Quem são os verdadeiros ricos do Brasil e quem os sustenta?
Dados do IR mostram que os maiores patrimônios do país não estão concentrados no empresariado
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Durante anos, uma narrativa se consolidou no Brasil, segundo a qual os empresários são os grandes privilegiados da sociedade. Frequentemente retratados como exploradores, gananciosos e responsáveis pelas desigualdades do país, o empresariado brasileiro é apontado como o principal beneficiário do sistema econômico. Porém, dados oficiais divulgados recentemente contam uma história bem diferente.
Com base nas declarações do Imposto de Renda, a Receita Federal aponta que os maiores patrimônios médios do país pertencem a titulares de cartório (com R$ 3,3 milhões), juízes, procuradores e promotores (com R$ 2,9 milhões), e diplomatas (com R$ 2,5 milhões). Ou seja, carreiras ligadas direta ou indiretamente ao Estado.
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Embora as carreiras que aparecem no topo do levantamento desempenhem funções necessárias, isso não anula a importância da discussão sobre o custo desse modelo. Quando certos grupos acumulam altos salários, estabilidade, benefícios e privilégios que poucos brasileiros têm, é legítimo questionar se essa estrutura é compatível com a realidade econômica do país.
No caso dos cartórios, por exemplo, a tecnologia disponível permite realizar diversos procedimentos de forma digital, com mais rapidez e menor custo. Ainda assim, muitos serviços permanecem burocráticos, caros e dependentes de estruturas arcaicas.
Enquanto isso, a imensa maioria das empresas do país é formada por micro e pequenos negócios, que enfrentam dificuldades para sobreviver, operando quase sempre com margens apertadas para manter as portas abertas, pagar salários, impostos, fornecedores e cumprir uma legislação extremamente complexa.
São esses empreendedores que respondem por grande parte da geração de empregos formais e da atividade econômica, mas estão longe de representar uma elite cercada de privilégios.
Em um país que precisa crescer, gerar empregos e aumentar a produtividade, é legítimo questionar por que quem empreende e se reinventa todos os dias é visto como vilão, enquanto estruturas caras, lentas e que, muitas vezes, dificultam a vida de quem produz se mantêm exatamente como eram décadas atrás.
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