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Escala 6x1 acabou! Agora só falta avisar os políticos

Enquanto o trabalhador rala 6 dias para descansar 1, nossos representantes já desfrutam da versão premium: trabalham 1 e folgam 6

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Fim da escala 6x1, que pode virar 7x0! Jornal de Brasília

Durante décadas, o brasileiro acordou cedo, pegou ônibus lotado, enfrentou trânsito, chefe fora da casinha e cliente desaforado durante seis dias por semana. Tudo para pagar seus boletos e fazer a roda da economia girar enquanto se virava para descansar e cuidar da própria vida apenas uma vez a cada semana.

Já a classe política, formada por nossos ilustres representantes, observava tudo de camarote, enquanto praticava discretamente sua própria versão da jornada 6X1: um dia de trabalho e seis de homenagens, viagens, jantares, selfies com outros ilustríssimos e discursos, muitos discursos sobre como os outros devem viver a vida deles.


E foi daí que surgiu a grande ideia – mais uma – de colocar a culpa de todas as mazelas do mundo nas costas dos empreendedores e empresários (sempre tão malvadões) deste país que nem Freud explica: vamos acabar com a escala 6x1!

E convenhamos, a medida é um sucesso! Existe coisa mais ultrapopulista? Afinal de contas, quem prefere trabalhar seis dias por semana em vez de cinco? E ainda por cima, recebendo o mesmo salário! Uma ideia “jenial”, não é mesmo? O único problema é que, no Brasil, a tradição dos nossos políticos é criar contas para os outros pagarem. E, desta vez, assim como em tantas outras, adivinha só que é que vai pagar a conta?


Muita gente imagina que quem vai bancar funcionários trabalhando um dia a menos e ganhando a mesma coisa são aqueles sujeitos que usam ternos italianos bem cortados, andam de jatinho para cima e para baixo e nadam em piscinas repletas de notas de cem dólares. Mas calma! A realidade empresarial brasileira é bem menos cinematográfica.

Segundo dados do Sebrae, os pequenos negócios representam cerca de 97% das empresas do Brasil. Ou seja, quando se fala em “empresário brasileiro”, em 97 de cada 100 casos estamos falando do dono da padaria, da moça da oficina de costura, do tiozinho da vendinha de bairro, do restaurante familiar, da papelaria da esquina e daquele sujeito que passa mais tempo apagando incêndios (e acumulando boletos) do que contando dinheiro.


E são justamente esses pequenos negócios que respondem por grande parte da geração de empregos formais no Brasil. Em levantamentos recentes, micro e pequenas empresas foram responsáveis por sete de cada dez novas vagas criadas no país. Porém… matemática nunca foi exatamente a matéria favorita lá do pessoal de Brasília, não é mesmo?

Parece que os “parlamentáveis” olharam para uma loja com cinco funcionários e concluíram que, se eles trabalharem menos horas, é só o dono ricão malvadão contratar mais gente! Eles só esqueceram de uma coisinha: encargos trabalhistas (que eles mesmos criaram) não são gratuitos.


Mas eis aqui a verdade incômoda: se a despesa aumenta, mas a receita não acompanha, alguém vai bancar essa diferença. Na teoria será o empresário ricaço mercenário que só pensa em lucrar. Mas na prática será o consumidor (pois todas as despesas de uma empresa são incorporadas ao preço dos produtos e serviços) e o próprio trabalhador que, como o tempo confirmará, poderá se ver sem emprego.

O grande risco de medidas populistas como esta é que elas costumam virar um tiro no pé justamente de quem pretendem ajudar. A promessa do 5x2 sem mexer no salário pode se transformar numa nova modalidade de jornada: a 7x0, ou seja, sete dias por semana procurando emprego.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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