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Quer morar no exterior? Veja quais países possuem programas oficiais de incentivo

Especialistas alertam: os benefícios não substituem a necessidade de visto ou autorização de residência

Passaporte para o mundo|Carlos SilvaOpens in new window

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Incentivos para viver no exterior funcionam de forma bastante diferente do que costuma ser divulgado Foto de Magnific

Vídeos que circulam nas redes sociais costumam afirmar que alguns países “pagam milhares de dólares para qualquer pessoa se mudar”. A promessa desperta o interesse de quem sonha em viver no exterior, mas nem sempre corresponde à realidade.

Uma análise realizada pelo Passaporte para o Mundo – O Segredo dos Vistos, com base em informações de governos, órgãos oficiais de imigração e programas públicos de desenvolvimento regional, mostra que diversos incentivos realmente existem. No entanto, eles funcionam de forma bastante diferente do que costuma ser divulgado.


Na maioria dos casos, os programas foram criados para combater o despovoamento de pequenas cidades, incentivar a recuperação de imóveis abandonados, atrair trabalhadores qualificados, estimular o empreendedorismo ou promover o desenvolvimento econômico de regiões específicas. Não se trata de um pagamento livre para qualquer estrangeiro que deseje mudar de país.

Japão: incentivo para revitalizar o interior

O governo japonês mantém um programa voltado principalmente para famílias que vivem na região metropolitana de Tóquio e aceitam se mudar para municípios do interior.


Algumas cidades oferecem incentivos financeiros, que podem incluir benefícios adicionais para famílias com filhos. No entanto, cada prefeitura estabelece seus próprios critérios.

Entre as exigências mais comuns estão:


  • mudança definitiva para município participante;
  • permanência mínima na cidade;
  • exercício de atividade profissional ou abertura de empresa;
  • cumprimento das regras estabelecidas pelo governo local.

Brasileiros precisam de visto?

Para turismo, não. Já para morar ou trabalhar no Japão, é necessário obter o visto correspondente antes da mudança.


Consulta oficial:

https://www.chisou.go.jp

Irlanda: incentivo para recuperar imóveis

O programa Our Living Islands oferece apoio financeiro para compra e reforma de imóveis desocupados localizados em ilhas habitadas da Irlanda.

O benefício pode chegar a aproximadamente € 84 mil (R$ 500 mil), mas o recurso deve ser utilizado exclusivamente nas obras aprovadas pelas autoridades.

Entre os requisitos estão:

  • aquisição de imóvel elegível;
  • imóvel vazio ou abandonado;
  • aprovação do projeto de reforma;
  • utilização como residência principal ou para aluguel residencial.

Brasileiros precisam de visto?

A entrada para turismo é permitida sem visto. Para residir permanentemente, é necessária a autorização migratória correspondente.

Consulta oficial:

https://www.gov.ie

Itália: programas variam conforme a região

A Itália possui diversas iniciativas voltadas à revitalização de pequenos municípios.

Entre elas estão:

  • programas de imóveis por € 1;
  • incentivos para reformas;
  • benefícios destinados a quem decide morar em cidades com perda populacional.

Cada município define suas próprias regras, prazos e critérios de participação. Em muitos casos, os valores divulgados nas redes sociais representam o total de diferentes incentivos, e não um pagamento direto ao participante.

Brasileiros precisam de visto?

Para turismo de até 90 dias no Espaço Schengen, não. Para residência, trabalho ou permanência prolongada, sim.

Sites oficiais

https://www.provincia.tn.it

https://www.regione.sardegna.it

Chile: incentivo para startups

O conhecido Start-Up Chile não é um programa de imigração, mas uma aceleradora pública destinada a empresas inovadoras.

Os recursos são direcionados ao desenvolvimento da startup e não representam um benefício financeiro para quem deseja simplesmente morar no país.

Os principais critérios incluem:

  • projeto inovador;
  • participação em processo seletivo internacional;
  • potencial de crescimento;
  • dedicação ao programa.

Brasileiros precisam de visto?

Para turismo, não. Para empreender ou residir no Chile, é necessário cumprir as regras migratórias aplicáveis.

Site oficial

https://startupchile.org

Espanha: apoio para nômades digitais

A comunidade autônoma da Extremadura criou um programa para atrair profissionais que trabalham remotamente.

Os incentivos variam conforme o perfil do candidato e costumam exigir:

  • mudança para a região;
  • comprovação de trabalho remoto;
  • permanência mínima;
  • registro oficial de residência.

Brasileiros precisam de visto?

A entrada para turismo permanece isenta de visto por até 90 dias. Para residir trabalhando remotamente, normalmente é necessária a autorização migratória adequada, como o visto de nômade digital.

Site oficial

https://www.juntaex.es

Portugal: incentivo ao desenvolvimento do interior

Portugal mantém programas voltados ao fortalecimento econômico de regiões menos povoadas.

Um dos exemplos é o Emprego Interior MAIS, que oferece apoio financeiro para trabalhadores que aceitam oportunidades profissionais no interior do país.

O benefício não substitui o processo migratório.

Brasileiros precisam de visto?

Para turismo, não. Para morar e trabalhar, é obrigatório obter o visto correspondente.

Site oficial

https://iefponline.iefp.pt

Suíça: programa de Albinen

O município de Albinen tornou-se conhecido por oferecer incentivos financeiros para novos moradores.

Entretanto, o programa possui requisitos rigorosos, como:

  • limite de idade;
  • compra de imóvel;
  • investimento mínimo;
  • permanência por longo período;
  • autorização legal para residir na Suíça.

Sem direito de residência, o benefício não pode ser concedido.

Croácia e Grécia

Embora frequentemente apareçam em vídeos nas redes sociais, esses países não possuem programas nacionais que ofereçam dinheiro ou imóveis para qualquer estrangeiro.

Existem iniciativas municipais e regionais voltadas ao combate ao despovoamento, mas cada projeto possui regras próprias, número limitado de vagas e critérios específicos de elegibilidade.

Outros programas

A pesquisa também identificou iniciativas em outros países:

  • Estados Unidos: programas como Tulsa Remote e Ascend West Virginia oferecem incentivos para trabalhadores remotos que já possuem autorização para viver e trabalhar no país.
  • Maurício: benefícios fiscais destinados a investidores e empreendedores estrangeiros.
  • Dinamarca: programas regionais ligados à inovação e ao desenvolvimento empresarial.
  • Nova Zelândia: incentivos voltados a profissionais de áreas com escassez de mão de obra, normalmente vinculados a vistos de trabalho qualificado.

O maior equívoco

Especialistas destacam que um dos erros mais comuns é acreditar que basta viajar ao país para receber os incentivos.

Na prática, a maioria dos programas exige:

  • visto ou autorização de residência;
  • comprovação de recursos financeiros;
  • compra ou reforma de imóvel;
  • permanência mínima;
  • atividade profissional ou empresarial;
  • cumprimento da legislação migratória e tributária.

Em diversos casos, o benefício somente é liberado após o candidato comprovar que atendeu a todas as condições previstas pelo programa.

Informação oficial faz toda a diferença

Os programas de incentivo existem e podem representar oportunidades reais para quem deseja construir uma vida no exterior. No entanto, eles não eliminam a necessidade de cumprir as regras migratórias de cada país.

Antes de iniciar qualquer planejamento, a recomendação é consultar exclusivamente os órgãos oficiais responsáveis pelos programas e pela imigração, verificando os requisitos atualizados, a documentação necessária e as condições de participação. Dessa forma, é possível evitar decisões baseadas em informações incompletas ou promessas que circulam nas redes sociais.

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