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Tolerância Zero: Rio de Janeiro usa drones para caçar bandidos vendedores ambulantes

Tecnologia finalmente chega às ruas, mas parece enxergar melhor um carrinho de pipoca do que um fuzil

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Prefeitura do Rio usa drones para localizar ambulantes sem autorização Imagem gerada por IA

A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou o programa “Tolerância Zero contra a Exploração Irregular do Espaço Público”. Nome imponente, né? Dá até para imaginar drones sobrevoando comunidades, câmeras inteligentes identificando quadrilhas, algoritmos rastreando cargas roubadas e inteligência artificial cruzando dados para prender chefões do crime. Mas isso fica só na imaginação mesmo…

É que a “estrela” do programa é outra. Os drones vão ganhar os céus, sim, mas não para localizar bandidos. Eles vão atrás do vendedor de milho, do tio da pipoca, do camarada da água de coco e da senhorinha das pulseiras de miçanga.


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A tecnologia que, em outros lugares do mundo, ajuda a localizar desaparecidos, monitorar incêndios, combater o tráfico de drogas e mapear áreas de risco, na Cidade Maravilhosa recebeu uma missão bem mais modesta: descobrir quem está vendendo seja lá o que for sem autorização. É quase uma versão high-tech do “rapa”, senhoras e senhores.

Mas, como somos brasileiros e gostamos de sofrer, imagine a cena: o sujeito acorda às cinco da manhã, pega um isopor emprestado, compra garrafas d’água fiado, enfrenta sol de quarenta graus e passa o dia tentando levantar um troco para pagar o aluguel. Ele nem tem ideia de que, lá no alto, um drone acompanha cada um de seus movimentos.


Enquanto isso, poucos metros adiante, um meliante vende cocaína de boa na lagoa, afinal, os drones da prefeitura estão ocupados demais fiscalizando o tio do isopor com água.

É, meus amigos, no Rio quem tenta ganhar a vida vendendo um produto legal, mas ilegalmente por falta de licença, vira alvo da operação. Já quem vende um produto ilegal, ilegalmente, muitas vezes continua por ali mesmo.


No fim das contas, o que parece faltar não é espaço público para o ambulante trabalhar legalmente. É cadeia para quem vive da ilegalidade. Legal, né?

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