A liberdade de não fazer nada pelo bem-estar

Livro apresenta nova tendência de comportamento que busca praticar o ócio para eliminar o estresse e aumentar o bem-estar físico e mental

O ócio e o poder de não fazer nada

O ócio e o poder de não fazer nada

Divulgação

Em tempos de pandemia, são bem-vindas técnicas de bem-estar que promovam o equilíbrio e a redução do estresse. Atualmente, há uma crescente onda de pessoas sobrecarregadas e a própria Organização Mundial da Saúde reconheceu oficialmente a síndrome de Burnout – quando um indivíduo chega ao limite da exaustão mental e física. Além disso, a recente expressão FOMO – do inglês, fear of missing out, isto é, medo de ficar de fora de algo – trouxe a dimensão das consequências de um mundo hiperconectado.

Mas como diminuir o ritmo ou simplesmente tirar um tempo para não fazer nada sem culpa? Em “Niksen – Abraçando a arte holandesa de não fazer nada”, da autora polonesa Olga Mecking o conceito de niksen, palavra em holandês que significa “fazer algo sem utilidade e aproveitar o ócio”, mostra, sob a luz das opiniões dos maiores especialistas do mundo em felicidade e produtividade, a prática de fazer menos.

Em uma sociedade que estimula a produtividade constante, a ociosidade acaba sendo um obstáculo – embora esteja cientificamente provado que, mesmo quando estamos inativos, nossos cérebros continuam processando informações. Mecking afirma, porém, que essa vontade constante de trabalhar é capaz de nos levar à diminuição do bem-estar mental e, paradoxalmente, a ser menos produtivos. Em cada capítulo, a autora aborda um aspecto da filosofia do niksen, baseada em várias disciplinas como sociologia, biologia, história e psicologia, servindo-se de histórias interessantes que ilustram os efeitos positivos da prática, deixando as pessoas mais criativas e relaxadas.
 
A autora explica que niksen não é igual a outras tendências como o dinamarquês hygge ( que explora o ato de ficar em casa e transformar o lar em templo); o sueco lagom ( que aborda tudo com moderação); o mindfulness (atenção plena); konmari (método de organização e limpeza da casa da especialista Marie Kondo); ou  o japonês kigai (conceito de minimalismo). A arte holandesa também não significa fazer uma pausa para assistir um filme, ler um livro ou navegar pelas redes sociais. O conceito está mais próximo de abrir espaço na agenda para a mente divagar, sem a necessidade de regular a atenção ou de se concentrar em algo. Afinal, por que as melhores ideias surgem no chuveiro? É quando nossa mente está tediosa e busca seu próprio estímulo, assim, as ideias se conectam com mais facilidade.
 
O livro também traz ao final de cada capítulo perguntas para o leitor refletir, além de exercícios práticos para para impulsionar sua criatividade, aumentar seu foco, melhorar seus relacionamentos e se tornar uma pessoa mais calma e feliz. Entre as sugestões estão não checar o celular enquanto estiver almoçando, ter intervalos no trabalho para não fazer nada ou andar no transporte público sem outra distração como livros ou redes sociais.

“Niksen – Abraçando a arte holandesa de não fazer nada”
Traduçãod de Ana Rodrigues
192 páginas       
R$ 49,90

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