Logo R7.com
RecordPlus
Patricia Lages
‌

Análise: A banalização do assassinato de reputações

Parte da mídia tem usado manchetes que colocam em jogo a idoneidade de empresas e pessoas por puro sensacionalismo. Onde você entra nessa?

Patricia Lages|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
O jogo das reputações está cada vez mais frágil
O jogo das reputações está cada vez mais frágil

Já deu para perceber que a internet é um campo, digamos, perigoso. Ao mesmo tempo que ela é capaz de fazer um conteúdo viralizar e transformar pessoas comuns em ícones da noite para o dia, também pode surtir o efeito totalmente contrário.

Temos testemunhado diversos casos de pessoas e até empresas que ontem estavam no topo, mas que, de uma hora para outra se veem às voltas com alguma polêmica que acaba jogando o trabalho de uma vida inteira na lama.

‌

Que essa é a natureza do mundo virtual todos nós já percebemos, mas o que não fica claro em muitos desses casos é o entendimento do que é puro sensacionalismo e do que é fato. A polêmica e os ataques se levantam e, mesmo que o envolvido esclareça os fatos e prove sua inocência, é um tipo de poeira que não baixa.

Há poucos dias nos deparamos com a notícia que Thiago Nigro, mais conhecido como o Primo Rico – nome de seu canal de finanças no YouTube– teria uma dívida de 1,7 milhão de reais e que, por conta disso, teria um imóvel de sua propriedade leiloado. A matéria cumpre alguns requisitos mínimos do bom jornalismo, como ouvir o próprio envolvido, mas não deixa claro que a dívida foi contraída pelos pais e que, à época, ele nem sonhava que se tornaria “o primo rico”, pois só tinha 22 anos de idade.

‌

Não foram poucas as pessoas que, considerando apenas o título da matéria, passaram a assassinar a reputação de Nigro chamando-o de “empreendedor de palco”, “enganador” etc. e enchendo suas redes sociais de comentários maldosos de toda sorte. Afinal de contas, o Brasil não tem a cultura de admirar quem se dá bem na vida.

Mesmo tendo tido a oportunidade de esclarecer os fatos em matérias muito mais completas (com apresentação de documentos inclusive) e sem sensacionalismo publicadas em outros veículos – como a Forbes, por exemplo – o “primo” se viu às voltas com uma notícia que poderia ter colocado em xeque toda credibilidade de seu trabalho que, faço questão de registrar, é sério, admirável e inspirador.

‌

E, voltando à pergunta feita na abertura deste post, eis aqui onde você entra nesse jogo: até onde você checa a informação que compartilha nas suas redes? Até onde veículos de comunicação têm usado você para viralizar conteúdos que só beneficiam a eles próprios em detrimento da reputação dos outros? Até onde você permite ser um agente distribuidor de fake news, meias verdades ou manchetes sensacionalistas?

É preciso nos empoderarmos das nossas redes – e de formarmos nossas próprias opiniões pessoais sobre bases sólidas – e não permitirmos que outros se apoderem delas. Prudência no mundo virtual é tão necessária quanto no mundo real. Vale ressaltar que mesmo com tudo isso, Thiago Nigro tem demonstrado que saiu ainda mais fortalecido, afinal, mar calmo não faz bom marinheiro.

‌

Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. Ministra cursos e palestras, tendo se apresentado no evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard (2014). Na TV, apresenta os quadros "Economia doméstica" no programa "Mulheres" TV Gazeta e "Economia a Dois" na Escola do Amor, Record TV. No YouTube mantém o canal "Patrícia Lages - Dicas de Economia", com vídeos todas as segundas e quartas.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Siga R7 no Google e fique por dentro de tudo que acontece

Seguir no Google

Últimas

‌

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.