Logo R7.com
RecordPlus
Patricia Lages

Eletrodomésticos estão caros, não é mesmo? Veja o porquê

Pesquisa diz que eletrodomésticos são 34,8% das compras online, mesmo com preços altos. Entenda o que torna tudo tão caro

Patricia Lages|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Eletrodomésticos representam uma em cada três vendas online, indica pesquisa
Eletrodomésticos representam uma em cada três vendas online, indica pesquisa

Uma pesquisa feita pela NZN Intelligence e divulgada em agosto de 2022 mostrou que 34,8% das compras online são de eletrodomésticos. Apesar disso, é difícil encontrar alguém que não reclame dos altos preços, ainda mais quando comparados a produtos equivalentes em outros países.

Enquanto uma lava-louças nos Estados Unidos custa cerca de US$ 400 (cerca de R$ 2.000), no Brasil um modelo equivalente beira R$ 4.000. A comparação de valores não deve se basear no câmbio das moedas, mas, sim, na renda da população de cada país. Façamos as contas.


Nos Estados Unidos, o salário-mínimo, em média, é de US$ 7,25 por hora, que geralmente é multiplicado por 160 horas mensais trabalhadas, somando uma remuneração de US$ 1.160 ao mês. No Brasil, o mínimo nacional é de R$ 1.302, geralmente pago por 220 horas trabalhadas. 

Isso mostra que, enquanto um americano que recebe um salário-mínimo pode comprar uma lava-louças com um terço de sua renda mensal, um brasileiro teria que desembolsar mais de três meses de salário para fazer a mesma compra.


Para grande parte da população, essa disparidade de preços se deve ao fato de que a indústria, o comércio e o empresariado brasileiro são exploradores, gananciosos e querem enriquecer às custas de seus clientes. Porém, basta ler atentamente as notas fiscais de tudo o que se compra para ver que a coisa não é bem assim. Vou exemplificar com a compra de uma lava-louças que acabo de fazer.

O total da compra foi de R$ 3.958,99, sendo R$ 3.899 do produto e R$ 59,99 de frete (de Joinville para São Paulo). Sobre o valor com frete, paguei 4% de ICMS (R$ 158,36) no estado de origem (SC) e mais 14% de ICMS (R$ 554,26) no estado de destino (SP, que cobra 18%, mas desconta os 4% pagos na origem). Também foram cobrados 1,65% de PIS, mais 7,6% de Cofins sobre o valor de R$ 3.246,37.


O total de impostos foi de R$ 1.012,91, ou seja, mais de 27% do preço do produto, mostrando que, não fossem os tributos, o eletrodoméstico custaria R$ 2.946,08. Obviamente, o preço que o consumidor paga também inclui uma série de impostos recolhidos pelo fabricante, desde a compra das matérias-primas, passando pelos ônus que a CLT impõe pela contratação de cada um dos milhares de funcionários, até o produto sair da fábrica e seguir para as lojas, onde mais uma cascata de taxas é cobrada do revendedor e repassada ao consumidor.

O Estado brasileiro taxa a renda (com alíquotas que podem chegar aos 27,5%) e o consumo (30% em média), mesmo assim boa parte dos brasileiros acredita que o SUS é de graça (e que funciona muito bem em todo o país) e que quem explora a população é o empresariado (que é o gerador de emprego e renda). 

Tente explicar esse raciocínio a um estrangeiro e falhe miseravelmente.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.