Além da tragédia: reflexões sobre o 11 de Setembro
Confira histórias reais de pessoas que escaparam por pouco do atentado que mudou o mundo
Talvez você não se lembre qual problema tirava seu sono exatamente há um ano. A vida é assim: muitas das questões que nos afligem hoje acabam se tornando irrelevantes com o passar do tempo, a ponto de as esquecermos completamente.
Porém, quem já passou dos 40 anos certamente se lembra do que estava fazendo quando recebeu a notícia do atentado ao World Trade Center, em Nova York, na manhã de 11 de setembro de 2001.
Meu marido era professor de fotografia e, durante a aula daquela manhã, uma aluna que esqueceu de desligar o celular recebeu uma ligação de uma amiga, contando que um avião havia acabado de atingir a Torre Norte.
A estudante desligou sem ouvir o restante da conversa e telefonou para o irmão, que trabalhava na Torre Sul, pedindo que deixasse o local imediatamente.
Enquanto isso, o sistema de alto-falantes do prédio informava que todos estavam seguros e podiam permanecer em seus escritórios. A Torre Sul foi atingida menos de dez minutos depois da ligação e, mais tarde, a jovem soube que o irmão havia ignorado os avisos do prédio, correu para fora e conseguiu se salvar.
Saguão do Céu em chamas
No 78º andar da Torre Sul ficava um grande espaço, o Sky Lobby – ou Saguão do Céu –, onde havia muitas pessoas no momento do impacto do voo United Airlines 175. Era a área de conexão de elevadores e um dos pontos mais diretamente atingidos.
Keating Crown estava lá: “Tive a sorte de estar em um espaço de um metro quadrado onde consegui sobreviver ao impacto”, conta. Em um minuto, Crown estava em uma sala com cerca de 200 pessoas e, num piscar de olhos, restaram apenas 14.
Ele sofreu lacerações e uma fratura na perna, mas, mesmo assim conseguiu descer os 77 andares restantes com a ajuda de um amigo. Chegou à área de triagem, entrou em uma ambulância e, minutos depois, o prédio desabou.
Ganhou a vida ao perder 15 minutos de descanso
O recém-formado, Kevin Danni, de 22 anos, havia iniciado um treinamento na Morgan Stanley na véspera do atentado. A palestra da manhã seguinte foi mais longa do que o previsto, tomando 15 minutos de seu intervalo, o que fez desistir de subir ao mirante, no 107º andar.
Ao olhar pela janela, Danni pensou estar vendo confetes voando no ar, mas logo percebeu que a Torre Norte, o WTC 1, estava em chamas. A imagem não parecia real, até que veio a ordem do chefe de segurança da empresa, Rick Rescorla, que, ignorando a orientação dos alto-falantes, ordenou a evacuação imediata dos funcionários.
Descendo as escadas – conforme o treinamento de evacuação que a Morgan Stanley havia adotado desde um atentado anterior, em 1993 – Danni ouviu uma explosão quando estava no 55º andar. Ele conta que as paredes racharam e, naquele momento, teve certeza de que se tratava de um ataque terrorista.
Continuou descendo, cruzando pelas escadarias com bombeiros que subiam em direção contrária, já que agora os dois prédios estavam em chamas. A evacuação durou 45 minutos, até que ele finalmente pode procurar um telefone público e avisar a família que estava salvo. “Ouvi um estrondo e vi uma nuvem espessa de poeira. Apenas me virei e corri”, relatou.
Danni sobreviveu, casou-se com Helena e é pai de Luke. Amanhã, a família vai assistir ao garoto jogar como quarterback na St. Francis High School, na Califórnia. Todo 11 de setembro, Dani ouve seu filho dizer: “Pai, que bom que você está aqui”.
Heróis não podem ser esquecidos
A Morgan Stanley ocupava 22 andares do WTC e tinha cerca de 2.700 funcionários, mas graças à decisão de Rick Rescorla, todos, exceto treze, sobreviveram.
Entre os mortos estava o próprio Rescorla, que decidiu permanecer no edifício até que todos tivessem saído. Ele faleceu juntamente com 343 bombeiros, 23 policiais e 37 agentes da Autoridade Portuária, quando a Torre Sul desabou, às 9h59.
Seu ato de bravura é citado como exemplo de liderança e preparo até hoje, além de ser objeto de estudo em cursos de gestão de crises e segurança corporativa.

Hoje é um dia para lembrarmos de que o extremismo mata e que ainda está entre nós, mesmo nos lugares mais improváveis. Prova disso é o assassinato de Charlie Kirk, ativista político conservador, ocorrido ontem, em um evento no campus da Universidade Utah Valley.
Kirk foi morto aos 31 anos, com um tiro no pescoço, enquanto respondia a uma pergunta da plateia sobre tiroteios em massa. O presidente americano Donald Trump culpou a “esquerda radical” pela morte do ativista.
Como cidadãos conscientes, devemos rejeitar o extremismo, pois ele desumaniza quem pensa diferente, como já vimos em outros momentos sombrios da História. Tolerância precisa deixar de ser apenas uma palavra dita por aqueles que nem sequer conhecem seu significado.















