Mais que K-pop: como líder do BTS inspirou um clube do livro com mais de 25 mil seguidores
Hábitos de leitura de RM (Kim Namjoon) motivaram a criação do Namjoon Book Club, que reúne mais de mil participantes

Amêndoas (Sohn Won-pyung), Queria Morrer, mas no Céu Não Tem Tteokbokki (Baek Se-hee) e Kafka à Beira-Mar (Haruki Murakami) são apenas alguns dos livros lidos e recomendados por RM, rapper e líder do grupo sul-coreano BTS. Foi pensando nesse lado do artista que surgiu o Namjoon Book Club.
A trajetória do cantor com a escrita remonta aos tempos em que ele participava de batalhas de rima no cenário underground do rap sul-coreano. Inspirado pela poesia desde muito cedo, RM usou o começo da vida adulta para amadurecer seus sentimentos, trocando versos cheios de raiva por canções reflexivas sobre suas vivências.
Os hábitos dele são um espelho dessa mudança. Conhecido por ser um leitor voraz, o líder do BTS recomenda novas obras sempre que pode. Agora, centenas de fãs brasileiros se reúnem todo fim de mês para debater temas que passaram pelas mãos dele e, agora, pelas das ARMYs.
Segundo o idealizador do projeto, o isolamento durante a pandemia foi o grande motor para a criação do clube.
Começou durante a pandemia de COVID-19, quando eu, Pedro, tive acesso à lista de livros lidos pelo Namjoon e me interessei em ler também, visto que eram textos bem diferentes do que eu já consumia (...). Assim, considerando a solidão que eu sentia no período de isolamento social, convidei duas amigas para criar e administrar um clube virtual que leria somente as indicações do Namjoon e dos outros membros do BTS.
Em atividade há seis anos, a equipe do projeto mudou e cresceu: hoje são seis pessoas divididas entre administração de redes sociais, edição de vídeo e mediação dos encontros. Desde 2020, já foram quase 50 obras lidas — atualmente, o catálogo também inclui escolhas de outros integrantes do grupo. No mês de agosto, o título selecionado foi A Pequena Loja dos Grandes Milagres (Keigo Higashino), indicação da biblioteca de Jin (Kim Seokjin).
O Namjoon sempre foi um artista que nos inspirou por demonstrar ser um leitor assíduo, postando trechos das obras que estava lendo nas redes sociais e compartilhando opiniões em transmissões ao vivo.
Essas referências se refletem diretamente na música. Indigo (2022) e Right Place, Wrong Person (2024), dois trabalhos solos do cantor, se destacam por serem bastante distintos do período em que ele se apresentava como Rap Monster.
Talvez seja esse refúgio em meio ao caos que leva centenas de fãs a se reunirem mensalmente. Ao todo, são mais de 1.600 participantes no grupo do Telegram do projeto; todas ARMYs que enxergam no líder e no restante do BTS uma inspiração para um novo hobby.
As integrantes — em grande maioria mulheres (assim como o próprio fandom) — se conectam com a cultura sul-coreana e asiática por um novo olhar. É nas palavras e nos conceitos de autores que compartilham dores e vivências com seus idols favoritos que o público encontra outro ponto de descanso e identificação.
Já lemos vários livros de autores coreanos, como Han Kang, Cho Nam-joo e Kim Su-hyun, que abordam bastante seus contextos sociais, o que proporciona aos participantes um conhecimento sobre a Coreia do Sul que vai muito além do K-pop.
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