Entenda por que walkie-talkies, babás eletrônicas e assistentes virtuais podem ser um perigo real
Caso em Porto Alegre com menina de 4 anos acende alerta importante sobre dispositivos eletrônicos para as crianças

Um post nas redes sociais viralizou depois que uma mãe contou que estava sentada na sala de casa em Porto Alegre quando o walkie-talkie da filha de 4 anos começou a fazer barulho sozinho.
Segundo ela, os aparelhos estavam desligados, um do lado do outro, quando beeps e uma voz masculina surgiram: “Tu sabe com quem tá falando?”. Questionado, ele respondeu: “Você está falando com o lobo cinzento.”
Nem imagino o desespero dessa mãe. Mas o que eu sei é que os lobos estão por aí mesmo e precisamos nos cuidar. Não faz uma semana que meu filho de 6 anos disse que ia pedir para o Papai Noel uma Alexa, e explicamos que seria muito cedo para ter essa responsabilidade.
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Então, reuni aqui algumas informações que podem nos ajudar na hora de tomar uma decisão sobre o uso ou não e como escolher.
Os perigos de cada dispositivo
Walkie-talkies, babás eletrônicas e assistentes virtuais podem parecer objetos inofensivos do cotidiano - e, inclusive, são muito úteis ou divertidos - mas todos são dispositivos capazes de captar, transmitir ou processar sons, imagens e informações privadas da sua casa e devem ser usados com muita consciência e supervisão.
Walkie-talkies infantis: risco de uma pessoa desconhecida se comunicar
Alguns modelos utilizam canais de rádio compartilhados e não têm mecanismos robustos para confirmar quem está do outro lado. Em determinadas condições, alguém com um aparelho compatível e próximo pode ouvir a conversa ou até falar com a criança.
Babás eletrônicas: risco da invasão da intimidade
Modelos conectados à internet permitem acompanhar o bebê pelo celular, mas falhas de segurança podem possibilitar o acesso indevido ao áudio e ao vídeo da sua casa. Isso pode expor imagens da criança dormindo, chorando, tomando banho ou sendo cuidada pelos responsáveis.
Assistentes virtuais: risco de coleta de informações e comandos indevidos
Esses dispositivos são preparados para reconhecer palavras de ativação e podem captar comandos por engano. Dependendo das configurações e do serviço, gravações e transcrições podem ser armazenadas e processadas pela empresa responsável. Crianças podem conversar espontaneamente com esses aparelhos, revelar nomes, hábitos, informações familiares e detalhes da rotina. Alguns assistentes também executam ações, fazem compras ou controlam dispositivos domésticos.
Mas e agora?
O importante é entender que nem todo dispositivo é perigoso ou que a família deva abandonar a tecnologia. O importante é ter em mente que a segurança física da criança não pode ser pensada separadamente da sua segurança digital e da sua privacidade.
Informação é ouro, por isso, sempre pesquise a reputação do fabricante, o suporte a atualizações e as políticas de privacidade antes de comprar.
Deixo aqui algumas medidas práticas que ajudam a reduzir os riscos:
- Walkie-talkies: prefira modelos com recursos de privacidade e pareamento seguro, quando disponíveis. Ensine a criança a não revelar seu nome completo, endereço, escola ou rotina a desconhecidos.
- Babás eletrônicas: troque a senha padrão, use uma senha forte e exclusiva, mantenha o aparelho atualizado e restrinja o acesso remoto a quem realmente precisa.
- Assistentes virtuais: revise as configurações de gravação e histórico, desative o microfone quando não estiver em uso e limite compras e comandos sensíveis.
Por fim, oriente sempre seu filho a suspeitar e não falar com estranhos. É importante que ele tenha ferramentas para se proteger quando necessário.
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