Longe das telas: jogos de cartas vivem nova fase entre jovens e adultos
Em meio ao excesso de telas e à rotina acelerada, partidas à mesa voltam a atrair adultos e inspiram iniciativas que unem entretenimento e convivência

Em uma época marcada pelo excesso de notificações, redes sociais e jornadas cada vez mais aceleradas, atividades analógicas vêm conquistando espaço como alternativa para desacelerar. Entre elas, os jogos de cartas e de tabuleiro vivem um novo momento, impulsionados pela busca por experiências presenciais, interação social e bem-estar emocional.
O fenômeno acompanha uma tendência observada em diferentes países. Segundo dados da Toy Association, 73% dos pais afirmam já ter comprado brinquedos para si mesmos, enquanto 61% dizem utilizar essas experiências para fortalecer a relação com os filhos. Quase metade dos entrevistados afirma recorrer a jogos e brinquedos para reviver memórias da infância, movimento que especialistas passaram a chamar de “newstalgia”, a combinação entre nostalgia e novidades.
Por isso, jogos de cartas deixaram de ser vistos apenas como entretenimento. Para muitos consumidores, eles passaram a representar momentos de convivência em família, encontros entre amigos e até uma forma de reduzir o impacto da hiperconectividade do dia a dia.
A tendência também tem sido observada por empresas do setor. Fabricantes de baralhos e jogos relatam crescimento da procura por produtos voltados não apenas para a diversão, mas também para experiências coletivas capazes de estimular interação, criatividade e conexão entre as pessoas.

Além das partidas em si, o universo dos jogos de mesa começa a influenciar outros segmentos. Um exemplo é a recente parceria entre a COPAG e a Naipes & Co., que levou a estética dos jogos para itens de decoração e ambientação doméstica.
A colaboração resultou em uma coleção de toalhas para mesas de jogos desenvolvidas com foco em design e integração aos ambientes da casa. A proposta acompanha uma tendência crescente de transformar momentos de lazer em experiências mais completas, em que a mesa de jogo passa a ocupar um papel semelhante ao da mesa de jantar: um espaço de encontro e convivência.

O movimento reflete uma mudança de comportamento. Em vez de buscar apenas novos produtos, consumidores têm valorizado experiências capazes de reunir pessoas e criar memórias compartilhadas. Nesse cenário, atividades tradicionais como jogar cartas voltam a ganhar relevância, agora associadas não apenas à diversão, mas também à qualidade de vida e às relações sociais.
Em um período em que grande parte das interações acontece por meio de telas, sentar-se ao redor de uma mesa para uma partida pode parecer um hábito simples. Mas é justamente essa simplicidade que ajuda a explicar por que os jogos analógicos continuam encontrando espaço em uma sociedade cada vez mais digital.
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