‘Cara-de-Barro’ equilibra a agonia e o terror psicológico em uma narrativa exemplar
Filme, que chega às telonas nesta quinta (22), aposta em um novo gênero da DC nos cinemas
Cine R7|Julia Pujar
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Filmes focados em vilões dos super-heróis não são novidade. A DC já tinha provado o potencial dos antagonistas do Batman com Coringa e a série Pinguim, logo seguir explorando essa ideia era algo previsível, e mesmo assim Cara-de-Barro, novo filme do estúdio que chega aos cinemas nesta quinta-feira (22), consegue ser uma surpresa e tanto.
No longa, o ator Matt Hagen (Rhys Harries) tem a carreira destruída após sofrer uma brutal desfiguração no rosto. Buscando retomar a sua vida, ele se submete a um experimento científico que transforma seu corpo, mas que foge completamente de controle.
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Apesar de fazer parte do universo compartilhado da DC, Cara-de-Barro funciona como um filme único, sem a obrigação de fazer conexões com outras produções lançadas pelo estúdio até agora. Isso dá uma independência para a história, que o diretor, James Watkins, usa muito bem.
Para começar com o gênero do filme. Cara-de-Barro é um terror corporal que vai até o limite da definição. O mérito vai muito para a mistura de maquiagem e efeitos práticos e gráficos, que usa corpos mutilados e muito sangue para compor cenas sem medo da violência.
A agonia é capaz de afundar o público na cadeira do cinema em diversos momentos, mas o maior acerto é saber a hora de maneirar. Watkins expõe o espectador ao máximo às cenas nojentas para o acostumar e então entrar em uma segunda camada ainda mais interessante: a do terror psicológico.
É nesse aspecto que Rhys Harries, intérprete do protagonista, brilha. O ator conduz o público a uma degradação mental do personagem, que passa por uma progressão extremamente palpável.
Claro, o ator é ajudado pelo literal: conforme vai se perdendo em sua própria mente, Matt Hagen vai assumindo formas cada vez mais grotescas. Mas é a maneira com que Harries passa a percepção de não se reconhecer mais em si mesmo que torna toda a narrativa da perda de um personagem amável tão triste e aterrorizante.
É justamente por saber acertar tão bem nos dois extremos que se propõe que Cara-de-Barro tem uma narrativa tão exemplar. Além de saber dosar o visceral e o psicológico e fazer um influenciar o outro, o filme sabe fugir do óbvio e encontrar inovações em si mesmo.
Um exemplo são as transformações de Matt Hagen. O longa guarda recursos, como a capacidade do personagem de mudar sua aparência, para serem usados em momentos específicos, o que o salva de ser algo barato e apelativo.
O mesmo vale para o “derretimento” de seu corpo, com as grandes transformações tendo impactos justamente por serem guardadas para momentos de catarse, não sendo exploradas à exaustão.
Cara-de-Barro é um excelente filme. Apesar de algumas escorregadas, como jumpscares desnecessários que parecem querer despertar um público que já está imerso na narrativa, o filme é muito redondo e funcional, capaz de aterrorizar ao mesmo tempo que cativa seu espectador.
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