Cansado do efeito sanfona? A nutrição de precisão pode mudar sua forma de emagrecer
Especialista explica por que o corpo de cada pessoa responde de forma diferente e como ajustar a estratégia pode trazer resultados duradouros

Você já tentou emagrecer, conseguiu… e depois ganhou tudo de volta? Se identificou com o efeito sanfona, talvez o problema não seja falta de disciplina — mas sim estratégia.
E é aqui que entra a nutrição de precisão. Você já ouviu falar?
Essa abordagem vem ganhando espaço como uma alternativa no tratamento da obesidade — principalmente para quem sente que já tentou de tudo, mas nada funciona de forma duradoura.
Para entender melhor, conversei com a nutricionista Nicolle Albanezi, que trabalha com esse olhar mais individualizado sobre o emagrecimento.

A nutrição de precisão parte de um princípio simples, mas poderoso: cada corpo responde de um jeito. Em vez de seguir dietas padronizadas, ela busca adaptar a estratégia ao perfil biológico e clínico de cada pessoa. Isso inclui fatores como genética, microbiota intestinal, metabolismo, rotina, comportamento alimentar, sono, atividade física e histórico de saúde.
E isso ajuda a responder uma dúvida muito comum: por que duas pessoas podem seguir exatamente a mesma dieta e ter resultados completamente diferentes?
Segundo Nicolle Albanezi, o emagrecimento não depende só de “comer menos”. Ele é influenciado por uma combinação de fatores — gasto energético, saciedade, sensibilidade à insulina, composição corporal, qualidade do sono, níveis de estresse, uso de medicamentos, histórico de dietas e até a microbiota intestinal. Ou seja, não é sobre falta de força de vontade. É sobre como o seu corpo responde.
Quando falamos dos fatores biológicos, três pilares se destacam: metabolismo, genética e microbiota. O metabolismo costuma impactar mais no curto prazo, regulando fome, saciedade e o gasto de energia. A genética entra como uma base de predisposição — por exemplo, maior tendência a ganhar peso ou alterações na saciedade. Já a microbiota intestinal pode influenciar inflamação, digestão, apetite e resposta metabólica. No fim, não é um fator isolado, mas a interação entre todos eles que define os resultados.
Mas como isso tudo é avaliado?
Hoje, a nutrição de precisão pode incluir diferentes tipos de exames. Entre eles estão os testes genéticos (ou nutrigenéticos), que analisam variantes associadas a predisposições do organismo. E aqui entra um ponto importante: esses exames são bastante completos. Eles podem trazer dados sobre risco de doenças crônicas não transmissíveis, metabolismo de vitaminas e minerais, intolerâncias e sensibilidades alimentares, longevidade, capacidade de eliminação de toxinas, resposta inflamatória, doença inflamatória intestinal, saúde hormonal e até desempenho esportivo.
Na prática, são analisadas diferentes variantes genéticas que se expressam em relação a cada um desses temas. A partir dos resultados, o profissional consegue entender predisposições e trabalhar a conduta, pensando em modular positivamente essa expressão gênica.
Mas é essencial deixar claro: genética não é destino.
Ela tem impacto, sim — mas comportamento também tem. Alimentação, sono, atividade física, estresse e rotina continuam sendo determinantes. Por isso, esses exames não podem ser interpretados de forma isolada. Eles precisam ser integrados com exames de sangue, exames de imagem e, principalmente, com a história clínica do paciente.
Aliás, esse é um dos pontos mais importantes da nutrição de precisão: o entendimento do todo. E isso traz complexidade. Por isso, o acompanhamento profissional é fundamental — para organizar prioridades, definir estratégias e tratar cada aspecto por etapas. Porque, acima do resultado de qualquer exame, existe a queixa do paciente e o momento atual que ele está vivendo.
Além dos testes genéticos, também podem ser utilizados exames de microbioma intestinal. Eles avaliam a composição e o funcionamento das bactérias do intestino. Além disso, a metabolômica busca entender como o organismo está funcionando naquele momento, a partir de metabólitos ligados à energia, inflamação e estresse metabólico.
E, claro, os exames laboratoriais tradicionais continuam sendo a base de tudo — como glicemia, insulina, hemoglobina glicada, colesterol, função hepática, vitaminas, ferritina e tireoide. São eles que mostram o quadro real do paciente.
E quanto custa tudo isso?
Os valores ainda são elevados. Exames de nutrigenética e microbioma começam em torno de R$ 2.000, enquanto a metabolômica pode chegar a cerca de R$ 3.000. Muitos podem ser feitos com coleta em casa, mas a maior parte dos laboratórios ainda está concentrada em São Paulo.
Isso levanta uma questão importante: esses exames são necessários para todo mundo?
A resposta é não. Para a maioria das pessoas, o básico bem feito ainda é o que sustenta os resultados: uma boa avaliação clínica, um plano alimentar viável, acompanhamento profissional e exames laboratoriais tradicionais. Os exames mais avançados costumam ser mais úteis em casos específicos — como dificuldade persistente de emagrecimento, sintomas gastrointestinais importantes ou respostas muito fora do padrão.
E onde entra o efeito sanfona nisso tudo?
A nutrição de precisão pode ajudar a reduzir esse ciclo justamente porque diminui o erro e aumenta a adesão. Quando o plano leva em conta fome, saciedade, rotina, preferências alimentares e resposta metabólica, ele se torna mais sustentável — e isso faz toda a diferença no longo prazo.
Ela não é uma “cura” para o efeito sanfona, mas pode ser o que faltava: uma estratégia possível de manter.
E como isso se conecta com o uso das chamadas “canetas emagrecedoras”, como os análogos de GLP-1?
Segundo Nicolle Albanezi, a integração é direta. Essas medicações reduzem o apetite e a ingestão alimentar, o que exige ainda mais atenção à qualidade da dieta. É fundamental garantir proteína suficiente, hidratação, fibras na medida certa, ingestão adequada de micronutrientes e treino de força para preservar massa muscular. Além disso, muitas vezes é preciso ajustar volume, textura e distribuição das refeições por causa de sintomas como náusea e sensação de estômago cheio.
Ou seja: a medicação ajuda no controle da fome, mas a nutrição continua sendo decisiva para a qualidade do emagrecimento.
Por fim, fica um alerta importante. Existe hoje uma expectativa muito alta em torno tanto dos exames quanto das medicações. Mas nenhum deles substitui o básico. Sem um plano alimentar viável, sono adequado, manejo do estresse, atividade física e acompanhamento consistente, os resultados dificilmente se sustentam.
A nutrição de precisão não é um atalho mágico — mas pode ser uma ferramenta poderosa quando usada da forma certa: como uma camada extra de personalização em um tratamento que já tem base sólida.
E talvez essa seja a principal virada de chave: parar de buscar a dieta perfeita e começar a construir a estratégia que faz sentido para o seu corpo.
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