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Por dentro da Feria de Abril, a festa mais tradicional da Espanha

Entre casetas, tradição e cultura andaluz, a festa é a mais emblemática de Sevilha

Mundo pra Viver – Por Gisele Rodrigues|Gisele RodriguesOpens in new window

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Feria de abril aconteceu na última semana em Sevilla Gisele Rodrigues

A Feria de Abril é uma das festas mais emblemáticas da Espanha e transforma a cidade de Sevilha em um grande cenário de música, dança e tradição. Criada em 1847 como uma feira de gado, o evento evoluiu ao longo de quase dois séculos e hoje é um dos principais símbolos da cultura espanhola.


Atualmente, a festa mantém sua essência popular, mas com dimensões impressionantes. Em 2026, o recinto contou com 1.059 casetas, estruturas decoradas que funcionam como bares e espaços de convivência.

Além disso, a estrutura da feira também inclui um grande parque de diversões, conhecido como “calle del infierno”, com atrações para todas as idades.


Apesar de ser uma festa aberta, nem todas as casetas são acessíveis a qualquer pessoa. Foi a minha primeira vez na feira, um momento carregado de significado pessoal.

Tenho raízes andaluzas por parte do meu avô, Manuel Rodrigues, e, desde que me mudei para a Espanha, há três anos, desejava conhecer esse espetáculo, como gosto de chamá-lo. Ainda sinto o eco da música no coração ao lembrar do instante em que cruzei os portões da feira, como quem entra em um outro mundo.


Como ela é dividida

A feira acontece no chamado “Real de la Feria”, um grande recinto organizado em ruas. Em 2026, foram 1.059 casetas distribuídas nesse espaço.

A maioria das casetas é privada, pertencente a famílias, empresas ou associações, e o acesso costuma ser restrito a convidados.


Para os turistas, existem casetas de acesso livre durante todo o dia, geralmente administradas por distritos da cidade, sindicatos e partidos políticos. Embora não tenham exatamente o mesmo ambiente íntimo de uma caseta familiar, nesses espaços também é possível viver a experiência da feira — com música, comida típica e as tradicionais sevillanas.

Durante a feria, fui admirar a praça Espanha Gisele Rodrigues

Primeira vez na caseta

Las Niñas, a caseta da Charo, conquistada depois de 30 anos Gisele Rodrigues

Esse sentimento de pertencimento, no entanto, nem sempre é imediato e, para muitos, pode levar décadas. Charo, uma sevillana, representa bem essa realidade. Durante 31 anos, ela esperou por um espaço que, para quem está de fora, pode parecer apenas uma tenda festiva. Mas, na Feira de Abril, uma caseta é muito mais do que isso: é identidade, tradição e comunidade.

Eu (Gisele Rodrigues) e Charo, uma das donas da caseta Las niñas Gisele Rodrigues

“Se você não tem caseta ou não conhece alguém que tenha, melhor nem vir”, diz um ditado popular na cidade. Todos os anos, cerca de 1.300 pedidos são renovados junto ao Ayuntamiento de Sevilla na esperança de conseguir um dos módulos disponíveis.

A história começou com o pai de Charo, funcionário público, que inscreveu a família na lista de espera. Com o passar dos anos, irmãos desistiram, mas o sonho permaneceu. “Meu marido assumiu o pedido, e fomos nós que mantivemos essa ilusão todos esses anos”, conta.

Hoje, a persistência ganhou nome: “Las Niñas”. A caseta foi batizada em homenagem a Charo e suas amigas de infância, Carmen e Marga, chamadas assim desde jovens, quando chegavam juntas às festas. E foi justamente Charo quem me convidou para entrar pela primeira vez em uma caseta.

Eram cerca de 20h quando nos encontramos na frente do espaço e nos cumprimentamos pela primeira vez. Logo depois, ela me levou para dentro e pediu permissão ao segurança na entrada. Sim, há seguranças em cada porta para garantir o controle de acesso, permitindo a entrada apenas de sócios, familiares e amigos autorizados.

