Como as bandas Motörhead e AC/DC transformaram clássicos do rock em vinhos premiados
Do palco para a taça: por que a Austrália virou a capital do “Rock Vinícola”
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A indústria do entretenimento e do vinho já estabeleceram pactos que vão muito além dos camarins regados a champanhe e bebericagens. Se antes o vinho era visto como uma bebida de elite, hoje ele também pode vestir jaqueta de couro e subir ao palco.
Bandas como Motörhead e AC/DC não apenas emprestaram seus logos para garrafas. Elas ajudaram a redefinir o mercado australiano e global, provando que o rock tem um terroir próprio e muito lucrativo.
Abaixo conto essa história com mais detalhes. Enquanto o vinho do Motörhead tornou-se um item de “consumo regular” para os fãs, os vinhos do AC/DC foram um fenômeno cultural meteórico quando lançados e tornaram-se itens de memorabilia.
Você conhece as bandas 🎸?

✅ Motörhead: a velocidade do rock
- Carreira: 1975–2015: (40 anos de estrada, encerrados com a morte do icônico líder Lemmy Kilmister). Lemmy Kilmister era conhecido por sua voz rouca de “quem engoliu britadeira” e por beber uma garrafa de Jack Daniel’s por dia durante décadas.
- Vendas de discos: Mais de 15 milhões de álbuns vendidos mundialmente.
- Streaming (Spotify): Média de 7 milhões de ouvintes mensais. O hino Ace of Spades ultrapassa os 650 milhões de plays.
- Curiosidades: Eles não se consideravam heavy metal, mas sim apenas “rock & roll Entretanto, a banda é considerada a principal influência para o nascimento do thrash metal (Metallica que o diga!).

✅ AC/DC: a voltagem máxima da Austrália
- Carreira: 1973–Presente (Mais de 50 anos de história).
- Vendas de discos: Mais de 200 milhões de cópias vendidas. O álbum Back in Black é o segundo disco mais vendido de todos os tempos na história da música.
- Streaming (Spotify): Média massiva de 35 a 40 milhões de ouvintes mensais. Back in Black e Highway to Hell somam, sozinhos, quase 3 bilhões de plays.
- Curiosidades: O nome AC/DC (corrente alternada/corrente contínua) foi sugerido pela irmã dos fundadores após ver a sigla atrás de uma máquina de costura. A banda é famosa pelo guitarrista Angus Young, que se apresenta sempre vestido com uniforme de escola (com direito a bermuda e mochila). Eles sobreviveram à trágica morte do primeiro vocalista (Bon Scott) em 1980, voltando meses depois com Brian Johnson para lançar o disco de maior sucesso da carreira.
O “suco” do Motörhead e a conexão Broken Back
Quando pensamos em Lemmy Kilmister, a imagem imediata é a de um copo de Jack Daniel’s com Coca-Cola. Porém, o líder do Motörhead era um homem de surpresas e visão comercial apurada.
A banda foi uma das pioneiras a entender que o seu público, fiel e envelhecendo com estilo, estava pronto para trocar a cerveja morna por um tinto encorpado.
O Motörhead Shiraz não é um vinho delicado. Ele foi desenhado para ter a pegada de um solo de baixo de Lemmy. Produzido no sudeste da Austrália pela Broken Back Winery, uma joia que faz parte do gigante grupo Australian Vintage, este Shiraz é o reflexo da região de Hunter Valley e McLaren Vale.
A vinícola Broken Back é conhecida por solos antigos que produzem uvas com cascas grossas e taninos firmes. Eles fizeram um rótulo que se tornou um item de colecionador, mas com qualidade suficiente para ser servido em jantares sérios.
O Motörhead Shiraz foi produzido ao longo de diversas safras, tornando-se um dos vinhos de bandas de rock mais bem-sucedidos e longevos do mercado.
Foram registradas e comercializadas safras como 2010, 2012, 2014, 2018 e até 2020. O sucesso foi tanto que a banda e a vinícola expandiram a linha para incluir um Shiraz Rosé e até versões em Bag-in-Box (caixas de 3 litros), apelidadas de “Sacrifice” para o mercado escandinavo, onde esse formato é muito popular.
Para fortalecer a distribuição global, a banda escolheu a Brands For Fans (uma empresa sueca especializada em bebidas de artistas). O vinho ainda é encontrado em lojas especializadas na Europa (principalmente Suécia, Alemanha e Reino Unido) e no Japão.
