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Patricia Lages
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Quem vem primeiro: o ovo, o carimbo ou a falência do pequeno empreendedor?

Nova portaria exige carimbo com data de validade na casca de cada ovo

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Os ovos, a partir de março, terão um carimbo na casca com a data de validade do produto Flickr/@mcdemoura (Sob Licença Creative Commons - CC BY-NC-ND 2.0)

Com o preço dos alimentos em alta, o brasileiro tem recorrido a fontes alternativas de proteína, sendo o ovo uma das opções mais acessíveis. Mas isso pode mudar.

Uma portaria do Ministério da Agricultura e Pecuária, publicada em setembro de 2024, determina que, a partir de 4 de março de 2025, todos os ovos sejam carimbados individualmente com a data de validade e o número de registro do estabelecimento produtor diretamente nas cascas.

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A tinta a ser utilizada deve ser própria para alimentos e não pode oferecer qualquer risco de contaminação. Segundo o Ministério, a proposta é aumentar a segurança alimentar da população e facilitar o rastreamento do produtor caso haja problemas.

Esta é uma medida que não deve ser avaliada superficialmente, se não quisermos incorrer em um erro muito comum, segundo o economista Milton Friedman: julgar as políticas públicas por suas intenções e não por seus resultados. O que, em um primeiro momento, pode parecer muito bom para todos, pode ter um impacto negativo no bolso de quem tem menos recursos.

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Grandes produtores podem facilmente introduzir essa etapa no processo de produção sem que isso represente um grande impacto nos custos, devido aos grandes volumes comercializados. Porém, para pequenos e médios empreendedores, a nova medida pode inviabilizar o negócio.

Pequenas empresas, geralmente familiares, não possuem recursos de sobra para investir em uma operação que só é viável por meio de automatização. Quanto aos médios produtores, a portaria pode representar mais um endividamento para atender à portaria.

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O efeito mais provável é que um percentual de pequenos produtores baixe as portas, enquanto os que tentarão se manter no jogo terão de encarar um processo de produção mais caro, o que desencadeará um aumento de preços: primeiro para o varejista e, depois, para o consumidor final.

Além disso, ao cobrar mais caro, pequenos e médios produtores perdem espaço no segmento, enquanto os grandes ficam ainda maiores ao eliminá-los como concorrentes. Definitivamente, esse tipo de medida precisa ser analisado de forma cuidadosa para que o consumidor, já com o orçamento apertado, não venha ser mais prejudicado do que protegido.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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