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Empreendedor e CLT no Pronto-Socorro: quem leva a pior?

Às vezes a diferença entre pacientes não está na doença, mas na folha de pagamento!

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Há quem dê mais valor ao atestado médico do que ao próprio remédio... Reprodução

A sala de espera do Pronto-Socorro estava lotada. Entre os pacientes estava um CLT veterano na arte de esticar fins de semana: dedão do pé enfaixado e cara era de quem vivia os últimos minutos de vida. Apesar da encenação, não parava quieto. Reclamava da demora, dizia que tinha mais o que fazer e perambulava pela sala mancando e lamentando-se.

De vez em quando postava uma selfie exibindo a pulseira do hospital, fazendo cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança. Também mandava áudios para os colegas de trabalho e, entre um gemido e outro, dizia que partiria desta para melhor em questão de horas. Em outro áudio, já avisava o chefe de que, “pelo jeito”, ficaria uns dias afastado. Ele tinha um diagnóstico? Ainda não! Ele tinha um plano? Desde a última sexta-feira!


Na outra extremidade da sala, um empreendedor também aguardava atendimento. Ele sentia dores na nuca, tontura, visão embaçada, palpitações e falta de ar. Mesmo assim, enquanto aguardava, respondia mensagens, renegociava boletos e ligava para um cliente inadimplente na esperança de receber o pagamento atrasado havia mais de um mês.

O CLT é chamado e, em menos de um minuto, o médico dá o diagnóstico:


“Isso é um começo de unha encravada. Posso receitar um analgésico se estiver com dor.” “Que analgésico, nada! Cadê meu atestado? Não vou “trampar” hoje nem amanhã. Capricha aí, doutor. Bota dois dias, no mínimo!”

O médico rapidamente entrega o atestado concedendo dois dias de afastamento por “onicocriptose”. O CLT sai do consultório caminhando normalmente, guardando o atestado com mais cuidado do que o próprio remédio, enquanto reclama das duas horas de “folga” que perdeu no Pronto-Socorro.


O empreendedor é chamado e, ao avaliar o quadro de sintomas, o médico sentencia: “Sua pressão está perigosamente alta. O senhor precisa ser internado para investigação e controle.”

O paciente imagina, em questão de segundos, o que aconteceria em caso de internação: entregas se acumulando, clientes indo para o concorrente, impostos em aberto, fornecedores cobrando, fluxo de caixa despencando sem dó nem piedade.


Ele respira fundo e diz: “Doutor, eu sei que a coisa tá feia, mas não tem como aliviar por enquanto? Eu preciso resolver uns probleminhas na empresa e...” O médico o interrompe e oferece dez dias de atestado.

O paciente responde: “Doutor, vou ser bem sincero: preciso ficar bom em meia hora. Enquanto o senhor vê aí o que pode fazer, me dá licença um minutinho? Estou tentando fechar uma venda para recuperar as duas horas que perdi na fila!”

Esta crônica é uma ficção, mas poderia não ser...

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