Por que os EUA soltaram mais de 10 mil rãs em região que já teve ‘chuva de sapos’?
Animais eram tão numerosos que pesquisadores tinham dificuldade para caminhar às margens dos lagos sem encontrar ou pisar neles
Bichos|Do R7
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As rãs-de-patas-amarelas-das-montanhas já foram abundantes nas áreas de alta altitude da Serra Nevada, na Califórnia, nos Estados Unidos. Hoje, porém, esses anfíbios desapareceram de cerca de 92% de sua área de distribuição histórica. Para tentar reverter o declínio, equipes de conservação estão criando e reintroduzindo os animais em regiões onde suas populações foram reduzidas ou extintas.
A dimensão dessa mudança pode ser percebida pelos relatos históricos. Segundo Tali Hammond, pesquisadora de ecologia da recuperação da San Diego Zoo Wildlife Alliance, havia períodos em que os animais eram tão numerosos que pesquisadores tinham dificuldade para caminhar às margens dos lagos sem encontrar ou até pisar em uma rã.
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“Esses sapos costumavam ser bastante abundantes. Nas montanhas da Sierra Nevada, há relatos de chuvas de sapos saltando enquanto cientistas caminhavam pela margem de um lago, e até mesmo de ser difícil dar um passo sem pisar em um sapo”, afirmou Hammond à revista Popular Science.
Ainda de acordo com a pesquisadora, o declínio das populações ocorre há décadas. “Sabemos que, em toda a área de distribuição da espécie, as populações vêm diminuindo desde o final da década de 1960/início da década de 1970”, disse.
Existem duas espécies conhecidas como rãs-de-patas-amarelas-das-montanhas: a Rana muscosa, conhecida como rã-de-patas-amarelas-da-montanha-do-sul, e a Rana sierrae, da Serra Nevada. As duas são classificadas como ameaçadas de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
A situação da Rana muscosa é especialmente delicada. Segundo a San Diego Zoo Wildlife Alliance, restam menos de 200 exemplares adultos da espécie vivendo em seus habitats naturais.
Entre os fatores que contribuíram para o desaparecimento estão doenças, predadores introduzidos, incêndios florestais e períodos de seca. As mudanças nas condições ambientais também dificultam a recuperação natural das populações.
Uma das organizações que trabalham para reverter esse cenário é a San Diego Zoo Wildlife Alliance. A instituição atua há cerca de duas décadas na conservação desses anfíbios e, em 2026, reintroduziu mais de 3.000 rãs-de-patas-amarelas-da-montanha-do-sul e girinos nas montanhas de San Bernardino e San Jacinto.
Ao longo do programa, mais de 10 mil animais já foram devolvidos a habitats de alta altitude.
Um dos locais que recebeu os anfíbios neste ano foi o Bluff Lake, na região de Big Bear. Durante a operação, integrantes das equipes de conservação entraram no lago e estimularam cuidadosamente as rãs a saírem dos recipientes transparentes usados para transportá-las.
A soltura, no entanto, é apenas uma etapa do processo. Depois de serem devolvidos à natureza, os animais continuam sendo acompanhados pelos pesquisadores. As equipes observam fatores como saúde, sobrevivência e capacidade de adaptação para verificar se as populações conseguem se estabelecer.
O trabalho também envolve reprodução, preservação da diversidade genética, controle de doenças e pesquisas para melhorar as estratégias de reintrodução.
A expectativa é que o esforço de longo prazo permita que as rãs voltem a ocupar parte das regiões onde já foram numerosas. Para os pesquisadores, a recuperação não depende apenas de aumentar o número de animais, mas de criar condições para que eles sobrevivam e formem populações estáveis na natureza.
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