Por que universidades dos EUA estão treinando veterinários para cuidar de abelhas
Insetos têm papel fundamental na produção de frutas, legumes, verduras e oleaginosas
Bichos|Do R7
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O colapso das colmeias nos Estados Unidos está levando universidades a investir em uma área pouco explorada da medicina veterinária: o atendimento especializado às abelhas. Diante do aumento das mortes de colônias e da importância desses insetos para a produção de alimentos, instituições de ensino passaram a incluir treinamentos específicos para preparar futuros veterinários a diagnosticar doenças, orientar apicultores e preservar os polinizadores.
Segundo reportagem do The New York Times, um dos exemplos está na Universidade da Geórgia, onde estudantes de medicina veterinária deixam temporariamente as salas de atendimento a cães, gatos e cavalos para aprender a cuidar de colmeias inteiras. Vestidos com equipamentos de proteção, eles realizam inspeções em apiários, analisando favos e procurando sinais de infestações, doenças e outros fatores que possam comprometer a saúde das abelhas.
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Durante as atividades práticas, os alunos avaliam a presença de ácaros, alterações nas larvas, deformidades nas asas e outros indícios de problemas sanitários. O objetivo é identificar ameaças antes que elas provoquem perdas significativas nas colônias.
A iniciativa surge em um momento de forte preocupação com a sobrevivência das abelhas. Responsáveis pela polinização de mais de 130 culturas agrícolas, elas têm papel fundamental na produção de frutas, legumes, verduras e oleaginosas. Estimativas apontam que esse serviço ambiental movimenta cerca de US$ 15 bilhões por ano na agricultura norte-americana.
Nos últimos anos, porém, as colmeias vêm sofrendo sucessivas perdas. Entre 2024 e 2025, mais da metade das colônias manejadas nos Estados Unidos desapareceu. Especialistas atribuem esse cenário à combinação de diferentes fatores, como parasitas, vírus, bactérias, fungos, uso de pesticidas, mudanças climáticas, perda de habitat e alimentação inadequada.
Um dos principais inimigos das abelhas é o ácaro Varroa destructor, considerado hoje uma das maiores ameaças à apicultura mundial. O parasita enfraquece os insetos e facilita a disseminação de diversas doenças, podendo levar ao colapso de colônias inteiras quando não há controle adequado.
Apesar da gravidade do problema, a formação de veterinários para atuar nessa área ainda é limitada nos Estados Unidos.
O diferencial desse tipo de atendimento está na abordagem. Ao contrário da medicina veterinária tradicional, em que o paciente é um único animal, no caso das abelhas, o foco é a colônia inteira. Como cada inseto vive apenas algumas semanas e depende do grupo para sobreviver, os especialistas tratam a colmeia como um “superorganismo”, avaliando seu equilíbrio de forma coletiva.
Além do diagnóstico de doenças, o treinamento incentiva uma visão mais ampla da saúde das colônias. Os futuros veterinários aprendem que preservar áreas de alimentação, reduzir o impacto de produtos químicos e orientar boas práticas de manejo são medidas tão importantes quanto o uso de medicamentos para manter as abelhas saudáveis.
A expectativa é que o fortalecimento dessa especialidade ajude a reduzir as perdas registradas nos apiários e ofereça mais suporte aos apicultores, que enfrentam desafios cada vez maiores para manter suas colônias vivas.
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