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Trinta anos de espera: a história de Charo na alma da Feira de Abril de Sevilha

Evento é uma das celebrações mais emblemáticas da Espanha

Mundo pra Viver – Por Gisele Rodrigues|Gisele RodriguesOpens in new window

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Evento mostra tradições flamencas Reprodução/Instagram @spain

A cidade de Sevilha está em festa. A Feria de Abril de Sevilla começou na última terça-feira, dia 21 de abril, quando foi oficialmente inaugurada com o tradicional acendimento das luzes — o momento que marca o início de uma das celebrações mais emblemáticas da Espanha.

Desde então, o recinto ferial se enche de música, encontros e tradição, e seguiu assim até este domingo (26).


Sob o céu iluminado do bairro de Los Remedios, onde o chão de areia dourada — o albero — se transforma em palco de encontros, música e identidade andaluza, há histórias que não aparecem nos cartazes nem nos guias turísticos. Uma delas é a de Charo Barrera.

Durante 31 anos, Charo esperou por um espaço que, para muitos de fora, pode parecer apenas uma tenda festiva. Mas na Feira de Abril, uma “caseta” é muito mais do que isso: é símbolo de pertencimento.


“Se você não tem caseta ou não conhece alguém que tenha, melhor nem vir”, diz um ditado popular na cidade. E, ao contrário do que parece, não é exagero.

Todos os anos, cerca de 1.300 pedidos são renovados junto ao Ayuntamiento de Sevilla na esperança de conseguir um dos módulos disponíveis. A espera pode durar décadas — como foi o caso de Charo.


Uma herança construída em família

A história começou com o pai de Charo, funcionário público, que inscreveu a família na lista de espera. Com o passar dos anos, irmãos desistiram, mas o sonho permaneceu vivo.

“Meu marido assumiu o pedido, e fomos nós que mantivemos essa ilusão todos esses anos”, conta.


Hoje, essa persistência tem nome: “Las Niñas”. A caseta foi batizada em homenagem a Charo e suas amigas de infância, Carmen e Marga — chamadas assim desde jovens, quando chegavam juntas às festas.

Mais do que um espaço festivo, o grupo reflete também uma mudança silenciosa dentro de uma tradição marcada por estruturas rígidas: dos 18 sócios, 16 são mulheres.

O telefonema que mudou tudo

O momento decisivo chegou em 14 de fevereiro — ironicamente, o Dia dos Namorados.

“Saí do trabalho, o telefone tocou, e era da prefeitura. Esperei 30 anos para ouvir aquilo”, lembra Charo. Do outro lado da linha, a confirmação: finalmente tinham conseguido uma caseta, localizada na rua Pepe Luis Vázquez, uma das mais emblemáticas do recinto.

A oportunidade surgiu porque antigos titulares perderam o direito ao espaço por não cumprirem prazos administrativos — um detalhe burocrático que, para uns, é tragédia; para outros, como Charo, é destino. Montar uma caseta não é simples. Exige investimento, organização e uma logística quase empresarial. “Fizemos um ‘mestrado’ em dois meses”, brinca. “Mas no próximo ano já seremos as rainhas da feira.” Para Charo, o valor vai além do esforço: é um legado. Um espaço que será passado aos filhos, carregando décadas de história, espera e identidade.

A Feira de Abril segue sendo um fenômeno difícil de explicar para quem está de fora. Em um mundo de imediatismo, esperar 30 anos por um espaço pode parecer absurdo.

Mas é justamente isso que, segundo Charo, dá sentido à tradição.

“Se fosse fácil, não teria o mesmo encanto. É preciso ter muita paciência. Quem vive isso, entende.”

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Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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