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Patricia Lages

Análise: 44% dos estados têm mais pessoas com Auxílio Brasil do que emprego

Número assustador de brasileiros dependem do governo e 12 estados já têm mais pessoas recebendo auxílio do que trabalhando

Patricia Lages|Do R7

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Auxílio Brasil se espalha pelo país
Auxílio Brasil se espalha pelo país

Segundo números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o estado do Maranhão tem mais do que o dobro de pessoas recebendo o Auxílio Brasil, antigo Bolsa Família, do que trabalhando com carteira assinada. São 529.208 pessoas com empregos formais contra 1.100.451 beneficiários do programa assistencial.

Na Bahia, o número de auxílio-bolsistas ultrapassa os 2,2 milhões de pessoas. Outros dez estados, todos localizados nas regiões Norte e Nordeste, encontram-se na mesma situação: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe. A soma de trabalhadores com carteira assinada nesses 12 estados é de 7.664.116, já o de beneficiários é de 9.853.192.


O estado de São Paulo tem praticamente o mesmo número de beneficiários que a Bahia, porém, a diferença de arrecadação de impostos entre esses dois estados é enorme. Do total em tributos arrecadados no país, São Paulo representa mais de 37%, enquanto a da Bahia não chega aos 3%.

É inegável que o Brasil tem uma desigualdade social muito grande e que alguns programas assistenciais são justificáveis e necessários. Porém, todo assistencialismo precisa ter, no mínimo, quatro coisas: condições claras, fiscalização séria, tempo determinado e cobrança de contrapartida. Do contrário, que incentivo as pessoas terão para voltar ao trabalho? Nos estados em que há mais pessoas vivendo com o auxílio já existe déficit de trabalhadores em diversas funções, op que demonstra claramente que muita gente prefere depender do governo a depender de si mesmas.


Essa falta de incentivo também afeta aos mais tributados por um motivo simples: quanto mais pessoas passarem a receber o auxílio, mais impostos serão cobrados de quem trabalha e produz. Além disso, sabemos bem que há quem receba o benefício sem cumprir os requisitos – dando o famoso jeitinho brasileiro – enquanto outras que realmente precisam não têm acesso.

Em um país como o Brasil, a condição de receber ajuda assistencial não pode ser apenas a pobreza. É preciso ter mais controle, fixação de um período máximo e a cobrança de contrapartidas que deem condições para as pessoas andarem com as próprias pernas.

Clichês não existem à toa, e o que diz que não adianta dar o peixe sem ensinar a pescar é um do que têm toda razão de ser.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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