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Las Fallas: conheça a festa centenária que põe fogo em cidade da Espanha

Evento anual em Valência fascina turistas do mundo inteiro

Mundo pra Viver – Por Gisele Rodrigues|Gisele RodriguesOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Las Fallas é o maior evento cultural de Valência, com esculturas monumentais e forte participação popular.
  • A origem das fallas remonta aos carpinteiros que queimavam restos de madeira, evoluindo para arte e espetáculo.
  • A festa inclui tradições como a mascletà e a oferenda de flores à Virgem dos Desamparados, além de gastronomia típica como a paella.
  • No final, as fallas são queimadas na cremà, simbolizando a transitoriedade e a celebração da identidade valenciana.

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A falla da prefeitura de Valência oi inspirada em Charles Chaplin, especialmente na sua obra 'Carlitos nas Trincheiras'. O monumento incluía uma grande figura do ator como soldado, simbolizando a crítica à guerra REUTERS/Eva Manez — 19.03.2026

As Las Fallas, consideradas o maior evento cultural da cidade de Valência, na Espanha, acontecem anualmente ao longo de vários dias e encantam visitantes do mundo inteiro com suas esculturas monumentais, tradição e intensa participação popular.

Neste ano, estive presente nos primeiros dias da festa, em 14 e 15 de março, acompanhando de perto essa celebração única.


O festival foi acompanhado pela guia turística brasileira, Aline Navarro, que mora há mais de 15 anos na Espanha Gisele Rodrigues

A guia brasileira Aline Navarro, da empresa Valencasatours, e moradora há mais de 15 anos na Espanha, além de ser credenciada pelo Visit Valencia, me acompanhou durante o festival, e para que fosse possível compreender não apenas a grandiosidade das obras, mas também o profundo significado cultural por trás delas.

Segundo Aline, a origem das fallas está ligada aos carpinteiros valencianos, que antigamente queimavam restos de madeira utilizados em seus trabalhos. Muitos deles serviam como suporte para lamparinas durante o inverno.


Com o tempo, essa prática evoluiu, ganhando formas artísticas e se transformando no espetáculo que hoje atrai milhares de visitantes.

Durante os dias de festa, as próprias organizações das fallas montam tendas espalhadas pelas ruas da cidade. Esses espaços funcionam como pontos de encontro da comunidade, onde acontecem almoços, reuniões e celebrações internas, reforçando o caráter coletivo e participativo do festival.


As fallas de Valência representam a criatividade, a identidade valenciana e a arte de transformar ideias em monumentos que fazem rir, refletir… e depois renascer das cinzas Gisele Rodrigues

Ao longo da minha experiência, a missão era clara: percorrer o maior número possível de ruas para conhecer cada falla e entender o que cada uma queria transmitir.

Segundo Aline, a intenção dessas esculturas vai muito além da estética; elas expressam significados culturais, políticos e até de protesto, perceptíveis nos detalhes, nas cores e nas formas de cada monumento.


Outro aspecto marcante do festival é o seu modelo de financiamento. As fallas são organizadas pelas próprias comunidades locais, que participam ativamente tanto na arrecadação quanto na construção dos monumentos.

Durante a mascletà, são cerca de 10 minutos de fogos de artifício na praça da prefeitura de València Gisele Rodrigues

Existe ainda a atuação da Junta Central Fallera, responsável por coordenar o evento. Os recursos arrecadados, inclusive com premiações, são reinvestidos na criação das fallas do ano seguinte.

Uma das curiosidades que mais chama atenção é o custo dessas obras. As fallas maiores podem começar em torno de 100 mil euros e chegar a cifras ainda mais altas, como a vencedora deste ano, avaliada em cerca de 260 mil euros. E tudo isso para, ao final, ser consumido pelo fogo.

Dentro da programação oficial, um dos momentos mais esperados são as tradicionais mascletàs, que aconteciam diariamente às 14:00, além dos espetáculos noturnos de fogos às 23h59.

Mais do que visuais, esses shows são marcados pelo som e pela vibração que tomam conta da cidade, e inclusive as cidades ao redor de Valência que fazem parte da comunidade autônoma valenciana, que constroem suas próprias fallas também.

Momento Paquito é uma bebida recém-lançada durante a festa das Fallas, que é artesanal e combina armas de chocolate e laranja Gisele Rodrigues

Durante a mascletà, pude vivenciar de perto a emoção dos valencianos. As ruas começam a encher por volta das 13h e, quanto mais se aproxima o horário do espetáculo na Plaza del Ayuntamiento, mais pessoas se aglomeram.

Quando chega às 14h, uma densa nuvem de fumaça toma conta do céu azul de Valência. Mesmo a cerca de 300 metros, eu mal conseguia ver os fogos, mas fui completamente contagiada pela vibração do público ao meu redor.

