Entre montanhas e chocolate: um roteiro irresistível pela Suíça
A Suíça como o segundo país com as fábricas de chocolate mais sustentáveis do mundo
A Suíça não é apenas o cenário dos Alpes e da pontualidade, é o berço de inovações que mudaram o paladar do mundo. Foi aqui que o visionário Daniel Peter inventou o chocolate ao leite, fundindo o cacau com o leite condensado de Henri Nestlé e criando o padrão de cremosidade que hoje é universal. Em minha recente viagem para lá, fui entender como essa tradição se une a tecnologias de ponta e um compromisso rigoroso com o meio ambiente. Esta jornada revelou que o segredo do sucesso suíço reside na capacidade de transformar uma matéria-prima tropical em um símbolo de identidade nacional, e com a sustentabilidade como um dos pilares para que o país se torne pioneiro nesse assunto.
Minha locomoção entre as cidades foi uma experiência à parte. Percorri todo o roteiro de trem utilizando oSwiss Pass, que super indico para qualquer viajante. Ele oferece liberdade total para embarcar em trens, barcos e ônibus, transformando o deslocamento em um espetáculo visual. A paisagem que desfila pela janela entre picos nevados e lagos de um azul turquesa surreal é hipnotizante, e não conseguia nem piscar os olhos.
Minha primeira parada técnica foi na Halba, em Pratteln, e os números são de impressionar qualquer um. Como braço industrial do gigante grupo Coop, a Halba é hoje a fábrica de chocolate mais sustentável da Suíça e a segunda a nível mundial um reconhecimento internacional (pelo Chocolate Scorecard) que a coloca logo atrás da holandesa Tony’s Chocolonely. Mas o que isso significa na prática? Significa que as barras que saem daqui são fruto de um controle rigoroso que começa muito antes da fábrica. A empresa mantém projetos diretos em países como Equador, Gana e Honduras, onde não apenas compram o cacau, mas investem no chamado agroflorestamento dinâmico. Em vez de monoculturas que esgotam o solo, eles incentivam os agricultores a plantar cacau ao lado de árvores frutíferas e madeireiras, o que recupera a biodiversidade, combate as mudanças climáticas e garante uma renda digna para as famílias locais, combatendo o trabalho infantil na raiz.
Essa filosofia se reflete em um portfólio de produtos que vai muito além do básico. Ao caminhar pelas prateleiras (ou pela fábrica), você encontra desde as clássicas barras de 100g de chocolate ao leite extra cremoso e as intensas Noir 72%, até criações mais ousadas como as barras de Pistache Noir e as inovadoras combinações de Morango com Matcha. Eles também são famosos pelas suas “Branches” (aqueles bastões de chocolate recheados, típicos da Suíça) e pelos ovos de chocolate praliné que são febre nas Páscoas locais. Quase 90% de tudo o que produzem ostenta selos de sustentabilidade como o Fairtrade Max Havelaar ou o Bio Suisse.
Segundo Lydia Toth, responsável pela comunicação da Chocosuisse, esse compromisso não é mais um diferencial, mas um pilar inegociável. O consumidor suíço tem um dos maiores consumos per capita de chocolate do mundo e é extremamente exigente: ele quer o prazer da degustação, mas não aceita que isso esteja dissociado da responsabilidade social. Na Halba, o que comemos é o resultado de uma “felicidade responsável”, onde cada mordida apoia o reflorestamento e o comércio justo.
Basileia: a paixão pelo “bean to bar”
Seguindo a viagem, fomos até Basileia, a terceira maior cidade da Suíça, onde participei do Xocotour, um passeio pela cidade com o chocolate como protagonista.

A guia Stephanie Greiner me contou que o tour nasceu quando ela regressou à cidade e decidiu compartilhar sua paixão pelo doce com amigos. Fugindo das marcas industriais, começamos o passeio na Cidade Antiga, com uma primeira parada estratégica às margens do Rio Reno.
Ali, mergulhamos no conceito “Bean to Bar” (do grão ao tablete). Na loja Xocoalt, vimos como pequenos produtores controlam cada etapa da produção, o que exige um rigor técnico muito maior.

Durante a caminhada, visitamos a Schiesser, fundada em 1870 e uma das lojas mais antigas da cidade, onde provei o famoso bombom Kirschstängeli (com licor de cereja). O tour encerrou-se na Beschle, uma confeitaria encantadora com uma variedade incrível de chocolates e bolos artesanais. A noite na cidade foi com um jantar no Restaurant Kunsthalle e uma estadia no GAIA Hotel.
Chocolate Express: viagem sensorial aos pés dos Alpes
Já imaginou um trem dedicado inteiramente ao chocolate? O Chocolate Express parte de Berna e, em cerca de uma hora e meia, nos leva até Broc. Ao desembarcar, a experiência é mágica: o ar da cidade cheira a chocolate durante todo o caminho até a Maison Cailler, uma das fábricas mais antigas do mundo ainda em operação.
Fomos recebidas por membros da diretoria e passeamos por um tour interativo que conta a saga da família Cailler. A diretora do museu, Fleur Helmig, explicou que a região de Gruyères é o coração da tradição leiteira. Enquanto o trem serpenteia pela paisagem linda repleta de vacas pastando, entendemos o segredo: “O leite destas pastagens é o que utilizamos aqui, e é isso que torna o nosso chocolate único”, pontua Fleur.
No museu, a imersão é total, e o ponto alto foi o workshop onde me tornei um chocolatier por um dia, criando minha própria barra. Foi uma experiência incrivelmente divertida e lúdica: sob orientação técnica, pude temperar, moldar e decorar minha própria barra. Há algo de muito especial (e delicioso!) em levar para casa um chocolate feito pelas nossas próprias mãos, é o souvenir perfeito dessa imersão.
E para quem acha que a fabricação é tudo, a surpresa final fica por conta da loja da fábrica. Ela é simplesmente enorme, um verdadeiro paraíso para os chocólatras, com uma variedade que impressiona.
O charme de Gruyères
A jornada seguiu para a pitoresca vila medieval de Gruyères. Saímos da estação Broc-Fabrique em um trajeto curtíssimo de trem, levando apenas cerca de 10 minutos para chegar a esse cenário de conto de fadas.
Fiquei hospedada no acolhedor Hotel de Gruyères, de onde parti para explorar o castelo histórico que vigia a região. Mas, como boa jornalista de turismo, a gastronomia falou alto. O almoço no Chalet de Gruyères foi uma experiência autêntica, onde o famoso queijo local, com sua forte e deliciosa influência francesa, roubou a cena. É fascinante ver como o queijo e o chocolate formam o ecossistema perfeito da Suíça: ambos dependem do leite das mesmas vacas felizes que vi pela janela e carregam o mesmo selo de excelência. O encerramento oficial foi na Fondue Academy, selando uma viagem onde o luxo está nos detalhes, na pontualidade e na doçura de cada parada.
Durante

Agradecimento à Visit Switzerland pelo convite e apoio nesta viagem.
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