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Patricia Lages

Doria não perde chance de politizar a pandemia, mas diz que se apoia na ciência

Governador de São Paulo anuncia “fase vermelha”, contraria o secretário estadual de Saúde, que não apoia o lockdown e critica o governo federal

Patricia Lages|Do R7

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Governador João Doria na coletiva de imprensa desta quarta (3)
Governador João Doria na coletiva de imprensa desta quarta (3)

Se tem uma coisa que João Doria fez muito bem nos últimos 15 meses de combate à pandemia foi culpar o governo federal pelo que acontece em seu próprio estado. Apesar de ter carta branca, dada pelo STF, para tomar as decisões que bem entendesse (como de fato o fez), segundo o governador, todo problema vem da “falta de gestão federal”.

É como se alguém recebesse dinheiro para consertar o telhado da própria casa, torrasse o valor em outras coisas e culpasse quem deu o recurso pelos estragos depois do temporal. Mas é claro que quem corta verba de saúde em plena pandemia e aumenta os gastos com publicidade – atitudes do gestor-salvador – precisa jogar os holofotes sobre o palco alheio.


Como já era de se esperar, amanhã teremos mais uma ação de marketing, quando Doria estará em frente às câmeras para receber o novo lote de insumos para a produção de mais 8 milhões de doses da Coronavac. Aí é hora de atrair para si os holofotes e fazer aquela publicidade, afinal de contas, 2022 está logo ali e esse é o maior objetivo de todo esse teatro onde as marionetes somos nós.

Em entrevista à jornalista Christina Lemos na manhã de hoje, Doria tornou a dizer que só toma medidas baseadas em parâmetros técnicos. “Eu não tomo decisões. Sigo orientações. Sempre amparado na ciência”, afirmou. Mas qual é a ciência por trás do lockdown? Mesmo depois de todas as tentativas de incutir na cabeça das pessoas o #fiqueemcasa, não há nenhum estudo científico que comprove e garanta a eficácia da medida. Nem um sequer.


Se, de fato, o governador segue orientações, por que não tem dado ouvidos ao próprio secretário de Saúde, Jean Gorinchteyn, que declarou ser contra o lockdown? Em entrevista à rádio CBN, o secretário afirmou: “O lockdown no nosso país, não temos condições de fazer. As pessoas vão morrer de fome. Vamos ter um problema civil” e acrescentou que “O Brasil tem uma questão social e econômica muito peculiar. Fazer o lockdown significa colocar uma parcela vulnerável numa situação difícil sem o auxílio (emergencial). Eu vejo que alguns estados chegaram numa situação limite.”

E se o governo de São Paulo realmente se baseasse em parâmetros técnicos, deixaria de fingir que não sabe que todas as medidas de restrição, como toque de recolher e as fases restritivas anteriores, não surtiram o efeito prometido. Afinal, os dados apontam que o número de internações continuou a crescer, inclusive em cidades como Araraquara, que optou por um lockdown bastante rígido.


A única garantia que temos com esse tipo de medida onde não há ciência alguma – se houvesse já teria sido amplamente publicada – é a da quebra da economia, aquela que “a gente vê depois” e se exime da responsabilidade pelas mortes colocando a culpa no governo federal. Quer mais politização do que essa?

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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