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Muito além do aeróbico: por que a musculação é a nova aliada do coração da mulher

Um estudo com mais de cem mil mulheres reforça o papel protetor do treino de força para o coração

Conversa de Mulher|Samantha RizziOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo com mais de 117 mil mulheres mostra que a musculação pode reduzir em 20% o risco de eventos cardiovasculares graves.
  • Combinação de treino de força com atividade aeróbica e menos tempo sedentário oferece maior proteção cardiovascular.
  • Mulheres têm maior risco de morte por infarto, e sintomas podem ser variados e menos reconhecidos.
  • OMS recomenda exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular para adultos, destacando a importância da musculação na saúde do coração.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mulheres que praticam treino de força por duas horas ou mais por semana apresentam 20% menos risco de eventos cardiovasculares graves Inteligência artificial / Gemini

Quando o assunto é prevenção do infarto, a musculação costuma ficar em segundo plano diante da caminhada, da corrida ou de outras atividades aeróbicas.

Um estudo publicado em 2026 no Journal of the American College of Cardiology (JACC), uma das revistas científicas mais respeitadas da cardiologia mundial, ajuda a colocar o treino de força no centro dessa conversa.


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Estudo de mais de uma década com mulheres americanas

A pesquisa utilizou dados de dois grandes estudos que acompanham a saúde de milhares de mulheres (enfermeiras americanas) há décadas. Ao todo, 117.025 participantes tiveram seus hábitos de exercício monitorados a cada quatro anos, com um tempo médio de acompanhamento de 14,5 anos.

O resultado chamou a atenção da comunidade científica: mulheres que praticavam treino de força por duas horas ou mais por semana apresentaram 20% menos risco de eventos cardiovasculares graves (como infarto, AVC e insuficiência cardíaca) e 44% menos risco específico de infarto do miocárdio, em comparação às que não praticavam esse tipo de exercício.


A proteção foi ainda maior entre as mulheres que combinavam treino de força com atividade aeróbica regular e passavam menos de duas horas por dia em comportamento sedentário, como assistir à televisão.

É importante destacar que se trata de um estudo observacional: ele mostra uma associação consistente entre o hábito de treinar força e menor risco cardiovascular, mas não prova, isoladamente, uma relação de causa e efeito.


Ainda assim, a quantidade expressiva de mulheres avaliadas, o tempo de acompanhamento e a qualidade da publicação conferem um peso científico relevante a esse achado.

Por que isso importa tanto para as mulheres

A OMS recomenda que os adultos pratiquem entre 150 e 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana Inteligência artificial / Gemini

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres brasileiras, à frente inclusive do câncer. Ainda assim, o imaginário popular segue associando o infarto sobretudo aos homens, o que pode atrasar diagnósticos e, consequentemente, o tratamento.


Dados de sociedades de cardiologia mostram que as mulheres têm cerca de 50% mais chances de morrer quando apresentam um infarto do que os homens, e que aproximadamente uma em cada cinco brasileiras adultas apresenta risco elevado de desenvolver doença cardiovascular ao longo da vida.

Parte dessa diferença pode estar relacionada às particularidades biológicas femininas. Durante o climatério e a menopausa, a queda nos níveis de estrogênio (hormônio que também exerce função protetora nos vasos sanguíneos) pode contribuir para o aumento do risco cardiovascular nessa fase da vida.

Some-se a isso o fato de que os sintomas de infarto em mulheres costumam ser mais variados e, muitas vezes, menos reconhecidos: além da dor no peito, podem aparecer falta de ar, cansaço extremo sem causa aparente, náuseas, suor frio, dor nas costas ou no pescoço e tontura.

Por isso, é importante que qualquer combinação desses sinais, especialmente quando surge de forma súbita, seja avaliada por um profissional de saúde o quanto antes.

O que as diretrizes de atividade física recomendam

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que os adultos pratiquem entre 150 e 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana, ou de 75 a 150 minutos de atividade aeróbica vigorosa, associados a exercícios de fortalecimento muscular que trabalhem os principais grupos musculares em pelo menos dois dias na semana.

Para mulheres em fases mais avançadas da vida, esse tipo de treino também está associado à manutenção da massa muscular, ao equilíbrio e à saúde óssea, fatores relevantes na prevenção de quedas e fraturas.

Esse é exatamente o tipo de recomendação que o novo estudo do JACC ajuda a reforçar com dados concretos: o treino de força não deve ser visto apenas como um recurso estético ou voltado à tonificação muscular, mas como parte de uma estratégia mais ampla de cuidado com o coração.

Da teoria à prática: por onde começar

Para quem nunca praticou musculação, ou já convive com fatores de risco cardiovascular conhecidos (como hipertensão, diabetes, obesidade ou histórico familiar de doença cardíaca), o caminho mais seguro é buscar uma avaliação médica prévia, seguida do acompanhamento de um profissional de educação física ou fisioterapeuta especializado em exercício.

Esse acompanhamento ajuda a definir a carga adequada, a progressão dos treinos e os ajustes necessários para cada fase da vida, incluindo a transição menopausal.

Na prática, os exercícios de força podem ser incorporados aos poucos: começar com poucos movimentos, priorizar a execução correta antes de aumentar a carga e distribuir o treino ao longo da semana para contemplar os principais grupos musculares.

Caminhar mais ao longo do dia e reduzir o tempo sentado também contribuem para o efeito protetor observado no estudo.

Vale reforçar: sinais como dor ou aperto no peito, falta de ar súbita, palpitações, suor frio acompanhado de mal-estar ou tontura importante merecem avaliação médica imediata — antes, durante ou fora da prática de exercícios, independentemente da idade ou do nível de condicionamento físico.

Fortalecer o corpo, cuidar do coração

As evidências reunidas até aqui sugerem que o treino de força é um aliado importante, e possivelmente subestimado, da saúde cardiovascular das mulheres. Mais do que isso, esse tipo de achado reforça uma ideia central para quem pensa em qualidade de vida ao longo dos anos: o movimento, em suas diferentes formas, é parte essencial do cuidado com o corpo, incluindo o cuidado com o coração.

Cada mulher tem uma história, um corpo e um ritmo diferentes, e por isso vale sempre buscar orientação individualizada antes de iniciar ou intensificar uma rotina de exercícios.

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