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Rio de Janeiro e Roland Garros: uma conexão que vai muito além do tênis

Conheça a fascinante conexão entre a história do tênis e a aviação no Rio de Janeiro

Histórias e Lembranças do Rio de Janeiro|Leonardo CohenOpens in new window

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Roland Garros em visita ao Brasil em 1912, no RJ Divulgação/site - Roland Garros

O tenista carioca João Fonseca fez história no Aberto de Roland Garros, em Paris. Ele chegou até as quartas de final do torneio. Antes dele, na chave de simples masculina, apenas Gustavo Kuerten — três vezes campeão da competição (1997, 2000 e 2001) — havia alcançado essa fase.

Neste sábado (6), o goiano Luis Guto Miguel, 17 anos, tornou-se o primeiro juvenil brasileiro a conquistar o título de Roland Garros.


Mas, além do sucesso desses três atletas, qual é a verdadeira relação de Roland Garros com o Brasil e, especificamente, com o Rio de Janeiro?

​Por incrível que pareça, há muita história nessa ligação.


Jornal da Primeira Semana de Aviação no RJ Reprodução/Hemeroteca da Biblioteca Nacional

O aviador que se encantou pelo Brasil

​Apesar de dar nome a um dos torneios de tênis mais importantes do mundo, Roland Garros não era tenista, tampouco empresário do esporte.

Ele foi um dos grandes pioneiros da aviação no início do século XX. Nascido em 6 de outubro de 1888, Garros logo se encantou pelos pássaros, pelo céu e pelas nuvens.


​Na França, ele conheceu o brasileiro Alberto Santos Dumont e comprou um avião Demoiselle, inventado por nosso compatriota. Rapidamente, Garros dominou a máquina — uma verdadeira proeza em uma época na qual acidentes fatais eram comuns.

O francês se tornou um pioneiro icônico, sendo o primeiro homem a atravessar o Mar Mediterrâneo em uma aeronave, em 1913.


​Dois anos antes desse feito, em dezembro de 1911, Garros ingressou em uma empresa de exibições aéreas e desembarcou no Rio de Janeiro. Em seu diário, ele registrou o impacto da chegada:

​“A viagem terminou no cenário feérico da baía do Rio. Assim que o [navio] Thames cruzou o estreito canal, ladeado à esquerda pelo Pão de Açúcar, nos vimos cercados instantaneamente pela exuberância luxuriante do clima brasileiro.”

​Aventuras cariocas e voos pioneiros

​Hospedado no Hotel Avenida, na Avenida Rio Branco, o aviador aproveitou intensamente a então capital federal. Andou de carro pela cidade, frequentou a vida noturna, participou de banquetes, visitou as praias da Zona Sul, as cascatas da Floresta da Tijuca e até subiu o morro do Corcovado — muito antes da construção da estátua do Cristo Redentor.

​Garros realizou uma apresentação aérea exclusiva para o Presidente da República, o Marechal Hermes da Fonseca. Foi o primeiro a sobrevoar a Baía de Guanabara e a tirar fotos aéreas de Niterói.

Dias depois, tentou voar até Teresópolis, mas uma corrente de ar inesperada quase derrubou sua aeronave. Ele escreveu que ficou fascinado pelo Dedo de Deus, pelas aves nativas da baía e pelo inesquecível nascer do sol carioca, que assistia diariamente.

​O francês também fez várias exibições, saindo do Jockey Club (onde hoje fica o Estádio Maracanã) até Deodoro. Os cariocas iam em peso às ruas assistir às suas peripécias aéreas.

O sucesso foi tanto que os jornais da época cogitaram sua contratação pelo governo federal para ensinar a nova tecnologia da aviação aos militares brasileiros. Em março de 1912, ele seguiu para São Paulo e Santos antes de retornar à Europa.

​O herói de guerra

​Percebendo o papel crucial que a aviação teria no futuro, Garros alistou-se no exército francês assim que estourou a Primeira Guerra Mundial, em 1914.

Na linha de frente, ele revolucionou o combate aéreo ao desenvolver uma metralhadora que disparava através das hélices dianteiras do avião sem danificá-las.

​O aviador acabou sendo capturado pelos alemães. Após três anos de cativeiro e várias tentativas, conseguiu escapar espetacularmente de um campo de concentração na Alemanha e retornou aos combates.

Infelizmente, no dia 5 de outubro de 1918 — véspera de seu 30º aniversário —, seu avião foi abatido na região das Ardenas, e ele não sobreviveu.

​Por que o estádio de tênis leva seu nome?

​Se ele era aviador, por que o estádio inaugurado em 1928 foi batizado de Roland Garros?

​O complexo de tênis foi construído em um terreno de três hectares na Porte d’Auteuil, doado pelo clube Stade Français.

O presidente do clube na época, Émile Lesieur, impôs apenas uma condição para a doação: que o estádio homenageasse seu grande amigo e ex-membro do clube, que ele conhecera nos bancos da faculdade de Estudos Comerciais. O amigo era ninguém menos que Roland Garros.

Apesar da vida curta, o Rio de Janeiro foi local inesquecível para o Ás da aviação, Roland Garros.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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