Fitness virou lugar de conexão: jovens estão fazendo amizades por meio do exercício
Corrida e musculação ganham nova função entre a Gen Z: além de cuidar da saúde física e mental, ajudam a criar comunidades

Melhorar o condicionamento, controlar o peso e cuidar da saúde mental sempre estiveram entre as principais razões para colocar o corpo em movimento. Agora, uma nova camada surge nessa relação: o exercício também se tornou uma forma de conhecer pessoas e encontrar uma comunidade.
Dados recentes ajudam a dimensionar esse comportamento. O Gen Z Fitness Pulse Report 2026, do The Gym Group, ouviu 2 mil jovens de 16 a 29 anos no Reino Unido e mostrou que 62% concordam que a academia é mais do que um lugar para se exercitar: é também um espaço para socializar e fazer parte de uma comunidade. Outros 57% afirmaram que a academia é um lugar onde podem criar conexões significativas.
Isso não significa que a saúde física e mental tenha deixado de ser importante. Pelo contrário. A mudança está justamente na ampliação do papel que o exercício ocupa na rotina.
O levantamento do The Gym Group, realizado em 2025, mostrou que 51% dos jovens entrevistados haviam formado novas amizades por meio do exercício.
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Mas, no mesmo estudo, 55% dos jovens colocaram a saúde mental entre os três principais motivos para praticar exercícios, enquanto 87% disseram que a atividade física melhora significativamente seu bem-estar mental.
Quando o individual abre espaço para o coletivo
A corrida é um dos exemplos mais visíveis desse movimento. Clubes e grupos transformam uma atividade tradicionalmente individual em uma experiência coletiva, com encontros presenciais e objetivos compartilhados.
O Year in Sport 2025, relatório anual do Strava, reforça essa percepção. O levantamento combina bilhões de atividades registradas na plataforma com uma pesquisa com mais de 30 mil pessoas, entre usuários e não usuários do aplicativo.
Segundo os dados, 39% mais integrantes da Gen Z do que da Gen X afirmaram usar o fitness para conhecer pessoas que compartilham seus interesses.
A expansão das comunidades esportivas também aparece nos números da plataforma. Os clubes criados no Strava quase quadruplicaram em 2025, chegando a 1 milhão. Os clubes de corrida cresceram 3,5 vezes, enquanto os eventos organizados por clubes aumentaram 1,5 vez no período.
O exercício não precisa ser o centro da vida
Essa relação mais integrada com o exercício também aparece na maneira como especialistas pensam a rotina de quem pratica esporte de forma recreativa.
Em vez de tratar o treinamento como uma atividade que precisa ocupar o centro da vida, a proposta é encontrar uma maneira de fazer com que os treinos permeiem o dia a dia organicamente.
Christian Smith, diretor técnico do The Simple RunClub, resume essa ideia ao falar sobre a relação dos corredores com a própria rotina:
“Comece da forma que for possível para a sua realidade. Você não precisa correr todos os dias e pode ajustar o treinamento com seu treinador de acordo com sua rotina. Com o tempo, a corrida passa a fazer parte da sua vida e você naturalmente começa a ajustar alguns hábitos. O objetivo é fazer a corrida coexistir com a vida que você quer ter.”
A fala reforça que a atividade física não precisa necessariamente competir com outros aspectos da vida. Ela pode se integrar à rotina e, ao mesmo tempo, criar novas oportunidades de convivência.
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