Um dos dias mais importantes do festival é a terça-feira, 17 de março. É nessa data que acontece um dos momentos mais simbólicos da celebração: a tradicional oferenda de flores à Virgem dos Desamparados, conhecida carinhosamente como “La Cheperudeta”.

A cerimônia começa às 15h30, quando cada comissão fallera desfila levando seus próprios ramos de flores até a Plaza de la Virgen. A virgem é simbolizada na praça em uma estrutura de madeira oca, com cerca de 15 metros de altura e andaimes internos. É usada para colocar as flores, formando o manto da Virgem, confeccionado com mais de 70 mil flores, principalmente cravos brancos e vermelhos.

Em sua cidade de origem, a paella, é feita pelos moradores no chão da rua durante as Las Fallas Gisele Rodrigues

Foi também nesses cruzamentos pelas ruas, enquanto conhecia cada falla, que descobri uma novidade gastronômica que rapidamente se tornou sensação: a bebida Momento Paquito.

Trata-se de uma bebida artesanal única que combina aromas de chocolate e laranja, inspirada no legado musical de Gustavo Pascual Falcó, compositor de Paquito El Chocolatero, cuja música há décadas anima as praças da cidade.

O poder da música agora se une ao da gastronomia, celebrando momentos memoráveis com um sabor que evoca as raízes valencianas e a tradição da confeitaria artesanal.

Além disso, as ruas ganham outro aroma irresistível: a paella. Muitas organizações falleras, como já comentei, preparam suas próprias paellas em tendas e fogueiras montadas nas ruas.

Lembrando que a paella é originária de Valência e é o prato mais tradicional para experimentar durante o festival.

Eu fiquei realmente impressionada com a quantidade de paellas que são feitas ao mesmo tempo e com o aroma intenso das especiarias que se espalha por toda a cidade. Muitas famílias e grupos de amigos se reúnem para cozinhar juntos, transformando o preparo em uma verdadeira celebração comunitária.

A fallera é a representante das fallas, no caso de Beatriz ela mantém a tradição desde os 8 anos de idade Gisele Rodrigues

Durante o evento, também tive contato com uma das figuras mais emblemáticas da festa: as falleras. Cruzei com Beatriz Igora, que mantém a tradição desde os 8 anos e hoje, aos quase 50, segue participando ativamente.

Segundo ela, é comum que essa tradição comece ainda na infância, muitas vezes desde o nascimento, e que o custo da vestimenta é alto. Um vestido pode chegar a custar mais de 2 mil euros, e o penteado, a partir de 100 euros por fallera.

A falla Convento Jerusalén foi a vencedora Gisele Rodrigues

Em 2026, a grande vencedora foi a Falla Convento Jerusalén, instalada na região da Plaza de España. Realmente foi a mais impressionante que eu vi. A Falla Convento Jerusalén, vencedora da Seção Especial em 2026, contava a história intitulada “Redimonis! Quin és el teu preu?” (Redemonios! Qual é o teu preço?). A

obra explorava simbolicamente as tentações da vida moderna, dinheiro, poder, fama, juventude e sucesso, representadas por “demônios” que desafiam o ser humano a refletir sobre até que ponto vale sacrificar princípios e valores pessoais por essas conquistas.

A combinação de mensagem profunda, técnica impecável e escala monumental, além de um orçamento de cerca de 260 mil euros, garantiu o primeiro lugar na categoria mais prestigiada do festival. Com um orçamento elevado, cerca de 260 mil euros, a mais cara entre as fallas da seção especial este ano.

A cremà é o momento final da festa, onde a cidade inteira assiste o espetáculo da queima de fogos e em seguida faz a queima das faltas Gisele Rodrigues

E, para encerrar a festa, acontece a cremà, quando todas as fallas são queimadas. A programação começou nessa quinta-feira (19) às 20h com as infantis e seguiu até a queima da principal, às 23h, na Plaza del Ayuntamiento, avançando até os primeiros minutos da manhã dessa sexta-feira, 20 de março.

Para quem deseja viver essa experiência, o acesso pode ser mais simples do que parece. Saindo de Barcelona, há ônibus diretos com duração média de 4h30 a 5h, com passagens em torno de 60 euros.

Já a hospedagem exige planejamento, já que a cidade fica lotada. Ainda assim, consegui ficar no Purple Nest Hostel Valencia, a cerca de 12 minutos da Plaza del Ayuntamiento, por cerca de 30 euros a noite.

Mais do que um evento festivo, Las Fallas representam identidade, memória e expressão artística de um povo que transforma o efêmero em espetáculo, e agora, também em sabor com a bebida Momento Paquito e o aroma irresistível da paella valenciana feita na rua.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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