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Se eu fosse eu

Somos todos pernambucanos?

Clarice Lispector era!

Se eu fosse eu|Renata ChiarantanoOpens in new window

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Frevo nos pés, ginga nordestina, sotaque gostoso de ouvir ao pé do ouvido. O baiano Wagner Moura - com muito orgulho - deixou o Brasil mais feliz e orgulhoso neste domingo de 11 de janeiro. Wagner Moura exibiu o português ao receber a estatueta de melhor ator de drama pelo filme “O Agente Secreto”, no Globo de Ouro, em Los Angeles, Estados Unidos.

É um daqueles atores brasileiros que entraram para o hall da fama hollywoodiana, mas que não trocam o arroz e feijão por nenhum hambúrguer. O diretor premiado em Cannes, Kleber Mendonça Filho, não fica atrás. Kleber é um recifense que exala Pernambuco nas películas, nas palavras e na vida!


Clarice Lispector se iguala aos dois quando o tema é o orgulho nordestino. Em 1930, a escritora ucraniana se mudou de Maceió, Alagoas, para Recife, Pernambuco. Ela tinha apenas 10 anos. Dos 10 aos 15, a infância e a adolescência foram marcadas pela vida caseira, de estudos intensos no Ginásio Pernambucano e dos bailes de Carnaval.

Clarice Lispector em Recife

“O Agente Secreto” retrata a festa mais alegre e colorida em Recife. Qual seria a reação de Clarice ao ver os bailes de carnaval da capital pernambucana na telona? “E quando a festa ia se aproximando, como explicar a agitação íntima que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças de Recife enfim para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu...”


Era festa, era livro, era vida! A escritora morava num sobrado ao lado da Livraria Imperatriz, na rua Imperatriz.

Clarice Lispector e as irmãs em Recife

Clarice, o pai Pedro, e as duas irmãs, Elisa e Tania, viveram dias de felicidade e de banhos de mar. A partir desse ar recifense, que cativa e projeta, Clarice criou contos atemporais, que emocionam e inspiram quase 50 anos depois da morte dela. “Restos do Carnaval”, “Banhos de Mar”… Revigorantes, a maioria em Olinda, de madrugada e ainda que deixavam o sal na pele. Como o pai de Clarice gostava.


Nesse Nordeste rico em natureza, o mar e a maresia ajudavam esquecer a fome. “Nós éramos bastante pobres. Tinha em Recife numa praça um homem que vendia laranjada, na qual a laranja passava longe... Tudo aguado e um pedaço de pão era o nosso almoço...”. A revelação foi feita na entrevista que Clarice concedeu aos amigos Marina Colasanti e Affonso de Romano Sant’anna no Museu da Imagem e do Som no Rio de Janeiro.

“A Hora da Estrela” foi o último romance escrito por Clarice, em 1977, ano da morte da escritora. Ano também retratado no filme “O Agente Secreto”. “Eu tinha que retratar a nordestina que vivia em mim...”, disse a escritora na entrevista ao jornalista Júlio Lerner na TV Cultura, em fevereiro de 1977.


Se estivesse viva, Clarice - amante da sétima arte - estaria na primeira fileira do cinema. Pronta para aplaudir “O Agente Secreto”. Aplaudir a Recife antiga. Os nordestinos Wagner Moura, Kléber Mendonça Filho e todos os conterrâneos de nascimento e de alma.

Clarice deixou Recife aos 15 anos, rumo ao Rio de Janeiro. Mas Recife nunca saiu dela.

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