Safras recentes, como a de 2018 e 2020, ainda constam em estoques de grandes distribuidores internacionais de bebidas de rock.
Mesmo após a morte de Lemmy em 2015, a marca continuou ativa. No entanto, com o passar dos anos, as garrafas estão se tornando cada vez mais objetos de desejo para colecionadores, o que pode elevar o preço e diminuir a oferta.
AC/DC e sua coleção com nome de hinos
Se o Motörhead focou na potência individual, os roqueiros do AC/DC decidiram criar uma discografia líquida. Em parceria com a vinícola Warburn Estate, uma das maiores e mais respeitadas empresas familiares da Austrália (fundada pela família Sergi nos anos 50), a banda lançou vinhos que são extensões diretas de seus maiores sucessos.
Localizada em Riverina, a vinícola Warburn Estate foi escolhida pela sua capacidade de produção em larga escala sem perder a identidade artesanal, permitindo que os fãs tivessem acesso a um produto “premium” com preço de varejo.
A coleção produziu rótulos icônicos e inclui o “Highway to Hell Cabernet Sauvignon”, um vinho estruturado e clássico, o “Back in Black Shiraz”, que homenageia a uva tinta mais emblemática da Austrália, além de dois brancos, o “Thunder Struck Chardonnay” e o “Hells Bells Sauvignon Blanc”.
Diferente do Motörhead, que manteve uma produção mais regular ao longo dos anos, a trajetória dos vinhos do AC/DC foi marcada por explosões de vendas seguidas por um caráter mais limitado e de colecionador.
A parceria começou em 2011 com um barulho ensurdecedor no mercado. Foi um lançamento massivo, mas que funcionou em “ondas” em vez de uma produção ininterrupta de décadas.
O lançamento foi um sucesso sem precedentes. Na primeira semana, venderam mais de 6.000 caixas (72 mil garrafas) apenas na Austrália. Devido à demanda, eles produziram várias safras consecutivas no início (como 2010 e 2011).
Em resposta ao sucesso, lançaram o AC/DC Platinum Shiraz, uma edição limitada e numerada. Foi feito com uvas de vinhas velhas do Barossa Valley, um lugar super prestigiado no mundo do vinho, e envelhecido por dois anos em carvalho americano, focado totalmente em colecionadores.
A Warburn Estate produziu a linha principal (como o Highway to Hell e o Back in Black) por alguns anos, registrando safras que foram de 2008 até meados de 2013/2014, dependendo do rótulo. A produção em larga escala pela não é mais contínua.
O contrato original foi uma colaboração que teve seu ápice durante os anos de 2011 a 2015. As garrafas que podem ser encontradas atualmente são, em sua maioria, de estoques remanescentes ou vendidas em sites de leilões e memorabília de rock.
Dica de mestre: Se alguém te oferecer um Highway to Hell Cabernet hoje, verifique a safra. Se for de 2010 ou 2011, o vinho provavelmente já passou do seu auge para consumo, mas a garrafa continua sendo um troféu de metal precioso para qualquer estante!
Cenário do rock “sommelier”
O movimento iniciado por essas bandas abriu caminho para outros gigantes. Bandas como o Iron Maiden (com o seu vinho Eddie’s Evil Brew) e o Slayer (com o Cabernet Reign in Blood) seguiram a trilha.
No entanto, o diferencial do AC/DC e do Motörhead foi o foco no sudeste australiano, uma região que combina calor intenso e brisas marinhas, criando vinhos com alto teor alcoólico, perfeitamente alinhados com a energia das bandas.
O momento atual
Hoje, o vinho de rock deixou de ser apenas merchandising de turnê para se tornar um investimento de portfólio. Os astros do rock buscaram a explosão das uvas Shiraz e Cabernet da Oceania, onde o sol e a terra parecem vibrar na mesma frequência de um amplificador Marshall.
A nova fronteira do gosto
O sucesso desses rótulos no Brasil ainda é um território a ser explorado por importadoras especializadas, mas a narrativa é clara: o vinho do rock não é “suco de uva com álcool”. É o resultado de parcerias técnicas com vinícolas de linhagem, que entenderam que a rebeldia pode, sim, ser engarrafada e envelhecida em barris de carvalho.
Se você gosta de vinhos, YOU ROCK 🤘🏻🍷!
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