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NEXZ, Hwasa e Stray Kids: o dia em que a Cidade do Rock falou coreano

Do aquecimento com a caça aos brindes à estreia histórica de NEXZ, Hwasa e Stray Kids no Palco Mundo, o primeiro dia dedicado ao gênero provou que os fãs foram os grandes protagonistas do evento

Aqui na Coreia|Marina BarrosOpens in new window e Milena AraujoOpens in new window

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Loja da Cup Noodles na Global Village no Rock in Rio, na sexta (12). Foto: Marina Barros

Se você achava que o K-pop ia ficar restrito ao setlist do Palco Mundo, a última sexta-feira (11) provou o contrário. Na estreia do gênero entre as principais atrações da história do Rock in Rio, a Cidade do Rock não apenas assistiu aos shows, mas foi totalmente redesenhada pela energia dos fãs — dos looks conceituais inspirados em figurinos de mvs (music videos) aos concorridos lightsticks, que transformaram a pista em um espetáculo de iluminação própria.

A nossa maratona começou cedo a convite da Cup Noodles, entendendo de perto como a rotina de um festival gigante se mistura com a sobrevivência do público. Entre uma ativação e outra, a praticidade virou regra de ouro: “em três minutos, com água quente, você pega e sai andando”, resumiu Danielle Ximenes, gerente de marca da Cup Noodles, sobre a presença da marca que virou o porto seguro de quem não queria perder um minuto sequer da fila ou do rolê.


Aquecimento, filas e a febre dos brindes

Antes mesmo de qualquer som ecoar no Palco Mundo, a Cidade do Rock já vivia em outro ritmo. Espalhados pelo local, os espaços de ativação das marcas funcionavam como pontos de encontro e um verdadeiro aquecimento emocional.

O grande termômetro disso foi a “caça ao tesouro” corporativa: com mais de 100 espaços distribuídos pelo evento e a promessa de 1 milhão de brindes ao longo dos sete dias, itens como mini câmeras digitais, leques personalizados e pochetes viraram artigos de primeira necessidade. Para o fã de K-pop, montar um cronograma cirúrgico para garantir o item exclusivo da vez deu tanto trabalho — e gerou tanta comemoração — quanto disputar a grade para ver o ídolo de perto.


Do cronograma histórico ao delírio no Palco Mundo

A invasão sonora começou cedo e com o peso característico das grandes produções sul-coreanas. Às 16h40, os meninos do NEXZ abriram os trabalhos no Palco Mundo com sua primeira apresentação oficial no Brasil. Esbanjando sincronia e uma precisão cirúrgica nos passos de dança, o grupo novato impressionou pelo domínio de palco, vocais firmes mesmo durante as coreografias mais exigentes e pela empolgação ao ouvir os primeiros fanchants (coros sincronizados dos fãs) ecoarem pelo festival.

Hwasa no telão do palco Mundo, sexta (12). Marina Barros

Em seguida, foi a vez de Hwasa assumir os holofotes às 19h, entregando uma performance hipnotizante em sua estreia em solo brasileiro. Conhecida por quebrar padrões na indústria sul-coreana, a cantora dominou a estrutura com uma presença de palco magnética, vocais potentes e uma banda ao vivo que trouxe ainda mais corpo aos seus arranjos.


O setlist foi recheado de hits como Twit e Maria, além de momentos em que esbanjou sensualidade, carisma e uma conexão profunda com a plateia.

Em um dos pontos altos do show, brincou com o público e arrancou gargalhadas e gritos:


“Eu tenho 3 nomes: Hwasa, Hyejin e Maria. Ouvi dizer que aqui no Brasil tem muitas Marias. Maria? Maria?”

(Hwasa brinca.)

Embora a agenda tenha aberto espaço para outras vertentes — com passagens de peso do Jamiroquai no Palco Sunset, além de nomes como MC Cabelinho, MC Carol e as batidas da New Dance Order —, o eixo gravitacional daquele dia era inegavelmente sul-coreano.

Telão do palco Mundo iluminado para o show do Stray Kids, sexta (12). Marina Barros

O ápice, no entanto, veio com o Stray Kids. Diante de uma multidão estimada em 100 mil pessoas, os oito integrantes transformaram a passarela ampliada do Palco Mundo em uma extensão da pista. Desde a introdução com telões de alta definição, pirotecnia e uma produção visual cinematográfica, o grupo manteve a energia no nível máximo do início ao fim.

A performance combinou o rap veloz e agressivo da rap line com vocais cristalinos, tudo sustentado por uma execução impecável de coreografias complexas. Cada integrante teve seu momento de brilhar nos solos e interações com a plateia, arriscando diversas frases em português e agradecendo o carinho do público brasileiro.

Para coroar a noite, o Stray Kids ainda guardou um presente para a memória afetiva nacional: um trecho de “Ai, se eu te pego”, de Michel Teló, cantado à capela e acompanhado por uma dancinha que fez a Cidade do Rock vir abaixo em um coro uníssono.

No fim da noite, ficou a lição de casa para a própria organização do festival: quando o K-pop aterrissa na Cidade do Rock, o show deixa de ser um espetáculo unilateral de palco para virar uma construção coletiva, pulsante e imersiva do fandom. E esperamos que este seja apenas o primeiro capítulo de muitos outros grupos e artistas do gênero nos palcos dos festivais brasileiros.

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