Análise: a hipocrisia das ações que não correspondem ao discurso
Falar de forma politicamente correta é fácil, mas agir com o mínimo de civilidade são outros quinhentos
Patricia Lages|Patricia Lages, do R7

Atenção! Este texto é para os fortes, portanto, se você não está preparado para ouvir verdades, aconselho que pare por aqui mesmo.
Hoje quero fazer algumas perguntas para que você responda para si mesmo e possa refletir se apenas tem engrossado o coro dos hipócritas ou se realmente quer ser uma pessoa melhor e autêntica. Preparado?
De que adianta publicar nas suas redes sociais que é preciso ser tolerante, quando você não tem paciência para lidar com pessoas que pensam diferente de você?
De que adianta dizer que se deve respeitar as pessoas, seja lá quem for, se você vive procurando alguém para apontar o dedo? Será que, ao apontar os erros dos outros, você não se sente livre para xingar à vontade, afinal, ela errou e você tem razão, não é mesmo? Mas pense: será que você não está apenas buscando uma “justificativa” para liberar todo o desrespeito que você tenta esconder?
De que adianta dizer que todas as pessoas são livres para ter a fé e a crença que quiserem se você critica as pessoas só por causa da fé que praticam? E, claro, uma vez que você não segue nenhuma crença, é livre para fazer o que quiser, inclusive, para julgar quem segue.
De que adianta compartilhar a foto de alguém que estacionou na vaga de deficiente se você não cede o seu lugar para uma grávida num ônibus ou para alguém mais velho numa sala de espera? Por que eles não são deficientes? Ah, sim... Eles não são mesmo, mas o bom senso diz que sentar é mais importante para eles do que para você. Será que o seu bom senso tem lhe movido a fazer essas pequenas gentilezas?
De que adianta dizer que é preciso parar com o empurra-empurra que alguns órgãos públicos e empresas fazem com as pessoas, se quando alguém cobra algo que você deveria ter feito, sua primeira atitude é empurrar a sua responsabilidade para terceiros? A culpa ou a responsabilidade podem até não ser suas, mas se você pode resolver, por que não?
De que adianta gritar aos quatro ventos que o país está imerso em corrupção e que todos os políticos deveriam ir para a cadeia, quando você mesmo pratica normalmente pequenas corrupções todos os dias? Você fura fila, suborna guarda de trânsito, paga propina para fiscal de comércio, paga “quebra” para ter carteira de motorista e passar nos exames sem nem ao menos fazê-los, usa ou já usou carteirinha falsa de estudante para pagar meia entrada, coloca no seu currículo habilidades que não tem. Enfim, a lista é enorme...
O que realmente adianta é reconhecer nossos próprios erros e corrigí-los, ainda que não seja fácil. Vamos parar de apontar o dedo para os outros e começar a usar nosso tempo e energias para fazermos o que exigimos que os outros façam.
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