‘Festa do Pijama’: como saber se a criança está pronta e quais cuidados os pais devem ter
Adaptação da criança e riscos com a segurança são as maiores preocupações das famílias; veja dicas para tomar sua decisão

Desde o ano passado, os pais do colégio do meu filho e alguns amigos próximos ensaiam fazer a famosa “Festa do Pijama”.
As crianças estão com 6 ou 7 anos e ficam animadas com a ideia de explorar a casa dos amigos. Algumas delas estão acostumadas a dormir na casa de familiares, e outras, nem isso.
Confesso que o meu filho só dormiu sozinho na casa das avós. Como eu trabalho com informação e todo dia a gente vê notícias horríveis de violência por aí, me dá um friozinho na barriga pensar que algo ruim pode acontecer com ele.
Será que ele está pronto? Eu conheço essa família o suficiente? E se tiver um priminho maldoso ou um vizinho abusador? Talvez eu não esteja pronta? São dúvidas que ficam rondando a minha cabeça.
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Pense primeiro na criança
A verdade é que não existe uma idade ideal, e, sim, um momento ideal: aquele em que a sua família se sinta segura para isso.
Por exemplo: uma criança já com 10 anos pode estar superpreparada, enquanto outra da mesma idade pode ainda não se sentir confortável. E está tudo bem.
Por isso, aqui vão algumas perguntas que podem ajudá-lo a entender o momento da criança:
- Ela consegue dormir sem a presença dos pais?
- A criança já passou algumas horas ou um período maior longe da família sem sofrimento?
- Sabe pedir ajuda quando algo a incomoda?
- Tem firmeza para dizer “não” e procurar um adulto de confiança?
- Conhece razoavelmente a família e o ambiente onde vai dormir?
- Demonstra vontade própria de participar — e não apenas porque os amigos estão indo?
Pense e avalie os riscos
Quando deixamos nossos filhos na casa de terceiros, e isso inclui a nossa família, precisamos ter em mente alguns pontos e estar confortáveis com eles. Eles também podem ser alinhados com a família que irá receber a criança. Afinal, o combinado não sai caro.
A criança pode ter uma supervisão inadequada: é importante saber quem estará na casa, quais adultos estarão presentes e se haverá outros adolescentes ou pessoas que a criança não conhece. Ensine a acionar um adulto de confiança de vocês.
A criança pode não conseguir pedir ajuda: esse talvez seja um ponto muito importante. Antes da festa, os pais devem conversar sobre situações desconfortáveis e deixar claro: “Se alguma coisa acontecer e você quiser ir embora, pode me ligar a qualquer hora”.
Limite corporal: a criança precisa saber que ninguém deve obrigá-la a trocar de roupa na frente de outras pessoas, tocar em seu corpo ou pedir que ela mantenha um segredo. Isso pode ser falado de forma mais leve, sem transformar a “Festa do Pijama” em uma conversa assustadora sobre abusos.
Sono e alimentação: parece bobo ou óbvio, mas crianças cansadas, em ambiente diferente e com muita excitação podem ficar irritadas, ansiosas ou ter dificuldade para dormir. A família anfitriã também precisa conhecer alergias, medicamentos e restrições alimentares.
Celular e conteúdo inadequado: se crianças maiores estiverem com celulares ou outros dispositivos, vale combinar previamente regras sobre vídeos, jogos, redes sociais, fotografias e exposição da imagem das crianças dormindo.
Agora, pense em você
Às vezes a criança está pronta, mas os pais não estão. E isso rende uma reflexão muito boa: deixar a criança dormir na casa de amigos é um exercício de pura confiança.
Você precisa confiar na criança, confiar na família que a está recebendo e aceitar que os filhos começam, aos poucos, a viver experiências sem a nossa presença.
Nas minhas buscas, achei um vídeo da atriz Daniele Suzuki sobre “Festas do Pijama”. No post, ela narra diversas situações assustadoras de violência sexual contra crianças neste contexto. Ela também traz um dado importante: essas situações acontecem sempre com pessoas próximas das famílias.
Em um primeiro momento, fiquei paralisada. Você precisa desconfiar de todo mundo? A resposta é sim! Nós precisamos nos cercar de muita certeza, seguir dicas de segurança, conversar e proporcionar ferramentas para que as crianças reconheçam e saibam reagir em situações de perigo, mas não podemos privá-las de viver experiências divertidas e importantes com os amigos.
Se seguirmos essa lógica do medo, não sairemos mais na rua! Ninguém pode crescer e se desenvolver de forma saudável em um ambiente de desconfiança.
Então, respire fundo, prepare a criança, faça combinados com os outros pais e deixe-a aproveitar o melhor da infância, que é curtir os amigos e descobrir o mundo!
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