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Tempinho Juntos: Dicas de Ingrid Alfaya - R7
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Estudo diz que adultos têm duas lembranças da infância determinantes para serem felizes; saiba quais

Pesquisa com mais de 22 mil pessoas encontrou associação entre boas memórias e indicadores de bem-estar anos depois

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A memória de ser tratado com carinho é uma delas Imagem gerada por IA/ChatGPT

Existe uma pergunta que parece simples, mas talvez diga muito sobre a infância que tivemos: quando você pensa nos seus pais, qual é a primeira lembrança que vem à cabeça?

Pode ser uma cena banal ou um colo depois de um tombo. Um pai segurando a sua mão forte durante um momento de medo. Uma mãe que escutou atenta uma história que, para qualquer outro adulto, parecia sem importância.

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É justamente esse tipo de lembrança que ajuda a explicar uma descoberta interessante da psicologia: a maneira como adultos se lembram do cuidado recebido na infância está associada a aspectos da sua saúde física e emocional.

Um estudo publicado na revista científica Health Psychology acompanhou dois grandes grupos de adultos nos Estados Unidos.

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Ao todo, foram mais de 22 mil participantes. Um dos grupos, com 7.108 pessoas, foi acompanhado por 18 anos; o outro, com 15.234 participantes, por seis anos.

Os pesquisadores queriam descobrir se as lembranças que essas pessoas tinham do relacionamento com seus pais antes dos 18 anos estavam relacionadas a mudanças posteriores na saúde e nos sintomas de depressão.

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E, durante a pesquisa, apareceram dois elementos importantes:

  1. A lembrança de ter sido tratado com carinho pelos pais

Pessoas que se lembravam de receber mais carinho e afeto durante a infância apresentaram, ao longo do acompanhamento, melhor avaliação da própria saúde e menos sintomas depressivos.

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Não significa que essas pessoas tenham tido uma infância perfeita. Nem mesmo que uma mãe carinhosa seja capaz, sozinha, de determinar o futuro de um filho.

O que a pesquisa encontrou foi uma associação: quanto mais positivas eram as lembranças relacionadas ao cuidado e ao afeto materno, melhores se mostravam alguns indicadores de saúde e bem-estar décadas depois.

  1. A lembrança de ter contado com o apoio dos pais

O segundo elemento aparece nas lembranças relacionadas ao apoio e ao afeto paterno. As pessoas que relatavam ter recebido mais apoio do pai também apresentavam menos sintomas depressivos. No segundo conjunto de dados, essas lembranças estiveram ainda associadas a uma melhor avaliação da saúde física.

Ou seja, não estamos falando de pais que necessariamente fizeram grandes coisas. A pesquisa aponta para algo muito mais cotidiano: a percepção de que havia um adulto disponível, cuidadoso e afetivamente presente.

A memória que fica não precisa ser extraordinária

E talvez aqui esteja a parte mais interessante para quem tem filhos. Inclusive, já falei algumas vezes disso no blog.

É comum imaginar que uma boa infância precisa ser construída com grandes experiências, como viagens, festas, presentes, restaurantes, passeios e fotografias perfeitas.

Mas as pesquisas sobre memória autobiográfica contam uma história mais complexa. O que parece permanecer não é apenas o que aconteceu, mas também como a criança se sentiu dentro daquela relação.

Explico. Uma criança pode não guardar todos os detalhes de uma viagem em família. Mas pode guardar a sensação de ter sido acolhida quando ficou com medo. Pode não saber explicar, décadas depois, o que sua mãe disse em determinado dia, mas conservar a lembrança de que, quando estava triste, havia alguém que a abraçava.

Vale ressaltar que essas lembranças nos ajudam a formar uma espécie de narrativa sobre quem somos e sobre o que podemos esperar das relações.

Já dizia Lya Luft: a infância é um chão que pisamos a vida inteira!

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