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Ler Lima Barreto é importante para compreender as raízes da desigualdade no Brasil

Escritor carioca, que escancarou a hipocrisia e o preconceito do país, completaria 145 anos no dia 13 de maio

Histórias e Lembranças do Rio de Janeiro|Leonardo CohenOpens in new window

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Lima Barreto nasceu em 1881, no Rio de Janeiro, e foi um dos pioneiros na luta contra o preconceito racial e social no Brasil.
  • O escritor viveu uma vida difícil, marcada pela pobreza, alcoolismo e preconceito, e morreu jovem, aos 41 anos.
  • Suas obras, como "Triste Fim de Policarpo Quaresma" e "Recordações do Escrivão Isaías Caminha", criticaram a hipocrisia social e o racismo.
  • Lima Barreto é reconhecido hoje como um precursor do Modernismo e um dos maiores cronistas da história do Brasil, essencial para compreender as desigualdades sociais do país.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Muro de Lima Barreto na rua Major Mascarenhas, no bairro de Todos os Santos, no RJ Reprodução/Instagram/@negromuro

No dia 13 de maio de 1881, nascia Afonso Henriques de Lima Barreto, no bairro de Laranjeiras. Os pais descendentes de escravos venceram pela educação: o pai era tipógrafo e a mãe, professora. Após a morte precoce da mãe, o pai foi enlouquecendo aos poucos. Lima virou arrimo de família.

Ainda criança, viu de perto a abolição da escravatura, por acaso no dia de seu aniversário de sete anos. Festejou com a família e o povo, mas, ao crescer, percebeu que a cor de pele era motivo para muitas restrições. Um muro que não poderia ser alcançado. Era um homem magoado.

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Como escritor, Lima Barreto foi um dos pioneiros na luta contra o preconceito racial e social, poucos anos depois do fim da escravidão. Usou a pena e o papel como armas em crônicas, contos e romances, mas se considerava um injustiçado. A crítica mordaz e ácida acertou vários alvos: políticos, elite, futebol, Carnaval e governo.

Lima Barreto sofreu a vida dura do subúrbio do Rio, era morador do bairro de Todos os Santos e encarava diariamente os trens da Central do Brasil para trabalhar no Ministério da Guerra.

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Lima Barreto morreu jovem, aos 41 anos, vítima de um colapso cardíaco Wikimedia Commons

O escritor acabou vítima do álcool. A cachaça Parati o escravizou e destruiu a sua reputação. Vivia largado, sujo, bêbado. A ojeriza dos outros intelectuais o transformou num pária.

Quando bebia, ficava incontrolável e ia parar no hospício, o antigo Hospital dos Alienados, na Urca — atualmente, o prédio é sede da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

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Lima constatou logo de cara que as obras iniciadas pelo prefeito Pereira Passos, em 1903, não eram para toda a população. A Belle Époque não se parecia com ele: era branca e burguesa. Os negros e pobres ficaram nos subúrbios e/ou subiram os morros.

Recomendo a leitura de Triste Fim de Policarpo Quaresma (1911), a história de um herói ultranacionalista esmagado pelo próprio Brasil.

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Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909), um jovem que sofre com o racismo e denuncia a imprensa da época. Há ainda Numa e a Ninfa, Bruzundanga, Clara dos Anjos e Cemitério dos Vivos (descreve o período sinistro no manicômio).

Lima Barreto morreu jovem, aos 41 anos, vítima de um colapso cardíaco, pobre e ignorado. Não se casou, nem deixou filhos. O pai, totalmente senil, morreu no dia seguinte.

Lima Barreto foi um grande frasista:

“Não é só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa...”

“O Brasil não tem povo, tem público.”

“É um subúrbio de gente pobre, e o bonde que lá leva atravessa umas ruas de largura desigual, que, não se sabe por quê, ora são muito estreitas, ora muito largas...”

O legado de 145 anos

Um busto em homenagem ao Lima Barreto está na Rua do Lavradio, na Lapa. O rosto dele está pintado em um muro na rua Major Mascarenhas, no Todos os Santos, em ação do Projeto Negro Muro. Lima está vestido com o fardão da ABL (ele foi preterido duas vezes) perto da casa onde morou.

Hoje, o autor é reconhecido como um dos maiores homens de letras nascidos nesta terra. Lima Barreto é celebrado como um precursor do Modernismo e um dos maiores cronistas da história do Brasil. Ler Lima Barreto, hoje, é muito importante para compreender as raízes das desigualdades que ainda persistem no país.

Indicações de filmes

Lima Barreto, Ao Terceiro Dia - do diretor Luiz Antonio Pilar

Noite e Dia - Lima Barreto, Obra & Vida - do diretor Rodrigo Grota

Policarpo Quaresma, Herói do Brasil - do diretor Paulo Thiago

Indicações de livros

Lima Barreto: Triste Visionário - de Lilia Moritz Schwarcz

A Vida de Lima Barreto - de Francisco de Assis Barbosa

Lima Barreto em Quatro Tempos - de Carmen Negreiros

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