Logo R7.com
RecordPlus

Muito além da música: como o K-pop salvou os CDs da extinção

De photocards a conceitos visuais únicos, entenda como os grupos sul-coreanos ressignificam as mídias físicas

Aqui na Coreia|Marina BarrosOpens in new window e Milena AraujoOpens in new window

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O K-pop revitalizou o mercado de CDs, mesmo com o domínio dos serviços de streaming.
  • Grupos como BTS e ATEEZ vendem milhões de cópias físicas, oferecendo itens colecionáveis e experiências visuais únicas.
  • Os lançamentos de K-pop incluem brindes exclusivos, como photobooks e photocards, que não estão disponíveis digitalmente.
  • A estratégia visual e conceitual dos grupos de K-pop cria uma conexão emocional com os fãs, impulsionando as vendas físicas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Coleção de álbuns de k-pop Beatriz Cuin

O ano é 2005 e Confessions on a Dance Floor, da Madonna, está em todos os lugares — e não é para menos. A faixa Hung Up, um dos maiores sucessos do álbum, é a que mais toca no rádio enquanto você vai para o trabalho ou para a faculdade, mas, se quiser ouvir sem depender do Top 10 da estação da sua cidade, precisa comprar um CD.

No fim, Confessions on a Dance Floor vendeu mais de 10 milhões de cópias em todo o mundo, e sua compra fez parte de uma cadeia global que ajudou a sustentar o mercado musical por décadas. Mas o cenário mudou.


Com aplicativos de streaming de sobra, você não precisa mais adquirir um disco para ouvir seus hits favoritos: basta pagar uma assinatura e pronto; um catálogo de centenas de milhares de canções fica disponível com apenas um clique. E aquele seu Confessions on a Dance Floor vai ficar pegando poeira na estante pelos próximos 20 anos.

Nas últimas décadas, pouquíssimos artistas ocidentais conseguiram vender, sequer, 1 milhão de cópias. As plataformas digitais viraram regra e as turnês se tornaram a maior fonte de renda de boa parte dos músicos por aqui.


Mas as coisas mudaram. Na verdade, estão mudando.

O renascimento dos CDs

ARIRANG, o novo álbum do BTS, vendeu mais de 4 milhões de cópias nos primeiros sete dias de lançamento. Foi a maior semana de vendas para um grupo musical na Billboard em mais de uma década. E isso não é um evento isolado: o ATEEZ já ultrapassou a marca de 11 milhões de discos físicos vendidos em todo o mundo.


Álbum do Ateez Beatriz Cuin

Não faz nem dez anos que a imprensa noticiava o fim do CD e a morte da mídia física — e agora, estamos falando do seu renascimento. Só no primeiro semestre deste ano, o volume de vendas teve um aumento de 16%, e o K-pop é um dos grandes motores dessa mudança.

O mercado fonográfico coreano conseguiu ressignificar a mídia de uma forma que a indústria ocidental ainda engatinha para acompanhar: o item físico representa mais do que a oportunidade de ouvir a faixa, ele é uma memória palpável do seu artista favorito.


Os lançamentos de K-pop não são simplesmente um CD. Os fãs que, no Brasil, chegam a desembolsar R$ 200 por unidade, recebem diversos brindes: photobooks com ensaios do grupo, chaveiros, figurinhas, brinquedos e os tão sonhados photocards — cards de foto com selfies exclusivas.

Tudo isso é colecionável e não dá para comprar pelos meios oficiais separadamente: se quer a revista com todas as fotos, precisa adquirir o produto completo. Além disso, essas imagens não ficam disponíveis digitalmente de forma oficial. Os photocards são a única forma de ter o registro na verdadeira resolução — na internet, é tudo foto da foto, sem a mesma qualidade.

Photocards Milena Araújo

Visuais marcantes e clipes de arrepiar

Mas isso só se sustenta porque os grupos de K-pop trabalham com conceitos visuais. Diferente da mídia ocidental, os boygroups, girlgroups e solistas asiáticos são engajados, muitas vezes, em storylines consistentes e um conceito de imagem muito bem estabelecido — quase como um verdadeiro ensaio fotográfico de uma revista famosa. E isso se repete nos music videos: muitas selfies dos photocards são tiradas com os figurinos e nos cenários dos clipes.

Afinal, os vídeos só morreram no Ocidente! No mercado asiático, eles ainda carregam peso e os artistas investem muito em uma estética marcante — mas isso é matéria para outro dia.

Os artistas criam um significado por trás daquele projeto e colocam até hidden tracks (faixas que só podem ser escutadas nas versões físicas). Come Over, do BTS, só ficou disponível nos streamings mais de seis meses após o lançamento do disco; mas quem tinha a versão física em casa ouviu em primeira mão. TXT, Stray Kids e LOONA também já usaram hidden tracks em diferentes trabalhos.

Grupos como BTS, ATEEZ, ENHYPEN e TWICE fazem coisas que o mercado ocidental já considerava mortas: levam multidões aos estádios e fazem clipes de arrepiar. Tudo isso cria uma legião fiel de fãs e, no fim, eles vendem discos como água.

No Brasil, onde o acesso ainda é limitado, o público compra mídias de fora e importa itens da Coreia do Sul e dos Estados Unidos. Tudo para ter uma lembrança física do artista que move o seu dia a dia.

Ponto de venda do álbum "The Life of a Showgirl" de Taylor Swift, na Target em Watertown, MA em 5 de outubro, 2025. Jason Bergman/Sipa USA - Reuters

O mercado asiático sempre foi esperto em reviver e recriar tendências, dando novos significados para aquilo que deveria ter falhado. O Ocidente ainda engatinha. Taylor Swift, um dos maiores fenômenos dessa geração, fez a lição de casa e The Life of a Showgirl vendeu 2,7 milhões de unidades só no primeiro dia — um visual marcante, versões diferentes e colecionáveis.

No fim, o K-pop é um dos mercados musicais mais lucrativos do mundo e entrega aos fãs experiências personalizadas, nas quais faz sentido ter uma lembrança de um trabalho de que você gosta muito. É a conexão com o seu artista favorito, a cultura dele e uma memória calorosa de tudo que essa canção representa na estante da sua casa.

Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.