Logo R7.com
RecordPlus
Patricia Lages

Escravidão moderna: a ânsia de ter e o tédio de possuir

Vivemos quase sempre insatisfeitos com o que temos, ansiando pelo que não temos. Como alcançar equilíbrio?

Patricia Lages|Patricia LagesOpens in new window

  • Google News
Consumismo excessivo pode agravar ansiedade e levar as pessoas a um tipo de escravidão moderna Freepik/@snowing

Segundo o filósofo Arthur Schopenhauer (1788–1860), a vida é dominada por desejos que nunca são plenamente satisfeitos. Para ele, a vontade é um impulso que move tudo, desde a natureza até os seres humanos, mas é uma força irracional, cega, insaciável.

Na filosofia pessimista de Schopenhauer, a ânsia de ter e o tédio de possuir formam um ciclo de sofrimento e a felicidade se resume apenas à ausência de dor, não sendo um estado permanente.


RESUMO DA NOTÍCIA

  • A vida é marcada por desejos insaciáveis, segundo Schopenhauer, resultando em um ciclo de ansiedade e tédio.
  • A infelicidade atual persiste mesmo em tempos de abundância, com muitos endividados por consumirem excessivamente.
  • Schopenhauer sugere o equilíbrio por meio de arte, compaixão e ascetismo, enquanto Salomão alerta sobre a vaidade das realizações sem Deus.
  • O cristianismo ensina a importância de viver o presente e valorizar o que se tem, buscando serenidade e propósito na vida diária.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Muitos séculos antes, Salomão registrava no livro de Eclesiastes (1.2) uma de suas frases mais célebres: “Vaidade de vaidades, tudo é vaidade”, concluindo que, sem Deus, as realizações humanas são ilusórias e não trazem satisfação verdadeira e duradoura.

Se tivessem conhecido nossos tempos, ambos reforçariam seus pensamentos, pois apesar de vivermos na era mais abastada da História, os seres humanos estão mais infelizes do que nunca.


Vivemos um novo ciclo de ânsia e tédio, mas com um agravante: a escravidão moderna. Muitos trabalham em empregos que detestam, para comprar coisas que não precisam a fim de impressionar pessoas de quem não gostam.

Nesse ritmo, mesmo com os juros altíssimos praticados no país, oito de cada dez famílias brasileiras estão endividadas e, entre as causas, estão o consumo excessivo por status ou por pressão social.


Os poucos dias de euforia que algo novo traz podem significar meses – e até anos – de prestações que comprometem a renda futura, gerando insegurança financeira e, consequentemente, mais ansiedade. E é aí que o agravante se instala: como deixar um trabalho – ainda que detestável – tendo tantas dívidas acumuladas?

Para Schopenhauer, o equilíbrio da vida está no tripé: arte (como via de escape), compaixão (empatia pelo sofrimento alheio) e ascetismo (disciplina e autocontrole sobre os desejos).


Salomão, por sua vez, foi além da filosofia, nos deixando ensinamentos de sabedoria prática no livro de Provérbios. E o cristianismo, nas palavras de Jesus, ensina o método e a solução resumidos em poucas palavras:

“Por isso vos digo: Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? (...) Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles”. – Mateus 6:26-29

Viver um dia de cada vez, apreciando o pão nosso de cada dia pode trazer serenidade, propósito e muito mais sentido.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.