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Patricia Lages
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Escolas militares x escolas públicas: uma análise sobre desempenho e o debate proposto pela ONU

Comitê da ONU sobre Direitos da Criança recomenda que Brasil revise ou encerre escolas cívico-militares

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ONU sugere rever ou encerrar escolas cívico-militares no Brasil, mesmo apresentando resultados superiores às escolas públicas tradicionais

Segundo o Comitê da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos das Crianças, a presença de militares na gestão escolar pode comprometer a liberdade pedagógica, ferir princípios democráticos e limitar o direito dos estudantes a um ambiente educativo plural.

Porém, ao que tudo indica, a sugestão da entidade não leva em conta os dados que mostram um desempenho consideravelmente superior das escolas militares em comparação com a média nacional das escolas públicas tradicionais, especialmente no que se refere ao ensino fundamental.

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Em 2022, escolas militares apresentaram resultados superiores, com notas até 25,8 pontos acima da pontuação das escolas regulares. Algumas instituições de ensino militares tiveram 100% de aprovação no ENEM, como o Colégio da Polícia Militar de Itabuna, na Bahia. Além disso, alunos das escolas cívico-militares costumam alcançar médias superiores aos 600 pontos no ENEM, enquanto média das escolas públicas é de 510 pontos.

Projetos científicos premiados em olimpíadas e concursos internacionais, como o UNESCO-Reis, reforçam o nível de excelência promovido nessas instituições, a exemplo do Colégio Militar de Brasília (CMB), vencedor do concurso UNESCO-Reis 2024, competindo com 255 escolas internacionais.

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Dados oficiais revelam que escolas militares, especialmente as administradas pelas Forças Armadas (como os Colégios Militares do Exército), apresentam resultados mais altos em avaliações como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM).

O bom desempenho das escolas militares deve, em parte, à forte infraestrutura, à presença de professores qualificados (muitos com pós-graduação), à ênfase na disciplina e à oferta de atividades extracurriculares, como música, robótica e esportes.

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Analfabetismo funcional: um desafio estrutural

As diferenças entre os modelos escolares tornam-se mais relevantes quando observamos o grave problema do analfabetismo funcional no Brasil. Segundo o PISA 2022, mais de 53% dos alunos brasileiros não atingiram o nível mínimo de proficiência em leitura e cerca de 70% ficam abaixo do nível 2 em matemática. Isso significa que a maioria dos estudantes não consegue compreender textos simples ou resolver problemas básicos do cotidiano.

O INAF 2025, Indicador de Alfabetismo Funcional, confirma esse cenário: cerca de 29% da população brasileira entre 15 e 64 anos é funcionalmente analfabeta, e entre os jovens de 15 a 29 anos, o índice aumentou de 14% para 16% nos últimos anos. São dados que reforçam a urgência de repensar a qualidade do ensino oferecido nas escolas públicas regulares.

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Nesse contexto, as escolas militares se destacam como exceção à regra. Elas têm se mostrado eficazes na formação de alunos com domínio pleno de leitura, escrita e raciocínio lógico, habilidades essenciais para o exercício da cidadania e o ingresso no mercado de trabalho.

Caminho do meio: aprender com o que funciona

O Brasil precisa enfrentar o desafio da alfabetização funcional e da baixa proficiência em larga escala. Para isso, em vez de descartar modelos que apresentam resultados melhores, o mais sensato é extrair o que funciona nas escolas militares — como a valorização do professor, a disciplina pedagógica, o investimento em infraestrutura e o foco em resultados — e adaptar as práticas na rede pública, sem abrir mão da gestão democrática e da pluralidade de ideias.

O Brasil precisa promover educação pública de qualidade, que respeite os direitos humanos e, ao mesmo tempo, forme alunos capazes, críticos e plenamente alfabetizados.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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