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Páscoa: chocolate diet ou normal, qual melhor opção para saúde?

Especialista esclarece o papel do açúcar, da gordura saturada e dos ultraprocessados na saúde metabólica

Obesidade sem Tabu|Mariana VerdelhoOpens in new window

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Muitos chocolates “zero açúcar” podem conter mais gordura saturada e aditivos para manter sabor e textura Inteligência artificial/ChatGPT.

Com a chegada da Páscoa, vem também uma dúvida muito comum — especialmente para quem vive com obesidade ou está tentando melhorar a saúde metabólica: vale mais a pena escolher chocolate zero açúcar ou o tradicional?

A resposta, como quase tudo quando falamos de nutrição, não é tão simples — e pode surpreender.


Para esclarecer esse dilema, conversei com a nutricionista Cinthia Taglieri, que explica por que focar apenas no “sem açúcar” pode ser um erro.

A nutricionista Cinthia Taglieri revela que retirar o açúcar não torna automaticamente o alimento mais saudável. ARQUIVO PESSOAL

Açúcar ou gordura: quem é o verdadeiro vilão?

Existe uma tendência de colocar o áçucar como vilão — e, de fato, ele merece atenção. Mas ele não está sozinho.


Segundo a nutricionista, quando falamos em saúde metabólica, tanto o excesso de açúcar quanto o de gordura saturada podem ser prejudiciais. O impacto depende da quantidade consumida e do padrão alimentar como um todo.

O excesso de açúcar, principalmente vindo de ultraprocessados e bebidas açucaradas, está diretamente ligado ao ganho de peso, ao acúmulo de gordura abdominal e à resistência à insulina.


Já a gordura saturada, quando consumida em excesso, especialmente em produtos industrializados, pode aumentar o colesterol LDL e o risco cardiovascular.

Ou seja, não existe um único vilão. Existe um contexto alimentar desequilibrado.


“Zero açúcar” é mais saudável mesmo?

Aqui entra um ponto importante — e pouco falado.

Produtos “zero açúcar” muitas vezes parecem automaticamente melhores. Mas nem sempre são.

De acordo com a nutricionista, muitas vezes isso pode ser mais marketing do que benefício real. O açúcar é retirado, mas entram outros ingredientes, como gorduras e aditivos, para manter sabor e textura.

Na prática, isso significa que o produto pode ter calorias semelhantes ou até maiores, além de conter mais gordura saturada, mesmo sendo percebido como uma escolha mais saudável.

Tirar o açúcar e aumentar a gordura anula o benefício?

Em muitos casos, sim — ou pelo menos reduz bastante.

Retirar o açúcar não torna automaticamente o alimento mais saudável. É preciso avaliar o rótulo, a composição e também a frequência de consumo.

Existem exceções, como algumas geleias zero açúcar que não têm adição de gordura e utilizam o dulçor da própria fruta. Mas o problema aparece quando essa troca cria uma falsa sensação de segurança alimentar.

Para quem tem obesidade: o que priorizar?

Se a dúvida é por onde começar, a resposta é mais direta.

Reduzir o consumo de açúcar é um passo importante, principalmente quando ele vem de doces, refrigerantes e ultraprocessados.

Esses alimentos facilitam o consumo excessivo de calorias, aumentam a fome e favorecem o acúmulo de gordura corporal.

Na prática, ao reduzir esses produtos, muitas vezes também ocorre uma redução na ingestão de gordura saturada, já que os ultraprocessados costumam concentrar ambos.

Adoçantes: ajudam ou atrapalham?

Os adoçantes, comuns em produtos zero açúcar, podem ser aliados quando usados com moderação.

Eles ajudam a reduzir a ingestão de açúcar e calorias, sendo úteis para quem busca emagrecimento ou controle glicêmico. No entanto, o consumo excessivo pode causar desconfortos intestinais, como gases, e possíveis alterações na microbiota.

Ou seja, não são vilões, mas também não devem ser consumidos sem limite.

E no longo prazo: quem pesa mais no risco cardiovascular?

Ambos têm impacto, mas por mecanismos diferentes.

A gordura saturada está mais diretamente associada ao aumento do colesterol LDL, um fator importante para doenças cardiovasculares.

Já o excesso de açúcar contribui de forma indireta, favorecendo o ganho de peso, a resistência à insulina, o diabetes e o aumento dos triglicérides.

No final, os dois influenciam negativamente o risco cardiovascular.

Então… chocolate diet ou normal?

Agora sim, a pergunta principal.

Se você já reduziu o consumo de açúcar, a melhor escolha não é necessariamente o chocolate diet.

A recomendação é priorizar chocolates com maior concentração de cacau, como 60% ou 70% ou mais. Esses chocolates são mais puros, possuem maior teor de antioxidantes e costumam promover mais saciedade, o que ajuda no controle das porções.

Na prática, isso significa que nem o chocolate ao leite tradicional nem o zero açúcar ultraprocessado são, isoladamente, a melhor escolha.

Existe um ponto que vale mais do que qualquer rótulo: a quantidade e a frequência dentro de uma alimentação equilibrada.

Saúde metabólica não depende de um único alimento, mas do padrão alimentar ao longo do tempo.

Antes de escolher entre diet ou normal, vale refletir:

Esse alimento é mais natural ou ultraprocessado? Qual quantidade eu realmente vou consumir? Essa escolha me traz saciedade ou me faz querer mais?

Mas, acima de tudo, vale lembrar: comida não precisa ser um lugar de culpa.

Se você vive com obesidade, já existe cobrança demais em cima das suas escolhas. A Páscoa não precisa ser mais um momento de tensão ou restrição extrema.

É possível, sim, comer chocolate com consciência, sem exageros, mas também sem culpa.

Talvez não seja sobre escolher o chocolate “perfeito”, mas sobre construir uma relação mais equilibrada com a comida — inclusive em datas como essa.

Porque saúde também passa por isso.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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