Por que a geração Z está obcecada por true crime? Especialistas explicam
Ilana Casoy alerta para a espetacularização da violência, e a influenciadora Marisa Neta revela novo interesse de quem consome os conteúdos
Cronicamente Online|Giovana Sobral
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Se você já passou horas nas redes sociais assistindo a vídeos de casos criminais, maratonou documentários de assassinatos nas plataformas de streaming ou ficou tentando montar as peças de um mistério que aconteceu há anos, fique sabendo: você não está sozinho. ✅
O universo do true crime virou uma verdadeira febre, e os jovens são um dos principais públicos dessa onda. A pergunta é: por quê? A resposta pode estar na busca por maneiras de entender como se proteger e os riscos de cada crime.
voltei a ficar viciada em true crime
— triz (@bloodbornies) May 13, 2026
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True crime na internet
Criadores de conteúdo, mesmo nascidos anos após os crimes que marcaram a sociedade, encontraram uma maneira rápida e dinâmica de tornar as histórias acessíveis para as novas gerações. Muitos convidam o público a analisar pistas, compartilhar teorias e tentar descobrir o que aconteceu, e isso traz sentimento de pertencimento.

Marisa Neta produz conteúdos de true crime nas redes sociais, é apresentadora do podcast Mulheres do Crime e se apaixonou por histórias de investigação ainda na juventude, quando acompanhava filmes de terror e séries como CSI.
A influenciadora acredita que o interesse do público pelo tema está diretamente ligado ao consumo desse tipo de publicação. “Quanto mais conteúdo se produz sobre o assunto, mais a pessoa vai receber vídeos similares [na timeline]”, aponta Marisa.
A maioria [das pessoas] se interessa pela investigação, em como esse mundo funciona, assim como a parte da psicologia por trás dos casos
Segundo Marisa, esse interesse também tem influenciado escolhas profissionais de parte da audiência. “Recebo muitos comentários de jovens que, por meio dos vídeos, decidiram os cursos que farão na faculdade, principalmente Psicologia e Direito”, revela a influenciadora.
Crimes reais mostram situações extremas que fogem da rotina, por isso, o público que acompanha esse tipo de conteúdo quer entender o que leva uma pessoa a cometer um assassinato e busca descobrir detalhes únicos sobre a investigação dos casos. O tal do hiperfoco 🎯
Muitas narrativas ganharam força por conta de séries, filmes e documentários produzidos com técnicas de suspense. É o caso do Doc Investigação, apresentado por Thais Furlan no RecordPlus, e A Menina Que Matou os Pais, da Prime Video, que retrata o assassinato do casal Richthofen a mando da própria filha, Suzane.
De acordo com o Spotify, existem atualmente mais de 30 mil podcasts de true crime disponíveis na plataforma em todo o mundo. No Brasil, o gênero também ganhou força com dezenas de produções de destaque, entre elas Modus Operandi e Café com Crime.
Cuidado com o true crime
Nesse contexto, a psicóloga Paula Mariani afirma que vídeos breves nas redes sociais proporcionam recompensas quase imediatas para quem assiste. “[Eles] geram sensações rápidas de satisfação ou incentivam a busca por mais informações”, aponta.
Quando esse interesse passa a interferir negativamente nas relações sociais, no desempenho acadêmico ou profissional, deixa de representar uma simples curiosidade e passa a assumir características compatíveis com um padrão obsessivo
“A popularização de formatos curtos e altamente editados em redes como TikTok e Instagram, tornam as narrativas criminais mais acessíveis, atrativas e facilmente consumidas de forma rápida e repetitiva”, explica a psicóloga.
E é aí onde mora o problema. Para a criminóloga e escritora Ilana Casoy, “a violência não pode ser entretenimento, não importa a faixa etária”.
No livro Casos de Família, Ilana compartilha anotações feitas durante as investigações e o processo do julgamento dos casos Richthofen e Nardoni, muito conhecidos no país, e expõe detalhes que fazem o público despertar interesse pelo desconhecido.
Uma pista que ninguém tinha noção, o envolvimento de pessoa que ninguém conhecia, ou um detalhe específico que fez o caso ser desvendado.
Diante desse cenário, a especialista reforça a necessidade de responsabilidade na abordagem desse tipo de conteúdo. “Não ter uma linha ética preocupa”, aponta Ilana.
É importante também avaliar quando assistir a conteúdos de true crime deixa de ser apenas uma curiosidade saudável e se torna uma obsessão — que pode ser prejudicial.
Vale prestar atenção:
- Pensamentos persistentes e intrusivos;
- Dificuldade de direcionar a atenção para outras atividades;
- Aumento de sentimentos de ansiedade, medo ou angústia relacionados ao conteúdo consumido.
Quem consome true crime
Aos 26 anos, a publicitária Fabiana Sampaio conta que o interesse por conteúdos audiovisuais sobre crimes surgiu ainda na adolescência, quando costumava assistir noticiários e programas policiais com os pais.
“Cada vez mais, os jovens se identificam com as situações retratadas e pensam: ‘Poderia ser comigo ou com alguém que eu conheço’. Em uma avaliação positiva do cenário, acredito que esse interesse pode tornar as pessoas mais atentas aos sinais de alerta, principalmente em casos de violência contra a mulher e feminicídio“, conta a publicitária.
Criadora de conteúdo sobre livros, Giovanna Sanches tem 27 anos e adora assistir a documentários e filmes de true crime. Ela frisa que ‘existem materiais voltados pra chocar e glamourizar o crime’.
“É preciso alinhar o acesso de acordo com a faixa etária, porque existem casos e conteúdos que talvez não sejam interessantes de uma pessoa muito nova acessar”, alerta a influencer.
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