Como um vídeo levou cientistas até uma rara população de gatos selvagens na Líbia
Pesquisadores ainda tinham dúvidas sobre a presença da espécie no país
Bichos|Do R7
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Um vídeo publicado na internet há quase 10 anos acabou se transformando em uma importante pista para a ciência. O registro de um gato aparentemente comum, feito pelo fotógrafo de vida selvagem Mohammed Almuntasir, levou pesquisadores a investigarem a presença do gato-da-areia (Felis margarita) na Líbia — uma espécie que até então não tinha ocorrência confirmada no país.
Publicado em 2017 no YouTube, o vídeo mostrava o pequeno felino descansando em uma área de dunas do território líbio. A imagem chamou atenção porque o animal é considerado um dos poucos mamíferos totalmente adaptados às condições extremas do deserto, mas muitos especialistas duvidavam que a gravação tivesse sido feita na Líbia.
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“Quando publiquei, ninguém acreditou que tivesse sido filmado na Líbia. Todos negaram, mas continuei insistindo que o gato estava aqui”, afirmou Almuntasir em entrevista ao jornal britânico The Guardian.
O caso despertou o interesse do zoólogo Firas Hayder, especialista em pequenos carnívoros, que passou a colaborar com o fotógrafo para reunir evidências sobre a presença da espécie no país. A missão, porém, estava longe de ser simples: o sudoeste da Líbia é uma das regiões menos estudadas do norte da África, com poucas áreas protegidas e dificuldades de acesso.
“Ensinei a Mohammed os métodos de pesquisa de campo da África do Sul – como registrar coordenadas de GPS, como documentar cada avistamento com fotografias ou vídeos. Ele aplicou tudo isso no deserto do sudoeste”, disse Hayder ao jornal britânico.
Com aparência semelhante à de um gato doméstico, o gato-da-areia ganhou o apelido de “fantasma do deserto” por causa da sua capacidade de se camuflar entre as dunas. Sua pelagem em tons arenosos ajuda o animal a desaparecer na paisagem, tornando os registros em ambiente natural extremamente raros.
Para confirmar os avistamentos, a equipe realizou trabalhos de campo, coletou relatos de comunidades locais e passou a mapear áreas onde o felino poderia viver. O esforço resultou em um estudo publicado na revista científica Journal of Arid Environments, que reuniu registros do gato-da-areia em 13 localidades diferentes do Saara líbio.
Algumas regiões apresentaram uma concentração significativa de avistamentos, indicando que a espécie pode estar mais presente no país do que se imaginava. Além disso, ela também abriu novas possibilidades para estudos sobre outros animais do deserto que podem estar sendo pouco documentados.
Para os pesquisadores, a descoberta reforça a importância de ampliar os esforços de conservação em uma região ainda pouco explorada cientificamente. “Todos os líbios devem se envolver nos esforços de conservação. Essas espécies representam seu ambiente e seu país”, destacou Hayder ao The Guardian.
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