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‘A música organiza coisas dentro de mim’: artistas autistas falam sobre criatividade e desafios

Dia do Orgulho Autista é comemorad; nesta quinta-feira (18); Bea Duarte e Heitor Werneck falaram sobre seus desafios à coluna

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Dia do Orgulho Autista, celebrado em 18 de junho, promove a valorização da neurodiversidade e a aceitação das pessoas autistas na sociedade.
  • Artistas como Bea Duarte e Heitor Werneck destacam a música como uma forma essencial de comunicação e expressão emocional para pessoas autistas.
  • Apesar dos benefícios, artistas autistas enfrentam desafios na indústria musical, como ambientes sensoriais intensos e a necessidade de interações sociais.
  • A inclusão e a visibilidade de artistas neurodivergentes estão crescendo, mas ainda há necessidade de mais estrutura e entendimento no mercado musical.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Fotos: Divulgação Fotos: Divulgação

Celebrado em 18 de junho, o Dia do Orgulho Autista é uma data dedicada à valorização da neurodiversidade e ao reconhecimento das diferentes formas de perceber e interagir com o mundo.

Mais do que uma campanha de conscientização, o movimento busca fortalecer a aceitação das pessoas autistas em todos os espaços da sociedade, incluindo a cultura, a educação e o mercado de trabalho.


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No universo da música, essa discussão ganha ainda mais relevância, já que muitos artistas encontram na arte uma forma única de comunicação, expressão emocional e conexão com o público.

A relação entre autismo e música tem sido objeto de estudos científicos há décadas. Pesquisas apontam que a música pode auxiliar na organização emocional, no desenvolvimento da comunicação e na redução da ansiedade.


Para muitas pessoas dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), ela representa uma linguagem capaz de traduzir sentimentos que nem sempre conseguem ser expressos verbalmente.

A cantora e compositora Bea Duarte é um exemplo de como a música pode desempenhar esse papel transformador. Em entrevista concedida especialmente para esta reportagem, ela explica que sua condição influenciou profundamente sua trajetória artística.


“Ele influenciou totalmente a forma como eu me conecto com a música. Muitas vezes eu sinto que a música organiza coisas dentro de mim que eu não conseguia entender ou explicar. Foi assim que fui entendendo também minha identidade artística”, afirma.

A percepção aguçada de sons, emoções e detalhes também se tornou uma ferramenta importante em seu processo criativo. Segundo Bea, determinadas experiências auditivas despertam imagens, histórias e sentimentos específicos que acabam sendo transformados em canções.


“Eu percebo muito detalhe em sons e emoções. Isso acaba virando inspiração, porque às vezes eu escuto uma coisa e aquilo já me desperta uma imagem, uma história ou um sentimento muito específico”, conta.

Essa sensibilidade ampliada aparece com frequência nos relatos de artistas autistas. Em alguns casos, ela pode contribuir para uma compreensão mais profunda de nuances musicais, timbres e construções emocionais presentes nas obras.

Outro nome que compartilha essa relação intensa entre arte e neurodiversidade é o artista e produtor cultural Heitor Werneck. Diagnosticado com autismo e também com síndrome de Savant, condição caracterizada pelo desenvolvimento excepcional de determinadas habilidades, ele atribui parte de sua ligação com a música às experiências vividas ainda na infância.

“Minha avó tocava o Noturno de Chopin nº 9 no piano para me acalmar. Isso me fez ser ligado à arte”, relembra.

Segundo Heitor, sua imaginação sempre foi um elemento fundamental em sua construção criativa.

“Eu tenho uma mente lúdica e muitas informações mitológicas. Isso contribuiu”, explica.

Apesar das contribuições positivas que o autismo pode trazer para a criação artística, a carreira musical também apresenta desafios importantes. Ambientes com iluminação intensa, grandes multidões, mudanças constantes de rotina e a necessidade de interação social frequente podem representar obstáculos significativos para muitos profissionais autistas.

Bea Duarte destaca que um dos maiores desafios de sua trajetória foi compreender a dinâmica da indústria musical e aprender a lidar com as relações profissionais.

“O maior desafio foi aprender a lidar com o ambiente da indústria e com as relações profissionais. Nem sempre foi fácil, mas eu fui aprendendo a me posicionar melhor, a me conhecer mais e a respeitar meus próprios limites”, afirma.

Heitor aponta a confiança excessiva nas pessoas como uma das dificuldades que enfrentou ao longo da carreira. “Sempre me relacionei com pessoas e fui enganado, confiar demais e ser traído”, relata.

A comunicação também surge como um tema recorrente entre artistas autistas. Enquanto muitas pessoas utilizam a fala como principal ferramenta de expressão, para alguns músicos a arte acaba assumindo essa função de maneira mais natural.

“A música virou uma forma de falar o que eu não conseguia colocar em palavras. É o meu jeito mais verdadeiro de me comunicar com as pessoas”, explica Bea.

Heitor compartilha uma percepção semelhante: “A música me explica sentimentos. Não consigo falar”, resume.

Nos últimos anos, a indústria musical tem demonstrado avanços na discussão sobre diversidade e inclusão. No entanto, tanto Bea quanto Heitor acreditam que ainda há um longo caminho a percorrer.

“Eu acho que existe mais abertura do que antes, sim, principalmente na conversa. Mas ainda falta estrutura e entendimento real. Não basta falar de inclusão, é preciso adaptar o mercado para acolher de verdade”, avalia Bea.

Para Heitor, as redes sociais ajudaram a ampliar a visibilidade de artistas neurodivergentes, mas o mercado ainda carece de preparação adequada.

“Muitas vezes há visibilidade, mas não há preparo. O ideal seria mais inclusão de verdade, com espaço, respeito às diferenças e oportunidades consistentes”, destaca.

O Dia do Orgulho Autista também é uma oportunidade para inspirar novas gerações. Ao falar diretamente para jovens autistas que sonham em trabalhar com música, Bea deixa uma mensagem de incentivo: “Que não existe um jeito único de fazer isso. Cada pessoa tem o seu tempo e a sua forma. O mais importante é não desistir da própria voz.”

Sua fala resume um dos principais objetivos da data: mostrar que a diversidade de experiências humanas não deve ser encarada como limitação, mas como uma fonte de criatividade, inovação e riqueza cultural.

Ao refletirem sobre a forma como gostariam que a sociedade enxergasse o autismo, ambos reforçam a importância da empatia e da compreensão. Para Bea, a principal mensagem é clara:

“O autismo não é limitação de humanidade. É só uma forma diferente de perceber o mundo, e isso também pode ser bonito, criativo e potente.”

Histórias como as de Bea Duarte e Heitor Werneck demonstram que a música vai muito além do entretenimento. Ela pode ser um instrumento de acolhimento, identidade e transformação social.

No Dia do Orgulho Autista, suas trajetórias ajudam a lembrar que a arte se torna ainda mais poderosa quando abre espaço para diferentes vozes, perspectivas e formas de existir.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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