Ao entrar, fui recebida com um rebujito, bebida típica da feira feita com vinho fino e refrigerante de limão. Já começamos a rir, e pouco depois uma banda começou a tocar músicas sevillanas. As pessoas abriram espaço e rapidamente se formou uma pista de dança improvisada, com casais dançando ao ritmo da música.

Por dentro da caseta, apenas convidados Gisele Rodrigues

Sem pensar muito, arrisquei os primeiros passos para aprender também. Foi leve, divertido e completamente espontâneo. Realmente foi incrível. Dentro da caseta também é possível comprar bebidas e comidas típicas, mantendo a festa viva ao longo da noite.

Ainda assim, para quem não conseguir entrar nas casetas, existem casetas públicas nas quais qualquer pessoa pode entrar. Além disso, circular pelas ruas do recinto já é uma experiência completa, com música, dança e encontros espontâneos.

Como se vestir

Viajei com amigas, entre elas, Amanda, Luana, Eu ( Gisele Rodrigues) e Gabriela, que os vestimos como gitana Gisele Rodrigues

O figurino é parte essencial da experiência, mas ele não precisa ser inacessível. Eu e mais três amigas conseguimos encontrar vestidos mais acessíveis em lojas comuns no centro de Sevilla. Pagamos entre 40 e 80 euros por vestido. Porém, um vestido tradicional pode ultrapassar cerca de 400 euros ou mais.

As mantilhas custaram cerca de 15 euros, as flores para o cabelo aproximadamente 5 euros, e acessórios como brincos também ficaram nessa faixa.

Nos pés, a tradição são as alpargatas, mas optei por uma bota confortável, já que sabia que iria caminhar bastante. E essa é a minha principal recomendação: priorizar o conforto para aproveitar a festa até o fim.

Os homens também seguem a tradição, geralmente vestindo roupas mais elegantes e sóbrias, como camisa social, calça escura e, em muitos casos, o traje típico andaluz — com jaqueta curta e chapéu. O resultado é uma cidade visualmente transformada, em que o cotidiano dá lugar a uma celebração coletiva da cultura e da identidade andaluza.

Antes de ir à feira, outra tradição é passar pela Praça de Espanha para fotos, um dos pontos mais icônicos da cidade e cenário de encontro de visitantes e locais.

Onde se hospedar

Ficamos hospedadas no New Samay Hostel no centro de Sevilla Gisele Rodrigue

Durante os dias da feira, ficamos no Hostel New Samay. Um hostel é uma forma de hospedagem econômica, com quartos compartilhados e áreas comuns, ideal para quem busca praticidade e custo-benefício. Ficamos em um quarto privado. O local é bem localizado, próximo ao centro da cidade e a cerca de 12 minutos da Praça de Espanha.

Até a feira, a distância seria de aproximadamente 30 minutos a pé, mas optamos por pegar um táxi a partir da praça, que custou cerca de 9,75 euros e levou em torno de 10 minutos.

A Feria de Abril segue um formato tradicional de seis dias oficiais, geralmente de terça a domingo, começando com o famoso “alumbrado”, quando milhares de luzes são acesas à meia-noite. No entanto, as celebrações começam antes, com a “noite do pescaíto”, e seguem diariamente até a madrugada.

Ao longo dos anos, a Feria de Abril deixou de ser apenas um evento comercial para se tornar uma celebração da identidade andaluza. Com mais de mil casetas, um grande parque de diversões e milhões de visitantes todos os anos, a festa segue como um retrato vivo da cultura espanhola, em que tradição e convivência caminham lado a lado.

Nos dias da Feria de Abril, a atmosfera de Sevilha muda completamente. A cidade inteira parece entrar em clima de festa, com ruas cheias, música ao longe e um fluxo constante de pessoas a caminho do recinto da feira. É comum ver moradores e visitantes vestidos a caráter, especialmente as mulheres com os tradicionais trajes de sevillana, marcados por vestidos longos, coloridos e cheios de movimento.

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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