Reviravolta sobre crianças desaparecidas choca após 7 meses
A mãe das crianças desaparecidas de Bacabal no Maranhão revelou novas descobertas no caso após sete meses
Bebê Mamãe|Do R7

A mãe das crianças que desapareceram em Bacabal no Maranhão relatou o que sua advogada descobriu sobre o caso. A mãe Clarice Cardoso passou a ter há alguns meses o apoio do seu empresário Jeferson Andrade na busca pelos seus filhos Ágatha Isabelle, seis anos, e Alan Michael, quatro anos.
As crianças desapareceram há mais de sete meses em Bacabal no Maranhão. O empresário de Clarice, Jeferson, então contratou a advogada criminalista Nathaly Moraes para investigar o caso e buscar maiores respostas das autoridades sobre como está a procura pelos pequenos.
Os irmãos Ágatha Isabelle e Alan Michael desapareceram no dia 4 de janeiro enquanto brincavam com seu primo Anderson Kauã, oito anos. Somente Anderson Kauã foi encontrado com vida três dias depois. Atualmente, Anderson Kauã está bem e vivendo com os pais. Nenhum vestígio dos dois irmãos foi achado, apesar de uma busca intensa na floresta e nos rios da região que contou com a participação de mais de mil pessoas, entre policiais, bombeiros, exército e voluntários.
Descoberta sobre as buscas pelas crianças desaparecidas de Bacabal
Na última terça-feira (18), Clarice Cardoso e sua advogada Nathaly Moraes falaram ao público sobre o que a advogada descobriu. Clarice começou dizendo que sua advogada descobriu que o caso de seus filhos não estava sendo investigado pelas autoridades.
Clarice disse: “Hoje pela manhã eu já acordei com a mensagem da Dra. Nathaly que tinha me enviado um áudio. E começou falando que eles não tavam procurando né? Porque toda vez que eu mandava mensagem não tinham respostas para me dar. E hoje tá aparecendo toda a verdade. A verdade tá sendo toda esclarecida que meus filhos não foram encontrados porque eles não estavam procurando!”.
A mãe das crianças de Bacabal ainda desabafou dizendo: “Eu já chorei bastante hoje porque eu confiei, confiei neles né? Talvez é porque eu não tenho condição de pagar um advogado, eu moro em uma comunidade… Eu toda vez ia na delegacia procurar respostas e eles diziam que não tinham, mas que tavam investigando e não estavam!”.
Clarice continuou: “Eu fui em São Luís também, disseram que estavam investigando, mas que não tinham nenhuma resposta ainda. Mentindo para mim! porque eles não tavam investigando. As investigações estavam sendo só quando eles estavam dentro da comunidade, ali eu vi que eles estavam procurando, que a população estava ajudando a procurar. Mas fora isso, nada disso foi feito. E meus filhos era para tá comigo já se eles estivessem procurando, mas eles não procuraram! Eles não procuraram!”.
Advogada aponta o que não teria sido feito na busca pelas crianças
A advogada criminalista contratada por Clarice Cardoso, Nathaly Moraes, pontuou o que não foi feito nas buscas pelas crianças Ágatha Isabelle e Alan Michael. “Infelizmente essa é a verdade, a transparência tem que acontecer sempre. E as crianças não foram encontradas porque de fato elas não foram procuradas. Houve a busca sim no local, as autoridades se uniram naquele momento, mas posteriormente nada!”, ela começou dizendo.
A advogada continuou: “Essas crianças estão sem documentos, documentos ficaram em posse da mãe. Sabe quantas vezes foi levantado as crianças que foram registradas de forma tardia? Nenhuma! Essa informação não foi levantada! Informação das pousadas, dos carros que estiveram durante período, não foi levantado! as informações passadas pela mãe de pessoas que tiveram contato, foram levantadas? Não!”.
A advogada ainda falou sobre a distância entre o local onde os cães farejadores sentiram o cheiro das crianças pela última vez. “Outras pessoas que foram colocadas como que poderiam ter feito esse transporte, essa transferência, não foram levantadas. A distância do quilombo até o local onde uma das crianças foi encontrada. E o local do rio onde os cães farejadores encontraram o cheiro dessas crianças é muito grande! Como essas crianças chegaram até lá? Tinha alguém que conhecia a área para levar essas crianças. Quem? Conversou com pescadores? Onde está depoimento dos pescadores?”.
“Onde está a lista de pessoas que acessaram as pousadas da região durante esses dias? Cadê? Ai fica com conversinha com Clarice. Ai fala: não, não temos informação. Claro que não tem informação se não está procurando! Isso é um assunto sério, não é brincadeira não”, disse a advogada.
A Dra. Nathaly Moraes questiona até mesmo a versão de alguns dos investigadores de que as crianças poderiam ter falecido. “Ficaram falando: ahhh as crianças podem ter morrido. Mas levantaram o número de atestados de óbitos de crianças não identificadas neste período? Não! Manda diligência para a delegacia, a delegacia responde? Nem a defensoria, que solicitou após cinco meses do desaparecimento os autos, nunca teve nem acesso aos autos! O que tá nesses autos? Qual a verdade que as autoridades escondem?”.
A advogada ainda concluiu afirmando que irá realizar uma denúncia. “E eu deixo um recado bem claro: nós vamos denunciar o Brasil sim a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Porque aqui dentro do estado nós não estamos resolvendo, nacionalmente nós não estamos resolvendo. É isso porque senão não vamos ter respostas, essa mãe vai ficar no sofrimento indefinido enquanto aguarda”.

















