100 tentativas mesmo sem recompensa, o que mostra o sucesso do jogo para entender o comportamento
Bichos|Do R7
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A curiosidade é um mistério para a ciência. Ainda não sabemos o que realmente a desencadeia. Mas é certo que tanto humanos quanto os animais sentem esse impulso intrínseco de busca de informação. Agora, cientistas estão mais próximos de encontrar respostas sobre esse fenômeno a partir de experiências com macacos jogando videogame.
Em um novo estudo, publicado na iScience, macacos passaram longos períodos jogando voluntariamente um videogame com tela sensível ao toque, movidos puramente pela curiosidade e sem qualquer recompensa alimentar. Seu comportamento surpreendeu os cientistas, que acreditam que as descobertas podem levar a uma melhor compreensão de como a curiosidade impulsiona o comportamento animal.
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Nesse jogo, quando um macaco pressiona um botão na tela, um boneco aparece em um local diferente da tela, dependendo do botão pressionado. O aparecimento do boneco também corresponde a diferentes níveis de ruído espacial, com os bonecos aparecendo em locais menos previsíveis quanto maior o nível de ruído. Enquanto os macacos interagiam com o jogo, os pesquisadores observaram suas respostas a ruídos médios versus baixos e, em seguida, a ruídos médios versus altos.

Os resultados revelaram que os macacos tenderam a escolher o botão de ruído médio, o que fazia o boneco aparecer em um local um tanto previsível, mas ainda moderadamente incerto. Essas descobertas sugerem que, assim como os humanos, os macacos têm uma tendência cognitiva a explorar ativamente estímulos com um nível moderado de incerteza, em oposição a estímulos que são muito simples ou muito aleatórios.
Pesquisas recentes apoiam o Princípio de Cachinhos Dourados, segundo o qual a curiosidade tende a se direcionar para estímulos moderadamente complexos ou incertos, evitando situações excessivamente simples ou intrincadas. Essa tendência caracteriza a curiosidade humana, mas poucos estudos exploraram esse impulso em animais não humanos.

O tempo que os macacos passaram jogando também comprova o sucesso do jogo em despertar a curiosidade deles. “Em tarefas cognitivas típicas, os macacos geralmente recebem recompensas alimentares para se manterem motivados, então eu não tinha muita certeza de que eles se envolveriam com o jogo sem recompensas”, diz Sakumi Iki, pesquisadora do Instituto para as Origens Evolutivas do Comportamento Humano (EHUB) da Universidade de Kyoto, no Japão, e coautora do estudo. “No entanto, surpreendentemente, alguns macacos jogaram por quase 100 tentativas mesmo sem nenhuma recompensa”, acrescentou.
O jogo foi desenvolvido especificamente para a experiência com os macacos que vivem no EHUB. Os pesquisadores pensaram que, se conseguissem desenvolver um videogame que despertasse a curiosidade e o envolvimento de animais em laboratórios e zoológicos — ou mesmo de animais de estimação, como gatos e cachorros — isso poderia potencialmente ajudar a melhorar os ambientes em que vivem e contribuir para o bem-estar animal.
O impulso intrínseco de busca por informação que chamamos de curiosidade é independente de recompensas extrínsecas, como comida ou oportunidades de acasalamento. A curiosidade é puramente a busca pela compreensão do desconhecido, impulsionando tanto humanos quanto animais a explorar seus ambientes. Ainda assim, certos estímulos tendem a despertar a curiosidade mais do que outros.














