Entre o camp e o etéreo: a estética calculada de Chappell Roan ao vivo
Com muito brilho, exagero e fantasia, artista constrói uma história visual em cima do palco
Se existe um elemento que define Chappell Roan no palco, é o excesso — calculado, referenciado e absolutamente intencional.
A estética maximalista não é apenas um recurso visual, mas parte central da narrativa que a artista constrói a cada apresentação.
Não à toa, seu repertório imagético já flertou com o surreal e o camp em diferentes níveis: da vez em que surgiu caracterizada como a Estátua da Liberdade em um show em Nova York, à capa do álbum The Rise and Fall of a Midwest Princess, em que aparece com um nariz de porco — uma provocação visual que mistura crítica, humor e estranhamento.
Tudo isso ajuda a entender o que acontece ao vivo: Chappell não busca apenas ser vista, mas criar imagens que permaneçam.
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No palco, essa construção ganha corpo, como o público pode ver no megashow da artista no segundo dia de Lollapalooza Brasil, neste sábado (21).
O primeiro look — um vestido longo verde-musgo, com mangas esvoaçantes e coberto de brilho — desenha uma silhueta quase mística, amplificada pelo contraste com o cabelo vermelho vibrante.
Há algo de teatral, quase ritualístico, como uma figura que transita entre o etéreo e o exagero pop. Uma “bruxona glam”, sustentada tanto pelo figurino quanto pela atitude.
A beleza acompanha essa lógica de intensidade. Nada é discreto: bochechas marcadas, olhos carregados e uma profusão de brilho que alterna entre glitter evidente e partículas reflexivas.
Nos closes dos telões, a maquiagem deixa de ser complemento e passa a ser parte da cenografia — um elemento que também conta história.
As trocas de figurino reforçam essa construção imagética. Em outro momento, Chappell aposta em peças mais reveladoras, com pernas e decote à mostra, explorando tecidos com brilho esverdeado e reflexos dourados.
Sob o desenho de luz, o efeito é quase líquido, criando uma atmosfera etérea e ao mesmo tempo ultra glamourosa.
As referências ao glam rock aparecem filtradas por uma lente pop contemporânea, em uma mistura de renda, transparência, bordados e excesso.
No fim, o palco de Chappell Roan funciona como uma extensão direta de seu universo visual: um espaço onde o estranho, o teatral e o hiperfeminino coexistem sem pedir licença — e onde cada escolha estética parece pensada para ser tão inesquecível quanto a própria música.
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