Marrocos: você sabia que o 1º adversário do Brasil na Copa é um tradicional produtor de vinhos?
Produção de vinhos do país é importante e tem personalidade própria
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O clima de Copa do Mundo finalmente tomou conta das ruas e, enquanto os olhos do país estão voltados para a escalação da Seleção Brasileira, um detalhe curioso chama a atenção de quem não abre mão de uma boa taça. O Marrocos, nosso primeiro adversário, guarda uma tradição que passa longe dos campos de futebol, mas que ocupa um lugar de tradição nas prateleiras internacionais: uma produção de vinhos importante e com personalidade própria.
Embora o senso comum associe o Norte da África apenas a desertos e temperaturas extremas, o Marrocos se consolidou como o segundo maior exportador de vinhos do continente. Para o torcedor que gosta de conhecer a cultura dos rivais, entender o que os marroquinos produzem é descobrir um país que equilibra o rigor das leis locais com uma vocação agrícola impressionante.
Uma herança que atravessa milênios
A relação do Marrocos com a videira não é recente. A vitivinicultura na região foi estabelecida há mais de 2.500 anos, introduzida inicialmente pelos fenícios e ampliada durante o Império Romano. Ruínas históricas, como as de Volubilis, ainda exibem vestígios de prensas de uvas que abasteciam as mesas da Roma Antiga com vinhos africanos.
No entanto, a configuração moderna da indústria vinícola marroquina deve muito ao período do protetorado francês no século XX. Foi sob essa influência que as técnicas europeias foram integradas ao solo local, transformando o país em um gigante do setor. Após a independência, a produção passou por altos e baixos, mas ressurgiu com força total nas últimas décadas por meio de investimentos em tecnologia e parcerias com enólogos renomados de Bordeaux e do Rhône.
O segredo entre as montanhas e o oceano
Como é possível produzir vinhos de alta qualidade em uma região tão quente? A resposta está na geografia privilegiada. O Marrocos possui o que muitos especialistas chamam de “oásis de frescor”. As Montanhas Atlas funcionam como uma barreira natural contra o calor escaldante do Saara, enquanto a brisa constante do Oceano Atlântico resfria os vinhedos durante a noite.
Essa amplitude térmica — a diferença de temperatura entre o dia e a noite — é fundamental para que as uvas mantenham a acidez e desenvolvam aromas complexos. As principais zonas de produção, como Meknès e Casablanca, aproveitam solos argilo-calcários que conferem uma estrutura elegante aos vinhos, permitindo que eles compitam em pé de igualdade com rótulos europeus.
Vin Gris: a assinatura marroquina
Se existe um vinho que define o paladar do Marrocos, este é o Vin Gris (vinho cinza). Apesar do nome, ele não é cinza, mas sim um estilo de rosé extremamente pálido, quase translúcido. Ele é produzido por meio da prensagem direta de uvas tintas, sem contato prolongado com as cascas, resultando em uma bebida leve, floral e com um frescor vibrante.
O Vin Gris é a escolha perfeita para um clima tropical. É um vinho gastronômico, que acompanha desde pratos condimentados da culinária marroquina, como o couscous e o tajine, até os nossos tradicionais frutos do mar. Mas o país também entrega tintos de respeito, com estrutura firme e grande potencial de guarda, que mostram a força do sol africano em cada gole.
Uvas, estilos e perfil sensorial
A base da viticultura marroquina é nitidamente francesa, mas com uma adaptação local que traz especiarias para o primeiro plano. Entre as variedades tintas, a Syrah é a grande estrela, produzindo vinhos encorpados com notas de frutas negras maduras, pimenta e cravo. A Grenache e a Carignan completam o time, trazendo estrutura e toques terrosos.
Já nos brancos, a Chenin Blanc se destaca pela mineralidade e acidez cortante, acompanhada pela Sauvignon Blanc e Chardonnay. O perfil sensorial desses vinhos costuma ser intenso: são bebidas que preenchem a boca, com um equilíbrio notável entre a maturação da fruta e a frescura preservada pela altitude dos vinhedos.
Por mais que a produção marroquina seja digna de aplausos e mereça um lugar na sua adega, na hora em que a bola rolar, a prioridade é clara. Que o Marrocos nos entregue bons vinhos, mas que os gols fiquem por conta da nossa Seleção. Hoje, a torcida é pelo Brasil: no campo, na cabeça e, claro, com uma boa taça na mão.
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