Se você ler Clarice, você vai sofrer mais bonito...
“Você tem a cumplicidade do poeta!”
Há quem torça o nariz para Clarice. Só de ver a imagem nas redes e as frases de autoajuda, hum. Pronto. Há quem ligue a imagem da escritora ao caos, ao fundo do poço, ao começo ou a uma depressão infinita. Mas veja bem. Se você tem a música do Chico (Buarque) pra cantar... Veja só que sofrimento bom!
A atriz Denise Fraga traduziu em risos e lágrimas esse sentimento duro: de não sofrer sozinho. A arte aliada ao sofrimento. Foi no Festival Literário Internacional de Araxá – Fliaraxá, em Minas Gerais.
“Se você ler Clarice (Lispector) e (Fernando) Pessoa, você vai sofrer mais bonito... (risos da plateia). Você não vai deixar de sofrer... Se você tem aquele conto da Conceição Evaristo, se você tem a música do Chico pra cantar, você tem a cumplicidade do poeta!”
Clarice e Pessoa, nas palavras de Denise, ajudam a gente a extravasar o que tá assim... muito bem guardado. Prestes a sucumbir. Mas já que não tem jeito, pelo menos a gente sofre bonito!
O que seria de Clarice sem a solidão? Sem os questionamentos? O que seria de Pessoa sem as cartas de amor ridículas? Afinal, todas as cartas de amor são ridículas.
Clarice Lispector encontrou na Literatura uma explicação para a vida e para a morte. Ao escrever crônicas, veio a estranheza: “Sinto-me um pouco como se estivesse vendendo a minha alma. Falei nisso com um amigo que me respondeu: mas escrever é um pouco vender a alma. É verdade...”
É verdade também que Chico, Caetano e Gil venderam a alma sofrendo. No palco, na vida. Almas que cheiram talco, que buscam o tempo da delicadeza, que não querem ser deixadas sozinhas. Indo mais fundo. Tins e Bens e tais.
“Escrever é uma maldição que me salva”, revelou Clarice. Sofrer salva. Sofrer em companhia então. Não tem preço.
“Você tem a felicidade de saber que aquele poeta, viveu, é teu irmão em sentimento!”
Sofreu e disse. Podia ser Clarice, mas foi Denise.
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