Saiba o que é o ‘phubbing’; ele pode estar atrapalhando o desenvolvimento do seu filho
Expressão em inglês é usada para o ato de ignorar ou deixar de prestar atenção a alguém por estar distraído no celular

O phubbing (fala-se fãbing) é a junção de duas palavras em inglês: “phone” (celular) e “snubbing” (ignorar). Ela surge para descrever toda a pessoa que ignora ou deixa de dar atenção a quem está ao seu lado porque está mexendo no celular.
Hoje em dia, essa é uma das cenas mais comuns em parquinhos, restaurantes e salas de espera. Pais mergulhados em seus celulares e crianças tentando chamar a atenção deles.
Não significa que pegar o celular na frente da criança seja errado. O problema está na frequência e, principalmente, quando o celular interrompe repetidamente momentos em que a criança busca conexão, conversa ou atenção.
Imagine a cena: seu filho acabou de fazer uma descoberta ou está tentando lidar com um sentimento novo e busca por você. Ele conta uma história que, para ele, é importante, e você está olhando no celular. Para a criança, a mensagem que fica é: “O que está acontecendo no celular é mais importante do que o que eu estou dizendo”.
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Em um post que fiz em fevereiro deste ano, antes de saber que isso já tinha até um nome, conversei com a neuropsicóloga infantil Cristina Mendes Gigliotti Borsari, coordenadora do Setor de Psicologia do Sabará Hospital Infantil, e ela me afirmou que o excesso do uso de telas ou celulares pelos pais impacta de forma significativa o desenvolvimento de seus filhos.
Deixo aqui cinco pontos que mostram como o phubbing pode estar atrapalhando o desenvolvimento do seu filho:
- Conexão emocional: crianças precisam de contato visual e resposta imediata. Quando os pais estão no celular, ela sente que não é prioridade;
- Desenvolvimento cognitivo: as interações reais (conversas, brincadeiras, expressões faciais) estimulam: linguagem, empatia, autorregulação emocional e habilidades sociais;
- Vínculo afetivo e autoestima: a presença verdadeira dos pais fortalece o apego seguro, essencial para autoestima e confiança futura;
- Formação da linguagem: estudos mostram que a qualidade do diálogo — não apenas a quantidade de palavras — é fundamental. Quando o adulto está distraído, há menos trocas verbais, menos ampliação do vocabulário e menos validação das tentativas de comunicação da criança;
- Segurança e atenção: no parquinho, na rua ou dentro de casa, a distração digital aumenta risco de acidentes.
Exemplo e mudança
Ainda segundo a neuropsicóloga infantil, a palavra é mudança. É preciso que os pais se atentem a esse comportamento do uso excessivo de celulares e queiram mudar. Crianças se espelham!
Aliás, mudanças simples na rotina já trazem um impacto imediato e criam espaços de prazer além das telas. Crie momentos livres de celular e telas, regule seu tempo de uso na frente das crianças e, quando estiver em uma atividade com elas, esteja 100% presente.
Lembre-se: quando falamos de conexão, falamos de qualidade e não de quantidade. E conexão real é fundamental para o desenvolvimento saudável das nossas crianças!
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