Muito além da música: como o K-pop salvou os CDs da extinção
De photocards a conceitos visuais únicos, entenda como os grupos sul-coreanos ressignificam as mídias físicas
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O ano é 2005 e Confessions on a Dance Floor, da Madonna, está em todos os lugares — e não é para menos. A faixa Hung Up, um dos maiores sucessos do álbum, é a que mais toca no rádio enquanto você vai para o trabalho ou para a faculdade, mas, se quiser ouvir sem depender do Top 10 da estação da sua cidade, precisa comprar um CD.
No fim, Confessions on a Dance Floor vendeu mais de 10 milhões de cópias em todo o mundo, e sua compra fez parte de uma cadeia global que ajudou a sustentar o mercado musical por décadas. Mas o cenário mudou.
Com aplicativos de streaming de sobra, você não precisa mais adquirir um disco para ouvir seus hits favoritos: basta pagar uma assinatura e pronto; um catálogo de centenas de milhares de canções fica disponível com apenas um clique. E aquele seu Confessions on a Dance Floor vai ficar pegando poeira na estante pelos próximos 20 anos.
Nas últimas décadas, pouquíssimos artistas ocidentais conseguiram vender, sequer, 1 milhão de cópias. As plataformas digitais viraram regra e as turnês se tornaram a maior fonte de renda de boa parte dos músicos por aqui.
Mas as coisas mudaram. Na verdade, estão mudando.
O renascimento dos CDs
ARIRANG, o novo álbum do BTS, vendeu mais de 4 milhões de cópias nos primeiros sete dias de lançamento. Foi a maior semana de vendas para um grupo musical na Billboard em mais de uma década. E isso não é um evento isolado: o ATEEZ já ultrapassou a marca de 11 milhões de discos físicos vendidos em todo o mundo.

Não faz nem dez anos que a imprensa noticiava o fim do CD e a morte da mídia física — e agora, estamos falando do seu renascimento. Só no primeiro semestre deste ano, o volume de vendas teve um aumento de 16%, e o K-pop é um dos grandes motores dessa mudança.
O mercado fonográfico coreano conseguiu ressignificar a mídia de uma forma que a indústria ocidental ainda engatinha para acompanhar: o item físico representa mais do que a oportunidade de ouvir a faixa, ele é uma memória palpável do seu artista favorito.
Os lançamentos de K-pop não são simplesmente um CD. Os fãs que, no Brasil, chegam a desembolsar R$ 200 por unidade, recebem diversos brindes: photobooks com ensaios do grupo, chaveiros, figurinhas, brinquedos e os tão sonhados photocards — cards de foto com selfies exclusivas.
Tudo isso é colecionável e não dá para comprar pelos meios oficiais separadamente: se quer a revista com todas as fotos, precisa adquirir o produto completo. Além disso, essas imagens não ficam disponíveis digitalmente de forma oficial. Os photocards são a única forma de ter o registro na verdadeira resolução — na internet, é tudo foto da foto, sem a mesma qualidade.

Visuais marcantes e clipes de arrepiar
Mas isso só se sustenta porque os grupos de K-pop trabalham com conceitos visuais. Diferente da mídia ocidental, os boygroups, girlgroups e solistas asiáticos são engajados, muitas vezes, em storylines consistentes e um conceito de imagem muito bem estabelecido — quase como um verdadeiro ensaio fotográfico de uma revista famosa. E isso se repete nos music videos: muitas selfies dos photocards são tiradas com os figurinos e nos cenários dos clipes.
Afinal, os vídeos só morreram no Ocidente! No mercado asiático, eles ainda carregam peso e os artistas investem muito em uma estética marcante — mas isso é matéria para outro dia.
Os artistas criam um significado por trás daquele projeto e colocam até hidden tracks (faixas que só podem ser escutadas nas versões físicas). Come Over, do BTS, só ficou disponível nos streamings mais de seis meses após o lançamento do disco; mas quem tinha a versão física em casa ouviu em primeira mão. TXT, Stray Kids e LOONA também já usaram hidden tracks em diferentes trabalhos.
Grupos como BTS, ATEEZ, ENHYPEN e TWICE fazem coisas que o mercado ocidental já considerava mortas: levam multidões aos estádios e fazem clipes de arrepiar. Tudo isso cria uma legião fiel de fãs e, no fim, eles vendem discos como água.
No Brasil, onde o acesso ainda é limitado, o público compra mídias de fora e importa itens da Coreia do Sul e dos Estados Unidos. Tudo para ter uma lembrança física do artista que move o seu dia a dia.
O mercado asiático sempre foi esperto em reviver e recriar tendências, dando novos significados para aquilo que deveria ter falhado. O Ocidente ainda engatinha. Taylor Swift, um dos maiores fenômenos dessa geração, fez a lição de casa e The Life of a Showgirl vendeu 2,7 milhões de unidades só no primeiro dia — um visual marcante, versões diferentes e colecionáveis.
No fim, o K-pop é um dos mercados musicais mais lucrativos do mundo e entrega aos fãs experiências personalizadas, nas quais faz sentido ter uma lembrança de um trabalho de que você gosta muito. É a conexão com o seu artista favorito, a cultura dele e uma memória calorosa de tudo que essa canção representa na estante da sua casa.
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